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Escrito por Neo Mondo | 22 de setembro de 2026
Norte Energia opera Belo Monte com as águas do Xingu, rio que ao pôr do sol se tinge de dourado no Pará e alimenta as 24 unidades geradoras da maior hidrelétrica 100% brasileira - Foto: Divulgação/Norte Energia
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
Com o CEO Luiz Eduardo Osorio no cargo desde abril, a concessionária leva uma executiva vinda da Vale para o planejamento, concentra regulação e comercialização de energia numa só diretoria e amplia o papel do Jurídico
A Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu (PA), anunciou nesta segunda-feira (21) mudanças na sua estrutura executiva. Ludmila Lopes Nascimento Brasil, que atuava como conselheira independente da companhia, assume a Diretoria de Planejamento e ESG. Outros dois diretores ganham novas atribuições e a área de Operação e Manutenção passa por uma transição. O CEO Luiz Eduardo Osorio conduz as mudanças como parte do processo de "turnaround" da empresa, voltado à geração de valor, à excelência operacional e à redução de riscos.
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Ludmila Brasil passa a responder por Planejamento, Sustentabilidade, Compliance e Riscos. Ela chega ao cargo com mais de 20 anos de carreira em energia e mineração. Na Vale, foi diretora de Energia e Descarbonização, responsável pela estratégia dos ativos de geração da mineradora e pelo plano de redução das emissões diretas e da energia comprada, incluindo a estratégia de hidrogênio. Nesse período, a Vale implantou um projeto solar de 768 MWp e passou a abastecer suas operações no Brasil com 100% de eletricidade renovável dois anos antes da meta. Depois, comandou no Brasil a Green Energy Park, empresa europeia de hidrogênio verde. Passou também pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico e pela Aliança Energia. Formada pela UFRJ, é conselheira certificada pelo IBGC. Integrava o conselho de administração da Norte Energia desde pelo menos 2023.
Silvia Curiá de Melo Cabral, que acumulava Regulação, Comercialização e Sustentabilidade, agora se dedica só às duas primeiras áreas. A Sustentabilidade passa para Ludmila. Silvia construiu a carreira dentro da própria Norte Energia. Foi gerente de projetos, gerente de ativos e regulação, gerente de comercialização e regulação, superintendente de planejamento dessas áreas e superintendente de Sustentabilidade antes de chegar à diretoria. Também é conselheira suplente da Abrage, a associação das geradoras de energia elétrica, e conselheira da Abiape, que reúne os investidores em autoprodução. Em 2025, a Abrage a incluiu na lista de mulheres de destaque do setor elétrico.
Júlio César de Oliveira Freitas continua à frente da Diretoria Administrativa, Financeira e de Relações com Investidores, cargo que ocupa desde maio de 2025. Ele tem mais de 27 anos em finanças nos setores de energia e telecomunicações. Foi diretor financeiro e administrativo da Jirau Energia e diretor financeiro da Companhia Energética de Brasília. Antes de voltar como diretor, já havia trabalhado na Norte Energia como gerente de Planejamento Financeiro.
Luiz Claudio Salles Cristofaro chegou em abril de 2026 como diretor Jurídico, junto com Osorio. Agora ele também comanda Comunicação e Relações Institucionais. Advogado especializado em direito empresarial, com atuação concentrada no setor de energia, dá aula de Direito Empresarial na PUC-Rio desde 1999. Foi diretor jurídico do Grupo Light entre 2006 e 2010, com atuação em geração, transmissão e distribuição. Foi sócio do escritório Motta, Fernandes Rocha Advogados e presidiu o Comitê Jurídico da Amcham Rio. Ao somar as três áreas numa só diretoria, a empresa reduz o número de frentes separadas no primeiro escalão.
Na operação, Wady Charone deixa a Diretoria de Operação e Manutenção. Enquanto a empresa seleciona o substituto, os gerentes-executivos seniores Sandro Deivis, em Operação, e Wagner Lellis, em Manutenção, respondem direto ao CEO.
Osorio assumiu a presidência da Norte Energia em 1º de abril. Advogado formado pela PUC-Rio, foi vice-presidente da Vale, da CPFL Energia e da Raízen e ocupou cargos de direção na Shell e na Ambev. Integra o conselho de administração do Grupo Energisa e é vice-presidente do conselho curador do Cebri, o Centro Brasileiro de Relações Internacionais.
A nova diretoria vai gerir um ativo de escala rara. Belo Monte tem 11.233,1 MW de capacidade instalada em 24 unidades geradoras, 18 na casa de força principal e seis em Pimental, e garantia física de 4.571 MW médios. É a quinta maior hidrelétrica do mundo e a maior de capital 100% nacional. Nos horários de pico de consumo, pode atender até 16% da demanda do país.

No primeiro semestre de 2026, a usina produziu 23,07 milhões de MWh, o equivalente a 6,56% da energia consumida no Brasil no período, segundo dados da Norte Energia com base no Anuário Estatístico de Energia Elétrica da EPE. Foi o sexto ano seguido em que Belo Monte liderou a geração hidrelétrica nacional nos primeiros seis meses. Desde a primeira turbina, em maio de 2016, a usina gerou 264,9 milhões de MWh, volume que abasteceria o país inteiro por cerca de cinco meses.
"O processo de 'turnaround' levará a Norte Energia a uma estrutura de gestão fortalecida para que a Companhia avance em um ciclo virtuoso, com foco em geração de valor, excelência operacional, disciplina financeira e redução de riscos", afirma Osorio.
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