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Escrito por Neo Mondo | 2 de junho de 2020
Os fatores decisivos para transformar os sistemas alimentaresConstrução de confiançaProduzir alimentos envolve amplas e complexas cadeias de produção e atores com diferentes interesses. Empresas privadas procuram boas oportunidades de negócios, governos buscam bem-estar da população e desenvolvimento, cidadãos direcionam a produção por meio de mudanças de comportamento de consumo, além de muitos outros participantes que influenciam o sistema. Gerenciar expectativas de diferentes atores será essencial para que o processo inovativo ganhe legitimidade e confiança, acreditam os autores do artigo. Os cientistas acreditam que a transformação no sistema requer busca por consenso e ampla colaboração de base. Para isso, eles recomendam diálogo e transparência entre os atores durante todo o processo. Governos, por exemplo, devem explicar aos seus cidadãos como e por que estão implantando as inovações.Transformação de mentalidadesPessoas possuem relações biológicas, psicológicas e culturais com os alimentos. Portanto, para se tornar efetiva, qualquer tecnologia tem que levar em conta esses aspectos, sob o risco de ser socialmente rejeitada. “São fatores que vão muito além das questões sobre sanidade e preço”, afirma o artigo. As mudanças de mentalidade são necessárias, especialmente, em relação a tecnologias cujas características são desconhecidas da maioria da população, é o caso, por exemplo, da edição genética.Adesão social e diálogo com os atoresO aumento da conscientização pública das questões alimentares é capaz de gerar pressão de consumidores, trabalhadores, investidores e dos próprios governos para orientar a inovação para diferentes direções. Sem o engajamento desses diferentes atores em prol de uma inovação responsável, tecnologias de grande potencial podem simplesmente não ser adotadas, alertam os autores do trabalho. A adesão a uma tecnologia envolve saber como utilizá-la efetivamente. Com isso, soluções sofisticadas que exigem maior grau de domínio podem ser um desafio maior para trabalhadores com menor nível educacional, como aqueles de países mais pobres.Garantias de políticas e de regulamentações para as mudançasInvestir em tecnologias de baixa emissão de carbono só será atraente se o setor privado perceber que emissões e preços atraentes estarão estáveis ao longo do tempo. Se as políticas para o setor não se mostrar estável e confiável, dificilmente as tecnologias envolvidas encontrarão investidores e usuários no mercado. Com essa preocupação, os cientistas recomendam que as políticas ajudem a direcionar as expectativas incentivando o desenvolvimento, de maneira consistente, por meio de seus mecanismos como subsídios ou investimentos diretos.Criação de incentivos de mercadoO artigo ressalta que em mercados competitivos como o de alimentos e energia, as empresas, com frequência, investem menos em pesquisa e desenvolvimento do que seria o nível ideal. Isso ocorre porque, de maneira geral, elas acabam não sendo as únicas beneficiárias das soluções desenvolvidas partilhando os benefícios com a concorrência. De acordo com os cientistas, cabe ao governo corrigir essas distorções elaborando incentivos adequados para o mercado investir em inovações. Há diferentes meios para isso como incentivos fiscais, compras públicas direcionadas a inovações e compensação por efeitos negativos inesperados, as chamadas externalidades, entre muitas outras opções. Para os autores, as incubadoras e as aceleradoras de empresas de inovação exercem um papel-chave na entrega de novas soluções para o mercado. Drones, algas alimentícias, alimentos vegetais que simulam o sabor da carne são alguns exemplos que se desenvolveram em empreendimentos nesses ambientes.Proteção contra efeitos indiretos indesejadosAs políticas setoriais e estruturas de investimento estão sujeitas a provocar consequências não intencionais que são difíceis de prever. Como solução, os cientistas recomendam o estabelecimento de um amplo diálogo público capaz de mostrar a complexidade envolvida e os efeitos prováveis na adoção e na não adoção de uma determinada solução tecnológica.Estabilidade de financiamentoO mote “falhe rápido e recomece”, usado na administração inovativa, não se aplica ao agro, submetido a produções sazonais e regulações complexas. Testes a campo que demandam mais tempo são necessários e os ciclos de adoção da solução são mais demorados, tornando fundamental a oferta estável de financiamentos de longo prazo para esse tipo de inovação.Desenvolvimento de vias de transformaçãoMuitas análises sobre o futuro dos alimentos antecipam impactos de cenários possíveis e os efeitos de diferentes estratégias de ação. Porém, esses trabalhos raramente mostram como implementar as mudanças desejadas. O modo de se fazer isso, chamado de transition pathway (caminho de transição), é crucial, segundo os pesquisadores, para a realização de transformações. Esse caminho deve envolver o necessário entendimento das tecnologias e seus impactos, objetivos científicos, custos de transição, identificação de beneficiários e prejudicados, estratégias para mitigar efeitos adversos, diferentes passos de adoção pelos diferentes atores e a inovação sistêmica necessária para se alcançar a inovação esperada. O sucesso de todas essas ações resultará em melhores resultados em saúde, geração de riqueza e proteção do meio ambiente; “o fracasso resultará em muito mais do que a falta de alimentos”, conclui o estudo. |
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