POR – WWF / NEO MONDO
Segundo a FAO, aproximadamente 30% da produção mundial de alimentos é perdida no processo ou vai para o lixo no final da cadeia. E com eles vão também os recursos naturais e humanos envolvidos na produção
Comer é uma condição fundamental para a manutenção de nossas vidas e a nossa necessidade por comida é uma das maiores ameaças que o nosso planeta enfrenta. A produção de alimentos, distribuição, armazenamento e resíduos ameaçam a biodiversidade de vários ecossistemas da Terra.
Mesmo assim, dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO apontam que aproximadamente 30% da produção mundial de alimentos é perdida no processo ou vai para o lixo no final da cadeia. E com eles vão também os recursos naturais e humanos envolvidos na produção.
Claro que não vamos deixar de comer, porém precisamos mitigar os impactos da produção de alimentos e mudar nossos hábitos de consumo. E para chegar nesse fim, é necessário unir esforços.
Percebendo a importância do tema e urgência em debatê-lo, o Ministério do Meio Ambiente criou a Semana Nacional de Conscientização da Perda e Desperdício de Alimentos em parceria com WWF-Brasil, ONU Meio Ambiente, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Ministério do Desenvolvimento Social.
A quarta semana de outubro foi escolhida para abrigar a Semana de Conscientização. Outubro é o mês em que se comemora o Dia Mundial da Alimentação (16). O objetivo desse evento que será realizado todos os anos é aumentar a compreensão e fortalecer a ação de todos os setores da sociedade, principalmente produtores agrícolas, indústria alimentícia, comércio e varejo, pesquisa e inovação, e os consumidores, a fim de reduzir as perdas e os desperdícios de alimentos em toda a cadeia produtiva e de consumo.
Para o ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, nós precisamos rever nossos padrões de consumo. “Essa campanha traz uma reflexão sobre até onde o planeta sustenta a vaidade humana. O consumo precisa ser consciente”, afirmou.
Maurício Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, definiu o tema como uma agenda da sociedade. “Nosso papel é de dar acesso ao conhecimento disponível, sensibilizar e estimular consumidores a tomarem decisões cada vez mais sustentáveis, porque caso contrário a Terra não suportará mais visto que quase 30% da área agricultável é usada para produzir alimentos que acabam no lixo. ”
Voivodic lembra também que a cada ano, a humanidade ultrapassa o limite de regeneração do planeta, esgotando as reservas naturais do ano antes mesmo dessas reservas acabarem. Em 2017, o dia 2 de agosto representou o “Dia da Sobrecarga da Terra”, o momento em que a demanda da humanidade sobre a natureza foi além do que o planeta pode regenerar durante um ano.
Segundo a Global Footprint Network, uma organização de pesquisa internacional que tem ajudado a mudar a forma de pensar sobre os recursos naturais, identificou que a demanda alimentar representa 28% da pegada ecológica global e o desperdício, 9%. Se cortarmos o desperdício de alimentos pela metade em todo o mundo, por exemplo, seria possível postergar o “Dia da Sobrecarga da Terra” em 11 dias.
No consumidor final, um grande poder de mudança
“Comer é quase um ato político, pois as decisões que tomamos sobre a nossa alimentação provocam impactos ambientais, sociais e econômicos nas cadeias de produção de alimentos”, diz Carolina Siqueira, analista sênior do WWF-Brasil.
Nesse contexto, os consumidores precisam estar em contato e exigir mais informações sobre os sistemas de produção, desde a aquisição de matérias-primas até o processo de fabricação e o destino final. Conhecer a composição, as implicações e condições de processamento e de transporte do produto são alguns exemplos de informações que serão cada vez mais necessárias para compreender o consumo sustentável.
Por isso, desde 2016, o WWF-Brasil desenvolve uma gama de materiais de comunicação e ações voltadas à conscientização sobre desperdício de alimentos. Um exemplo é a #SemDesperdício, uma iniciativa da organização com a FAO e a Embrapa que busca ampliar a consciência dos consumidores brasileiros sobre o desperdício de alimentos e gerar um impacto positivo nos hábitos de consumo alimentar.
“A mudança de hábitos de consumo está diretamente conectada com o acesso à informação. Portanto, emponderar os consumidores com conhecimento é uma arma poderosa para promover e puxar as cadeias produtivas para sistemas mais sustentáveis”, conclui Siqueira.
Dados globais sobre perdas e desperdícios de alimentos*:
- Usamos um terço da superfície do mundo para produzir alimentos. No entanto, se você subtrair desertos, montanhas, lagos, rios, cidades e estradas, produção de alimentos está espalhada por 58% da terra.
- A cada ano, 7,3 bilhões de pessoas consomem 1,5 vezes mais do que os recursos naturais da Terra podem fornecer.
- Cerca de 45% de todas as frutas, legumes, raízes e tubérculos são desperdiçados. Isso é o equivalente a 3,7 trilhões de maçãs e 1 bilhão de sacos de batatas.
- Se as perdas e desperdício de alimentos fosse um país, ele seria o terceiro entre os principais emissores de gases de efeito estufa, com cerca de 8% das emissões globais (atrás dos EUA e China).
- Uma área maior que o Canadá e a Índia juntos é usada para produzir alimentos que não são consumidos