Amazônia COPs Destaques Economia e Negócios Emergência Climática Meio Ambiente Oceano Saúde Segurança Sustentabilidade Tecnologia e Inovação

COP30 — Dia 7: O Brasil lança a Estratégia Nacional do “Oceano Sem Plástico” e reforça que contar histórias é também uma ação climática

Escrito por Neo Mondo | 17 de novembro de 2025

Compartilhe:

Foto: Ilustrativa/Freepik

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

foto do logo da cop30

No sétimo dia da conferência, Alexander Turra relata avanços no combate ao lixo no mar e uma jornada emocionante sobre ciência, cinema, narrativa e os impactos das mudanças climáticas nos polos

Hoje o dia foi de voltar às origens — literalmente. Depois de alguns boletins gravados em outros pontos da COP, Alexander Turra reapareceu diante do já familiar Pavilhão do Oceano, apoiado pela FAPESP, para narrar um momento histórico: o lançamento da Estratégia Nacional do Oceano – Oceano Sem Plástico, um passo decisivo do Brasil no enfrentamento da poluição marinha.

Turra começou direto:

“Hoje nós tivemos uma temática urgente e preocupante: o lixo no mar.”

Leia e assista também: COP30 — Dia 6: Inovação azul, negócios de impacto e o futuro dos portos em um mundo de mares em transformação

Leia e assista também: COP30 — Dia 5: Quando a comunicação, a ciência e a diplomacia falam a mesma língua — a língua do Oceano

E essa urgência tem números: mais de 11 milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam aos oceanos todos os anos, uma conta que recai sobre ecossistemas costeiros, fauna marinha, economia do turismo, pesca, saúde pública e, claro, clima.

Brasil lança a Estratégia Nacional do Oceano – Cano Sem Plástico

A iniciativa — fruto do Ministério do Meio Ambiente, da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano e de outros ministérios — foi oficializada em 1º de outubro de 2025 por decreto presidencial, e agora chega à COP30 como plataforma diplomática e modelo a ser compartilhado com o mundo.

Segundo Turra, a estratégia estabelece:

🔹 eixos de ação integrados entre governo, setor privado e sociedade;
🔹 instrumentos de políticas públicas para prevenção, mitigação e educação;
🔹 fortalecimento de cadeias de circularidade e logística reversa;
🔹 foco especial em resíduos de pesca, plásticos de uso único e sistemas de saneamento;
🔹 governança oceânica para tomada de decisões baseada em ciência.

Em suas palavras:

“A ideia é criar uma ação conjunta para combater o lixo no mar de forma coordenada e com impacto real.”

Itália, COP30 e o alerta polar: quando o degelo conta a história do clima

Mais tarde, Turra participou de um evento marcante no Pavilhão Flutuante da Itália, instalado na parte histórica de Belém. Ali, duas conversas poderosas se entrelaçaram:

1) Mudanças do clima e os ambientes polares

Presenças-chave:

  • Carlos Nobre, referência mundial e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP
  • Tamara Klink, navegadora e escritora, contando sua passagem pela Rota do Noroeste — hoje navegável em parte do ano devido à falta de gelo

Turra resumiu com seriedade:

“Aquele canal não deveria estar sem gelo.”

Cada grau a mais no planeta abre rotas que nunca deveriam existir.

2) Contar histórias que movam o mundo

Porque ciência sem narrativa não transforma, apenas informa.

Participaram:

Rodrigo Cebian, David Schurmann e Ricardo Gomes (cineastas e produtores)
Ademilson Zamboni (Oceana Brasil)
Tamara Klink — novamente trazendo emoção e memória do mar vivo

Foi um painel sobre traduzir conhecimento para comover, inspirar e pressionar.
Turra destacou:

“É sobre gerar empolgação, sensibilização e emoção para que a sociedade mude.”

A COP do Oceano entra na reta final

Entre um painel e outro, Turra lembrou que falta pouco mais de uma semana para fechar acordos, destravar compromissos e consolidar o que ele tem chamado desde o início de:

A COP do Oceano.

E encerrou com uma convicção que virou assinatura dos boletins:

“É na COP do Oceano que a gente vai fazer do Oceano o nosso grande aliado na mudança da realidade.”

Série especial “Boletins da COP30 | Horizontes Azuis”

A cada novo dia da COP30, o portal Neo Mondo publica um boletim em vídeo direto da Blue Zone, apresentado por Alexander Turra — professor da USP, coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano com a parceria estratégica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Os vídeos são incorporados às matérias escritas por Oscar Lopes, publisher do portal, conectando o olhar da ciência e da comunicação no maior evento climático do planeta.

foto de alexander turra, “COP30 deve pactuar sequestro de carbono em florestas e no oceano”, afirma Alexander Turra
Alexander Turra - Foto: Divulgação

Biólogo, educador, pesquisador e comunicador. Professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, dedica-se a promover a aproximação entre o oceano e a sociedade.

logo da cátedra do oceano, na cop30

Compartilhe:


Artigos anteriores:

O Brasil quer liderar a bioeconomia global. Mas ainda não sabe o que ela é

O Brasil aprovou a sua própria bomba-relógio ambiental

Terras raras: entre Washington, Pequim e Brasília, quem controla o futuro


Artigos relacionados