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O Grupo HEINEKEN está colhendo os primeiros frutos — e águas — de um investimento inédito em agricultura regenerativa

Escrito por Neo Mondo | 4 de outubro de 2025

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O sistema vai fortalecer a segurança hídrica, reduzir custos (R$ 53 milhões em 20 anos) e ainda sequestrar 500 mil toneladas de carbono em 25 anos - Foto: Divulgação/Heineken

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

Em Itu, conheci de perto como a agrofloresta pode mudar não só a paisagem, mas também a forma de fazer negócios de forma sustentável

Ontem, 02 de outubro, tive uma experiência que me marcou profundamente. Fui convidado pelo Grupo HEINEKEN para conhecer sua fazenda em Itu. Pela primeira vez, o Grupo HEINEKEN abriu as portas da fazenda, onde um projeto ousado de agricultura regenerativa está tomando forma. E não é só sobre plantar árvores ou criar um espaço bonito de visitação: é sobre repensar a lógica de como produzir, conservar e garantir o futuro da água, da biodiversidade e, claro, dos negócios.

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Logo na chegada, a paisagem já dizia muito. Ali, em 142 hectares de agrofloresta, já brotam 200 mil mudas entre pés de citrus e espécies nativas da Mata Atlântica. O cenário não é apenas encantador, mas também estratégico: cada árvore foi pensada para regenerar o solo, aumentar a infiltração da água da chuva e, no longo prazo, garantir a segurança hídrica de uma das maiores cervejarias da HEINEKEN no Brasil.

E eu confesso: caminhar por aquele espaço me fez refletir sobre como a sustentabilidade, quando realmente praticada, pode deixar de ser discurso para se tornar motor de inovação.

A floresta que produz água e carbono positivo

O que mais me chamou atenção foi a forma como o projeto foi estruturado. Antes mesmo do plantio, houve um cuidado com o design do sistema, a preparação do solo e a instalação de tecnologias para retenção e captação de água. Isso garante que cada muda tenha mais chances de crescer em um ambiente saudável e que a terra, com o tempo, se torne mais fértil e viva.

O resultado é poderoso: a expectativa é que, em 25 anos, essa floresta consiga remover 500 mil toneladas de carbono da atmosfera — só em 2025 serão 9,6 mil toneladas, das quais 2,5 mil virão do plantio de citrus. É a agricultura não só como fonte de alimento, mas também como parceira do clima.

E tem mais: ao longo de 20 anos, o sistema deve evitar um gasto de R$ 53 milhões com soluções artificiais de água e carbono. Ou seja, regenerar não é só bonito, é também inteligente para os negócios.

foto de oscar publisher de neo mondo deixando sua marca plantando uma muda na fazenda da heineken
Oscar Lopes, publisher do Neo Mondo, participou do plantio de mudas na fazenda do Grupo HEINEKEN, em Itu — um símbolo vivo da agricultura regenerativa e do compromisso com a sustentabilidade - Foto: Oscar Lopes/Neo Mondo
Impacto social: raízes que geram empregos

Além de ser um alívio para a natureza, o projeto tem impacto direto na vida das pessoas. Quando estiver em plena maturidade, a agrofloresta deve criar 120 novas posições de trabalho, além de abrir caminho para novas oportunidades no mercado brasileiro de carbono. A previsão é que, até 2030, o HEINEKEN Spin — como o projeto foi batizado — possa gerar até R$ 37 milhões em receita só com esse pilar de agricultura regenerativa.

Mais uma vez, percebi ali que sustentabilidade não é custo, mas investimento com retorno em todas as frentes: ambiental, social e econômica.

Parcerias que fortalecem o propósito

Esse trabalho não acontece sozinho. A HEINEKEN contou com a expertise da Rizoma, empresa que já tem duas décadas de experiência em sistemas agroflorestais e agricultura regenerativa em larga escala. Eles são responsáveis por todo o planejamento, implementação e operação do projeto, com foco em três grandes indicadores: sequestro de carbono, produção de água e promoção da biodiversidade.

A cidade de Itu foi escolhida a dedo. Quem conhece a região sabe dos episódios de estresse hídrico que já marcaram sua história. Faz todo sentido que ali se plante não apenas árvores, mas também um modelo de resiliência para o futuro.

Um brinde ao futuro

Ao caminhar entre as mudas e conversar com os porta-vozes da empresa, ficou claro para mim que estamos diante de um novo paradigma. O Grupo HEINEKEN não está apenas produzindo cerveja, mas construindo uma forma de fazer negócios onde cada gole pode, simbolicamente, carregar um pouco da água preservada, do carbono sequestrado e da floresta regenerada.

E, honestamente, saí de lá com a sensação de que, se mais empresas assumirem esse tipo de compromisso, não estaremos apenas “salvando o planeta”, mas criando condições reais de prosperidade compartilhada.

Em Itu, eu vi de perto que a sustentabilidade pode — e deve — ser colheita de frutos e de águas.

foto de funcionário da heineken regando as mudas
Foto: Divulgação

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