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Escrito por Neo Mondo | 17 de novembro de 2025
Foto: Ilustrativa/Freepik
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

No sétimo dia da conferência, Alexander Turra relata avanços no combate ao lixo no mar e uma jornada emocionante sobre ciência, cinema, narrativa e os impactos das mudanças climáticas nos polos
Hoje o dia foi de voltar às origens — literalmente. Depois de alguns boletins gravados em outros pontos da COP, Alexander Turra reapareceu diante do já familiar Pavilhão do Oceano, apoiado pela FAPESP, para narrar um momento histórico: o lançamento da Estratégia Nacional do Oceano – Oceano Sem Plástico, um passo decisivo do Brasil no enfrentamento da poluição marinha.
Turra começou direto:
“Hoje nós tivemos uma temática urgente e preocupante: o lixo no mar.”
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E essa urgência tem números: mais de 11 milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam aos oceanos todos os anos, uma conta que recai sobre ecossistemas costeiros, fauna marinha, economia do turismo, pesca, saúde pública e, claro, clima.
A iniciativa — fruto do Ministério do Meio Ambiente, da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano e de outros ministérios — foi oficializada em 1º de outubro de 2025 por decreto presidencial, e agora chega à COP30 como plataforma diplomática e modelo a ser compartilhado com o mundo.
Segundo Turra, a estratégia estabelece:
🔹 eixos de ação integrados entre governo, setor privado e sociedade;
🔹 instrumentos de políticas públicas para prevenção, mitigação e educação;
🔹 fortalecimento de cadeias de circularidade e logística reversa;
🔹 foco especial em resíduos de pesca, plásticos de uso único e sistemas de saneamento;
🔹 governança oceânica para tomada de decisões baseada em ciência.
Em suas palavras:
“A ideia é criar uma ação conjunta para combater o lixo no mar de forma coordenada e com impacto real.”
Mais tarde, Turra participou de um evento marcante no Pavilhão Flutuante da Itália, instalado na parte histórica de Belém. Ali, duas conversas poderosas se entrelaçaram:
Presenças-chave:
Turra resumiu com seriedade:
“Aquele canal não deveria estar sem gelo.”
Cada grau a mais no planeta abre rotas que nunca deveriam existir.
Porque ciência sem narrativa não transforma, apenas informa.
Participaram:
Rodrigo Cebian, David Schurmann e Ricardo Gomes (cineastas e produtores)
Ademilson Zamboni (Oceana Brasil)
Tamara Klink — novamente trazendo emoção e memória do mar vivo
Foi um painel sobre traduzir conhecimento para comover, inspirar e pressionar.
Turra destacou:
“É sobre gerar empolgação, sensibilização e emoção para que a sociedade mude.”
Entre um painel e outro, Turra lembrou que falta pouco mais de uma semana para fechar acordos, destravar compromissos e consolidar o que ele tem chamado desde o início de:
A COP do Oceano.
E encerrou com uma convicção que virou assinatura dos boletins:
“É na COP do Oceano que a gente vai fazer do Oceano o nosso grande aliado na mudança da realidade.”
Série especial “Boletins da COP30 | Horizontes Azuis”
A cada novo dia da COP30, o portal Neo Mondo publica um boletim em vídeo direto da Blue Zone, apresentado por Alexander Turra — professor da USP, coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano com a parceria estratégica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Os vídeos são incorporados às matérias escritas por Oscar Lopes, publisher do portal, conectando o olhar da ciência e da comunicação no maior evento climático do planeta.

Biólogo, educador, pesquisador e comunicador. Professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, dedica-se a promover a aproximação entre o oceano e a sociedade.

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