Brachycephalus rotenbergae – Foto: Divulgação
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Por – Antônio Borges (CEO da Plantverd), para Neo Mondo
A descoberta recente de uma nova e pequena espécie de sapo, o Brachycephalus rotenbergae, um tipo de sapo-pingo-de-ouro enche de esperança acerca de novos dias, não só pelo fato de uma descoberta científica nesse contexto, mas muito mais pela localidade e possibilidades que encontrar uma espécie dessas na nossa Mata Atlântica abre como precedente enorme e confirma o potencial de biodiversidade e o poder de recuperação desse que é um dos maiores cinturões verdes a recobrir a costa de um país, ainda mais uma área continental como é a brasileira.
É justamente o surgimento de fauna que aponta o potencial e o sucesso de projetos de recuperação de áreas florestais, às quais estamos empenhados há anos em realizar nos diversos biomas brasileiros, em especial na região da Mata Atlântica, uma das mais ricas em diversidade animal e florestal, com 849 espécies de aves, 370 de anfíbios, 200 de répteis, 270 de mamíferos e cerca de 350 espécies de peixes presentes em um território que estende-se por cerca de 5 mil quilômetros ao longo da costa brasileira, com área total de 290 mil quilômetros quadrados.
Mas a descoberta desse pequeno anfíbio, descrita recentemente na revista científica PLOS ONE, mostra que identificar as criaturas é fundamental para guiar também a conservação da biodiversidade brasileira, especialmente em áreas ricas em espécies como a Mata Atlântica, que perdeu 93% de sua cobertura original devido ao desmatamento e à agricultura, segundo especialistas.
Dentro desse pensamento é que temos trazido para dentro da Plantverd uma proposta também inédita que pode fazer com que a recuperação das nossas florestas se dê dentro de um cenário que possa reavivar espécies quase que extintas. Trabalhos como o mapeamento de árvores nativas dessa região, aliados à uma extensa pesquisa, tendem a nos tornar cada vez mais assertivos na hora de praticar o reflorestamento, com consequente surgimento de fauna.
Em trabalho que temos desenvolvido com financiamento da CPTM, estamos mapeando as chamadas “matrizes florestais”, árvores adultas nativas da flora do bioma, com potencial de fornecimento de sementes para produção de mudas. Os pesquisadores irão catalogar 1.000 indivíduos com o objetivo de alcançar o mínimo de 80 espécies da flora. Até o momento foram demarcadas cerca de 250 matrizes, de 49 espécies.
O mapeamento está em andamento dentro do Parque Estadual da Serra do Mar no Núcleo Santa Virgínia e é estratégico para os estudiosos, pois está inserido na maior porção contínua de Mata Atlântica preservada no Brasil e é um importante remanescente florestal natural.
Além do mapeamento das matrizes, os pesquisadores estão também fazendo a coleta de sementes para produção de mudas para o plantio em áreas degradadas da região, que possui um rico conjunto de ecossistemas com uma enorme variedade de espécies vegetais que podem ser usadas para restauração ambiental em outros locais.
As matrizes mapeadas serão estratégicas para que diversos viveiristas tenham acesso à coleta de sementes e possam ampliar a riqueza genética na produção de mudas. É o que já estamos fazendo com as sementes coletadas: além dos estudos fenológicos, um viveiro parceiro já está beneficiando as sementes para produzir mudas que serão usadas no projeto de restauração florestal no Parque Estadual da Serra do Mar.
Pode ser que seja, como no caso do nosso simpático sapo, o repovoamento de espécies que há muito tempo não habitavam e ajudavam a levar a exuberância que sempre teve e que por tanto tempo estava sendo degradada na nossa Mata Atlântica.