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Escrito por Neo Mondo | 16 de janeiro de 2018
POR - AGÊNCIA BRASIL / NEO MONDO
A criação de novo aterro sanitário em Barra Mansa, no Rio de Janeiro, no sul do estado, está gerando descontentamento entre moradores e organizações ambientais da região

Arrecadação municipal
A Comissão Ambiental Sul-RJ informou que, de acordo com dados repassados, a prefeitura de Barra Mansa receberia R$ 200 mil mensais pelo empreendimento. A entidade avalia que esse montante seria insuficiente para obras de manutenção das estradas por onde passarão os caminhões transportando as 100 toneladas diárias de resíduos.
Questionado pela Agência Brasil, o município negou o valor e informou que, caso o aterro se concretize, seriam arrecadados recursos oriundos do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS), correspondente a 5% das receitas da empresa, além de um percentual de royalties sobre o faturamento. “O município ainda está estudando quais compensações seriam feitas, além das ambientais e estruturais das vias de acesso ao complexo.”
A prefeitura disse que a responsabilidade pelo licenciamento é do Inea e da Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca) e que cabe ao município o acompanhamento, podendo até criar restrições e impedir a instalação usando mecanismos da legislação municipal caso entenda haver prejuízo ao ambiente da cidade.
Ainda de acordo com a nota, o prefeito solicitou, na semana passada, a paralisação do processo até que sejam avaliados questionamentos relacionados com o aterro de lixo domiciliar da Foxx Haztec, já em funcionamento.
“Segundo o prefeito, o Inea não deve avançar com qualquer novo licenciamento enquanto existirem pendências do anterior, como por exemplo a estação de tratamento de chorume, cobertura florestal, recuperação da área do antigo lixão e recuperação das estradas municipais de acesso ao centro de tratamento”, diz a nota.
Legislação rígida
De acordo com Gandhi Giordano, pesquisador de engenharia sanitária e ambiental da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), há hoje legislação rígida que trata do manejo, controle e segurança em aterros de classe 1. Isso se dá porque os resíduos a eles destinados têm propriedades físico-químicas e infectocontagiosas que podem apresentar perigo à saúde pública e ao meio ambiente. Daí, a exigência de mais atenção por parte dos geradores, já que acidentes mais graves e de maior impacto ambiental são causados por esta classe de resíduos.
“A legislação vigente atende. Se ela for seguida, o risco é minimizado”, disse o pesquisador. Ele menciona a obrigatoriedade de constar no projeto a garantia de tratamento do chorume, os riscos de poluição do ar, o atendimento a normas de isolamento para evitar contaminação, os cuidados em relação ao solo e à localização. “No final do processo de licenciamento, pode-se chegar à conclusão que a localização não é adequada”, ressaltou.
Para Giordano, as pessoas em geral não querem aterros próximos às suas casas, o que é uma reação normal. No entanto, desde tenham as condições necessárias para a implementação, os empreendimentos precisam existir em algum lugar, já que são fundamentais para o correto descarte de lixo e para a preservação ambiental.
“Não tenho detalhes do projeto de Barra Mansa, mas é uma região que tem muitas indústrias, então deve haver demanda. Por outro lado, estamos falando do Vale do Paraíba, onde temos um manancial que atende vários municípios do estado e da região metropolitana. Então, tem que se tomar cuidado, poque é uma área sensível. Para esse tipo de projeto, se exige uma distância mínima dos rios e dos corpos d'água. Deve se levar em conta a proteção ao lençol freático e às nascentes. Esses elementos não podem ser ignorados”, afirmou.
O pesquisador disse que o Rio de Janeiro é carente deste tipo de unidade de tratamento. “Tem resíduo que sai de Macaé e vai para São Paulo. Quanto mais se anda na estrada, maior o risco de um acidente. Tem também a questão econômica. Mandar um resíduo para outro estado, certamente tem um custo para as indústrias do Rio de Janeiro. Quando se tem uma infraestrutura como essa, fica mais fácil o cumprimento da legislação ambiental e aí você atrai indústrias”, acrescentou.

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