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Do campo à COP30: como o agronegócio brasileiro quer virar o jogo na agenda climática

Escrito por Neo Mondo | 13 de agosto de 2025

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Do campo para o mundo: o agronegócio brasileiro chega à COP30 com um posicionamento que pode mudar a narrativa global - Foto: Divulgação

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

Com propostas ousadas e respaldo técnico, setor aposta em inovação, mercado de carbono e financiamento verde para se firmar como protagonista da transição agroambiental global

O sol nasce sobre uma plantação no coração do Brasil. Entre fileiras de soja e milho, drones cortam o ar enquanto sensores no solo captam dados sobre umidade e fertilidade. Ao lado, pequenos produtores conversam sobre créditos de carbono, irrigação de precisão e novas linhas de financiamento verde.

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Essa cena, que há poucos anos parecia ficção, hoje é o retrato de uma transformação em curso. O agronegócio brasileiro quer chegar à COP30, em Belém, com uma mensagem clara: o setor está pronto para liderar a agenda climática.

Foi nesse espírito que, durante o 24º Congresso Brasileiro do Agronegócio, a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a B3, entregou às autoridades o documento “Agronegócio frente às Mudanças Climáticas” — resultado de meses de debates e da participação de mais de 80 organizações.

De vilão a protagonista: a mudança de narrativa

Por décadas, o agro brasileiro foi retratado como antagonista da pauta ambiental. Agora, quer se posicionar como parte essencial da solução.

O documento propõe:

  • Adoção massiva de tecnologias de baixo carbono
  • Expansão de sistemas lavoura-pecuária-floresta
  • Práticas regenerativas para recuperar solos e proteger mananciais
  • Fortalecimento da resiliência produtiva frente a eventos climáticos extremos

“Não se trata apenas de produzir mais, mas de produzir melhor, garantindo que cada hectare plantado também gere benefícios ambientais”, reforça o texto.

Financiamento verde: sem crédito, não há transição

Entre as propostas mais urgentes está o destravamento de recursos financeiros para projetos sustentáveis. A estratégia inclui criar linhas de crédito com juros reduzidos, garantias compatíveis com a realidade rural e incentivo especial para pequenos e médios produtores.

A meta é clara: democratizar o acesso à inovação para que a sustentabilidade não seja privilégio de poucos.

Mercado de carbono: a nova fronteira do agro

O documento vê o mercado de créditos de carbono como um eixo estratégico. Ao quantificar e certificar reduções de emissões, o agro brasileiro pode não só gerar receita extra, mas também atrair investimentos internacionais.

O setor propõe a criação de regras transparentes, certificações robustas e alinhamento com padrões internacionais — garantindo que os créditos tenham valor nos mercados mais exigentes.

imagem mostra uma folha escrito co2 em cima de uma floresta, remete a matéria Do campo à COP30: como o agronegócio brasileiro quer virar o jogo na agenda climática
Foto: Ilustrativa/Freepik

Um pacto costurado a muitas mãos

A construção do posicionamento contou com a experiência de especialistas como:

  • Carlos Cerri – CCarbon/USP
  • Eduardo Bastos – IEAG
  • Marcelo Morandi – Embrapa
  • Natascha Trennepohl – Carbonn Nature
  • Renato Rodrigues – TerraDot
  • Rodrigo Lima – Agroicone

A diversidade de olhares técnicos e institucionais confere ao documento solidez, legitimidade e maior potencial de implementação.

Belém: vitrine e teste de fogo

A COP30 será o momento de colocar em prática tudo o que o papel promete. O Brasil estará sob os holofotes do mundo e terá a oportunidade de provar que é possível ser potência agroalimentar e guardião da biodiversidade ao mesmo tempo.

O desafio agora é transformar essas diretrizes em ações concretas, políticas públicas consistentes e inclusão de produtores de todas as regiões e portes. Se o agro brasileiro tiver coragem e visão estratégica, poderá inspirar uma nova era global, onde alimentar o planeta e proteger o clima caminham lado a lado.

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