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Escrito por Neo Mondo | 10 de julho de 2026
Produzir floresta: a névoa da manhã cobre a Reserva Guaricica, em Antonina (PR), um dos berços da Mata Atlântica que a SPVS restaura há mais de 40 anos - Foto: Gabriel Marchi
POR - REDAÇÃO NEO MONDO*
Durante mais de 40 anos, a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) vem demonstrando que conservar a biodiversidade significa muito mais do que proteger áreas naturais: representa geração de empregos, recuperação de espécies ameaçadas, proteção de rios, fortalecimento de comunidades e criação de novas oportunidades de desenvolvimento a partir da floresta em pé. Essa visão acaba de conquistar reconhecimento internacional. A organização brasileira está entre as dez finalistas da categoria NGO do RestorLife Awards 2026, premiação promovida pela plataforma Restor.eco em parceria com a G20 Global Land Initiative (GLI) e a Ma Earth, que reconhece algumas das iniciativas de restauração ecológica mais inspiradoras do mundo.
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A candidatura apresentada pela SPVS, intitulada "Restoring the Atlantic Forest in Paraná, Brazil", destaca um modelo de atuação desenvolvido ao longo de décadas no litoral do Paraná, que integra restauração da Mata Atlântica, conservação da biodiversidade, desenvolvimento regional e geração de oportunidades para as comunidades locais. Mais do que restaurar áreas degradadas, a proposta parte de um conceito desenvolvido pela própria organização: a "Produção de Natureza", abordagem que demonstra que a conservação é também um vetor de desenvolvimento econômico, social e climático.
O projeto apresentado ao RestorLife Awards concentra-se na restauração ecológica realizada nas Reservas Naturais Guaricica, Reserva das Águas e Papagaio-de-cara-roxa, inseridas no território da Grande Reserva Mata Atlântica, nos municípios de Antonina e Guaraqueçaba — um dos maiores remanescentes contínuos do bioma no mundo. Ao longo das últimas décadas, a região enfrentou adversidades históricas provocadas pela exploração madeireira ilegal, caça, fragmentação florestal, plantio de espécies exóticas e criação extensiva de búfalos, que comprometeram ecossistemas, reduziram populações de espécies nativas e agravaram a vulnerabilidade social das comunidades locais. A resposta construída pela SPVS foi integrar ciência, restauração ecológica, proteção da fauna, educação ambiental e geração de empregos formais, transformando moradores da própria região em profissionais responsáveis pela recuperação e proteção da floresta.
"O que buscamos demonstrar é que o futuro da Mata Atlântica depende das pessoas que vivem nela. Quando a conservação da natureza gera oportunidades, conhecimento e qualidade de vida, ela deixa de ser apenas uma estratégia ambiental e passa a ser também uma estratégia de desenvolvimento", resume Clóvis Borges, diretor-executivo da SPVS.
A candidatura reúne indicadores que refletem a trajetória da SPVS na Mata Atlântica: mais de 40 anos de atuação, aproximadamente 19 mil hectares de áreas naturais protegidas, recuperação da população do Papagaio-de-cara-roxa — que passou de cerca de 2.500 para mais de 10 mil indivíduos —, centenas de empregos formais ligados à conservação e milhares de estudantes envolvidos anualmente em programas de educação para a conservação. O trabalho também inclui monitoramento científico permanente, realizado em parceria com instituições como a Universidade Federal do Paraná (UFPR), que acompanha indicadores relacionados à regeneração das áreas naturais, captura de carbono, recuperação da biodiversidade e efeitos sociais das ações desenvolvidas.
O RestorLife Awards busca identificar organizações capazes de demonstrar resultados comprovados, visão de longo prazo, envolvimento das comunidades e gestão responsável na restauração de ecossistemas. Ao anunciar os finalistas da edição de 2026, a equipe da Restor.eco destacou que, durante o processo de avaliação, houve momentos em que os jurados "esqueceram que estavam julgando um prêmio" e passaram, simplesmente, a ler histórias de pessoas que decidiram não desistir de uma floresta, de um rio, de uma espécie ou de sua comunidade.
Como parte do processo de seleção do RestorLife Awards, a SPVS também foi escolhida para integrar a plataforma internacional Ma Earth, parceira da premiação e voltada ao apoio financeiro de iniciativas de restauração da natureza. Nesta etapa, os finalistas participam de uma campanha internacional de mobilização de recursos; além de ampliar a visibilidade dos projetos selecionados, as contribuições arrecadadas podem ser complementadas por um mecanismo de financiamento de contrapartida (matching funds), oferecido pela Ma Earth. O vencedor do RestorLife Awards 2026 será conhecido durante a programação da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), a realizar-se em agosto, em Ulaanbaatar, na Mongólia. Além do reconhecimento internacional, a organização vencedora será convidada a participar da conferência e receberá o Grande Prêmio G20 Global Land Initiative.
Para Clóvis Borges, o reconhecimento internacional confirma que soluções construídas localmente podem contribuir para enfrentar questões ambientais globais. "Receber esse reconhecimento internacional é motivo de orgulho, mas também de responsabilidade. Ao longo de mais de quatro décadas, a SPVS vem demonstrando que conservar a biodiversidade significa também gerar oportunidades e construir um novo modelo de desenvolvimento para os territórios. A Produção de Natureza mostra que biodiversidade, segurança hídrica, clima, conhecimento e economia podem caminhar juntos. E estar entre as organizações finalistas do RestorLife Awards reforça que a experiência construída na Mata Atlântica brasileira pode inspirar soluções para outros lugares do mundo", conclui.
*Com informações de Claudia Guadagnin, assessora de imprensa da Grande Reserva Mata Atlântica e da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).
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