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Nanoformulação de última geração desenvolvida por cientistas brasileiros amplia eficiência no controle de pragas e reduz impacto ambiental

Escrito por Neo Mondo | 17 de junho de 2026

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Nanoformulação transforma a forma de combater pragas no campo, aumentando a eficiência dos inseticidas, reduzindo desperdícios e aproximando a agricultura de um modelo mais preciso, produtivo e sustentável - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Neo Mondo

POR - REDAÇÃO NEO MONDO

Tecnologia desenvolvida por cientistas do INCT NanoAgro utiliza liberação controlada de lufenuron para combater insetos com menor uso de insumos e maior precisão no campo

A presença de insetos-praga segue como um dos principais desafios da agricultura brasileira, com impactos diretos sobre a produtividade e os custos de produção. Estimativas amplamente citadas por organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), indicam que até 40% da produção agrícola global é perdida anualmente devido a pragas e doenças. No Brasil, culturas estratégicas como soja, milho e algodão convivem com perdas significativas causadas por insetos, como lagartas, percevejos e moscas-brancas, exigindo investimentos constantes para seu controle.

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Além das perdas produtivas, outro problema crítico está na eficiência das aplicações. Estudos científicos apontam que uma parcela relevante dos pesticidas pulverizados não atinge o alvo biológico desejado, podendo se dispersar no ambiente, afetando organismos não-alvo e aumentando riscos de contaminação do solo e da água. Esse cenário pressiona o setor por soluções mais precisas, sustentáveis e alinhadas às demandas de uma agricultura de baixo impacto ambiental.

É nesse contexto que pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro) — rede brasileira dedicada ao desenvolvimento de nanotecnologias sustentáveis aplicadas ao agro — vêm avançando em alternativas inovadoras. Em um estudo recente, os cientistas Marcos Lenz, Matheus Mota Lanzarin, Leonardo Marques de Almeida Mariano, Manoel Peres Zinelli, João Luiz de Oliveira, Leonardo Fernandes Fraceto e Adriano Arrué Melo desenvolveram uma nanoformulação capaz de aprimorar o desempenho de inseticidas já utilizados no campo, reduzindo seu impacto ambiental.

A pesquisa teve como foco o lufenuron, um regulador de crescimento de insetos amplamente empregado no controle de pragas. Para aumentar sua eficiência, o composto foi encapsulado em nanopartículas de policaprolactona (PCL), um polímero biodegradável. O resultado foi uma formulação com alta eficiência de encapsulação (superior a 99%), estabilidade comprovada por até 90 dias e liberação controlada do ingrediente ativo.

Os testes laboratoriais mostraram que a nova formulação libera o inseticida de forma até oito vezes mais lenta do que a versão convencional, o que prolonga seu efeito e reduz a necessidade de reaplicações. Na prática, isso significa menos produto sendo utilizado ao longo do ciclo da cultura.

A eficácia também foi validada em experimentos biológicos com a lagarta Rachiplusia nu, uma praga relevante em diversas culturas agrícolas. Em concentrações mais altas, tanto a nanoformulação quanto o produto comercial atingiram mortalidade próxima de 100%. No entanto, o diferencial apareceu nas doses reduzidas: a versão nanoencapsulada manteve níveis elevados de controle, demonstrando desempenho equivalente — ou até superior — ao inseticida tradicional.

Ensaios em condições de semi-campo reforçaram os resultados. Ambos os tratamentos alcançaram controle superior a 76% na dose cheia, mas a nanoformulação se destacou por manter a eficácia mesmo em menores concentrações, indicando potencial para redução significativa na quantidade de insumo aplicado.

Segundo os pesquisadores, o uso de nanocarreadores como a PCL permite não apenas melhorar a estabilidade dos pesticidas, mas também controlar sua liberação de forma mais precisa, alinhando-se aos princípios da agricultura de precisão. Além disso, a tecnologia pode contribuir para o manejo da resistência de pragas, um problema crescente em sistemas agrícolas intensivos.

As conclusões do estudo apontam que as nanopartículas à base de PCL encapsularam o lufenuron de forma eficiente, garantindo estabilidade e liberação controlada. A nanoformulação apresentou controle igual ou superior ao produto comercial, especialmente em doses reduzidas, evidenciando seu potencial como ferramenta para uma agricultura mais sustentável.

Ao reduzir perdas, otimizar aplicações e minimizar impactos ambientais, soluções como essa reforçam o papel da ciência brasileira na construção de um modelo agrícola mais eficiente e responsável, um caminho cada vez mais necessário diante da crescente demanda global por alimentos.

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