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Escrito por Neo Mondo | 16 de junho de 2026
Fim da lógica do descarte. O que antes era visto como resíduo pode ganhar um novo ciclo de vida, reduzindo desperdícios, preservando recursos e transformando a forma como as empresas se relacionam com a tecnologia - Foto: Divulgação
ARTIGO
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Nos debates corporativos atuais, a sustentabilidade deixou de ser apenas um termo bem-intencionado para se tornar uma exigência real de mercado. No entanto, um erro conceitual ainda persiste em muitas diretorias: a sustentabilidade não pode mais ser tratada como um projeto paralelo ou como uma mera compensação no fim da cadeia. Para que seja efetiva, ela precisa estar no desenho do modelo de negócio.
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No Brasil, esbarramos em uma forte barreira para a economia circular: a cultura da propriedade. Muitas empresas continuam comprando ativos de tecnologia como se fossem um patrimônio estável, ignorando que esses equipamentos se desvalorizam rapidamente, exigem atualizações constantes e geram um passivo complexo no fim de seu ciclo. O grande problema do modelo de aquisição (CAPEX) é que, ao comprar uma máquina, a empresa muitas vezes perde a visibilidade e o controle sobre o seu uso, descarte, revenda e reciclagem.
Essa visão fragmentada gera um desalinhamento clássico na gestão de ativos. A área de finanças olha apenas para o custo, a TI foca na performance e na segurança, e a área de sustentabilidade se preocupa isoladamente com o impacto ambiental e os relatórios. Quando essas áreas não compartilham dados, a decisão corporativa fica dividida e ineficiente.
É exatamente nesse gargalo que o leasing operacional deixa de ser apenas uma ferramenta financeira para assumir o papel de protagonista na agenda ESG das empresas. A transição de "possuir tecnologia" para "usar tecnologia" muda completamente a lógica corporativa. No leasing operacional, o ciclo do equipamento já nasce estruturado de ponta a ponta, pois envolve a aquisição, a gestão durante o uso, o retorno, a exclusão segura de dados, o recondicionamento e, por fim, o remarketing ou a reciclagem.
Essa rastreabilidade transforma os ativos de TI em parte de uma estratégia circular, mensurável e auditável. Os resultados práticos dessa mudança são expressivos. Apenas em 2025, 96% dos ativos de TI retornados das operações da CHG-MERIDIAN foram recondicionados e revendidos para um segundo ciclo de vida. Isso ajuda diretamente as empresas a baterem suas próprias metas de redução de emissões e a mitigar o crescente problema do lixo eletrônico.
Mas por que muitas empresas ainda acabam optando por comprar créditos de carbono em vez de apostar em um modelo de leasing focado na circularidade? A resposta é simples: comprar créditos parece ser uma solução mais fácil e rápida de ser aprovada internamente. Porém, o crédito de carbono é apenas uma medida de curto prazo que compensa uma emissão já gerada, sem necessariamente reduzir a produção de resíduos ou frear a compra excessiva de ativos.
O leasing operacional, por outro lado, atua na raiz do problema ao mudar estruturalmente a forma como a companhia consome a tecnologia. Essa é a diferença fundamental entre simplesmente compensar um impacto e verdadeiramente redesenhar o impacto de uma operação.
Embora o gatilho inicial para a adoção do leasing no Brasil ainda seja, muitas vezes, financeiro, focado em previsibilidade e preservação de caixa, a agenda ESG já se consolida como um critério real de decisão. Afinal, as empresas mais inovadoras já entenderam que o futuro não pertence a quem acumula maquinário obsoleto, mas a quem acessa a melhor tecnologia com inteligência, responsabilidade e circularidade.
*Gabriela Monastero é vice-presidente de vendas da CHG-MERIDIAN no Brasil.

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