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Escrito por Neo Mondo | 11 de maio de 2026
Morretes entre montanhas, neblina e Mata Atlântica: um território onde natureza, turismo e conservação começam a desenhar o futuro de forma integrada - Foto: Zig Koch
ARTIGO
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Por - Gilton Dias Junior*, especial para Neo Mondo
O turismo é um organismo em transformação. Já não se trata apenas de fluxo, mas de direção
Se, no passado, o desenvolvimento turístico era guiado pelo volume, mais visitantes, mais consumo, mais expansão, hoje cresce, de forma consistente, a demanda por experiências autênticas, conectadas à natureza, à cultura local e ao pertencimento dos territórios.
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Esse movimento global tem provocado uma mudança importante: os destinos passam a ser avaliados não apenas pela sua capacidade de atrair visitantes, mas também pela sua capacidade de organizar, preservar e gerar valor de forma equilibrada e sustentável.
Morretes, localizado no litoral do Paraná, vive exatamente esse momento: o de escolher e construir o modelo de destino que pretende ser.
Inserida no coração da maior área contínua de Mata Atlântica preservada do planeta, a cidade sempre carregou um patrimônio exuberante: casarios coloniais, montanhas, rios, trilhas, gastronomia, cultura e uma história profundamente conectada ao território. Mas existe uma diferença fundamental entre possuir esses atributos e conseguir organizá-los como uma proposta de valor estruturada e duradoura.
Nesse contexto, torna-se necessário avançar: compreender as transformações do turismo contemporâneo, reposicionar o território, diversificar experiências, fortalecer iniciativas locais e qualificar a presença em áreas naturais. Tudo isso ampliando o tempo de permanência dos visitantes, ao mesmo tempo em que se monitoram os impactos sobre o ambiente e sobre a comunidade.
Durante muito tempo, as áreas naturais foram tratadas apenas como paisagem, belas e imponentes, mas periféricas na dinâmica econômica. Hoje, essa lógica começa a se inverter. Ainda assim, essa transformação não acontece de forma espontânea. Ela exige intenção, coordenação e capacidade de construir convergências.
É nesse processo que a Grande Reserva Mata Atlântica ganha relevância. Ao propor uma nova leitura, a natureza como ativo capaz de gerar valor a partir da conservação, a iniciativa ajuda a dar escala, identidade e direção a esse movimento. A Grande Reserva contribui para organizar uma agenda territorial, conectando municípios, atores e estratégias em torno de uma visão comum de desenvolvimento.
A integração do território em uma rede de Portais e o fortalecimento da promoção de experiências locais, somados à execução de projetos conjuntos entre o Poder Público e a SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental), indicam uma atuação estruturada, capaz de alcançar inclusive regiões mais afastadas da Mata Atlântica no litoral do Paraná e entorno.
Em Morretes, a adoção de metodologias como o modelo de Destino Turístico Inteligente (DTI) reforça esse caminho ao trazer uma gestão orientada por dados, governança e planejamento. Isso permite acompanhar o crescimento do turismo com maior capacidade de organização, evitando pressões desordenadas e qualificando a experiência tanto para quem visita quanto para quem vive na cidade.
A construção de um turismo mais qualificado, baseado em cooperação, planejamento e identidade territorial, não é uma agenda isolada, mas uma necessidade compartilhada. A Grande Reserva Mata Atlântica, nesse contexto, consolida-se como uma plataforma de conexão, potencializando investimentos, articulando atores e ampliando a capacidade dos territórios de atrair iniciativas alinhadas à economia da natureza.
No campo prático, além do apoio na promoção de experiências locais por meio de materiais informativos e presença em importantes eventos, a Grande Reserva torna-se também uma vitrine internacional ao integrar os municípios a uma rede global de cooperação voltada ao desenvolvimento sustentável. Iniciativas como o Ekôa Park – parque de experiências ecológicas localizado em Morretes – ajudam a traduzir, na prática, esse novo momento, conectando conservação, educação e turismo de experiência.
Contudo, no longo prazo, há um elemento central que sustenta qualquer estratégia: o engajamento das pessoas. O turismo não se constrói apenas com projetos ou políticas públicas, ele se consolida quando moradores, empreendedores e instituições compreendem o valor do que está sendo construído e participam ativamente desse processo. É aí que reside a força dessa parceria: na sensibilização constante da sociedade e no fortalecimento mútuo entre território, comunidade e desenvolvimento.

Neste Dia Nacional do Turismo, celebrado em 08 de maio, mais do que reconhecer a importância de uma atividade econômica estratégica, precisamos compreender que estamos diante de um tempo de construção. Um tempo que exige movimento contínuo, cooperação, capacidade de adaptação e participação social.
E, nesse movimento, a direção importa.
*Gilton Dias Junior, Secretário Municipal de Cultura e Turismo de Morretes.
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