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Escrito por Neo Mondo | 5 de setembro de 2025
A Amazônia não é um lugar, é uma urgência - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
No Dia da Amazônia, um chamado urgente à consciência ecológica e à construção de futuros possíveis
“A floresta não é um lugar. A floresta é uma ideia que respira.”
— Eliane Brum, jornalista e escritora
Há datas que celebram, e há datas que alertam. O Dia da Amazônia, celebrado todo 5 de setembro, pertence ao segundo grupo. Neste exato momento, enquanto você lê esta reportagem, milhares de hectares podem estar sendo desmatados, queimados ou vendidos ao silêncio cúmplice da ilegalidade. Mas também — e é preciso dizer — sementes estão sendo plantadas, territórios estão sendo retomados, saberes estão sendo preservados.
A Amazônia é tudo isso: crise e resistência, devastação e beleza, fim e começo. Ela é o reflexo do que somos como humanidade: uma espécie capaz de criar civilizações, mas também de devastar florestas que nos antecedem em milênios. E é por isso que falar da Amazônia é sempre um exercício de autoconhecimento coletivo.
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Instituído em 2007, o Dia da Amazônia marca a criação da então Província do Amazonas, em 1850. Mas o que realmente se celebra nesse dia não é um ato jurídico — é a própria existência da floresta amazônica, um bioma que se estende por nove países sul-americanos e cobre mais de 60% do território brasileiro.
“O Brasil precisa entender que a Amazônia não é periferia: é centro. Não é atraso: é o futuro.”
— Carlos Nobre, climatologista e membro da Academia Brasileira de Ciências

A Amazônia Legal brasileira ocupa cerca de 5,5 milhões de km² — é maior que a União Europeia — e abriga a maior biodiversidade do planeta.
Mas a floresta está sob pressão:
“Estamos a poucos pontos percentuais de atingir o ‘ponto de não retorno’, quando a floresta entra em colapso irreversível e se transforma em savana.”
— Thomas Lovejoy, ecólogo norte-americano, in memoriam
A Amazônia não é só natureza: é também cultura, espiritualidade, território. Mais de 170 povos indígenas vivem na região, mantendo línguas, rituais, sistemas agroflorestais e cosmologias que há séculos resistem à colonização.
“A floresta somos nós. Quando ela adoece, nós também adoecemos.”
— Txai Suruí, ativista indígena e defensora dos direitos originários
A demarcação de terras indígenas é hoje uma das estratégias mais eficazes de proteção ambiental, segundo dados da FAO e do IPCC. Onde há território demarcado, há floresta em pé. Mas a disputa por essas terras é cruel: grilagem, garimpo, invasões e projetos de infraestrutura ainda seguem avançando.
Por décadas, a Amazônia foi vista como "vazia" ou "atrasada". Isso alimentou um modelo de desenvolvimento extrativista, baseado em:
Hoje, o mundo já reconhece que a floresta em pé vale mais do que devastada. A chamada bioeconomia amazônica, com cadeias produtivas baseadas na sociobiodiversidade — como o açaí, o cumaru, o babaçu e o cacau nativo — movimenta milhões com baixo impacto ambiental e alto valor agregado.
“Proteger a Amazônia é também uma decisão econômica. O custo da destruição é maior que o custo da conservação.”
— Bráulio Dias, ex-secretário da Convenção da Biodiversidade da ONU
A floresta é uma aliada poderosa contra o aquecimento global. Mas, se ultrapassarmos o limite de 25% de desmatamento, ela deixará de ser sumidouro de carbono e se tornará fonte de emissões, agravando ainda mais o cenário climático.
Sem Amazônia:
Imagine a Amazônia como a mais sofisticada tecnologia de resfriamento do planeta, capaz de gerar nuvens, armazenar carbono, filtrar água, regular o clima e produzir alimentos.
“A floresta é uma inovação ancestral. O desafio é deixar de destruí-la para começar a aprender com ela.”
— Ailton Krenak, líder indígena e escritor
O que faremos da Amazônia, faremos de nós. O Dia da Amazônia não é uma efeméride qualquer. É uma sirene tocando no meio da floresta, perguntando se ainda há tempo de voltar.
Se queremos um planeta habitável, um Brasil justo, uma economia regenerativa e um futuro possível — precisamos tirar a Amazônia do rodapé do noticiário e colocá-la no centro das decisões. Não há planeta B. Não há segunda chance. Há, sim, uma floresta que resiste. E ainda respira por nós.
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