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COP30 sob pressão: guerras, tarifas e eleições ameaçam ambição climática global

Escrito por Neo Mondo | 21 de julho de 2025

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Embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30 - Foto: © José Cruz/Agência Brasil

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

Presidente da conferência, André Corrêa do Lago, adverte que protecionismo comercial, instabilidade geopolítica e retrocessos políticos podem travar as negociações em Belém

Às vésperas da COP30, que será realizada em novembro em Belém (PA), o cenário internacional parece mais instável do que nunca. André Corrêa do Lago, diplomata de carreira e presidente da conferência climática da ONU, faz um alerta contundente: as tratativas globais pelo clima estão sendo emparedadas por um tripé de pressões crescentes — tarifas protecionistas, conflitos armados e o avanço da extrema-direita.

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“Estamos vivendo um negacionismo econômico: a ideia de que não vale o investimento para combater as mudanças climáticas”, resume Corrêa do Lago.

Segundo ele, o discurso protecionista — revigorado por narrativas eleitorais populistas — tem colocado a transição energética como bode expiatório para justificar os altos custos da produção industrial. Medidas tarifárias como as prometidas por Donald Trump, nos Estados Unidos, resgatam um nacionalismo econômico que mina a confiança internacional e enfraquece o senso de urgência diante da crise climática.

Ao comentar as críticas do ex-presidente norte-americano sobre o etanol brasileiro e o desmatamento, Corrêa do Lago foi direto:

“O presidente Trump precisa receber informações mais corretas sobre o Brasil”, afirmou, alinhando-se à resposta firme do presidente Lula.

Financiamento climático: o velho impasse renovado

Se há um nó estrutural que insiste em reaparecer a cada cúpula climática, ele se chama financiamento climático. A promessa de apoio financeiro dos países ricos às nações em desenvolvimento — elemento crucial para a justiça climática — segue emperrada.

Na pré-COP de Bonn, em junho, um grupo expressivo de países paralisou as negociações em protesto à nova meta aprovada na COP29 em Baku: US$ 300 bilhões, valor considerado insuficiente e simbólico demais frente à magnitude da emergência climática. Corrêa do Lago admite:

“Existe sempre essa possibilidade de travamento das negociações”.

O temor é que esse impasse se repita em Belém. Sem clareza e ambição no financiamento, os compromissos de mitigação e adaptação perdem credibilidade — e o pacto climático global se enfraquece.

A ausência dos EUA: silêncio estratégico ou sinal de abandono?

Outro fator de inquietação é a ausência dos Estados Unidos nas tratativas recentes. Maior emissor histórico e segundo maior emissor atual, o país não enviou delegação para Bonn e já anunciou sua saída do Acordo de Paris a partir de 2026, caso Donald Trump reassuma o poder.

Embora 37 estados norte-americanos permaneçam comprometidos com o Acordo de Paris, representando cerca de 70% do PIB nacional, Corrêa do Lago alerta que tais compromissos são simbólicos — esses estados não têm legitimidade para negociar tratados internacionais.

“A ausência de um ator tão central como os Estados Unidos jamais poderá ser considerada benéfica para a negociação climática”, afirma.

Alguns negociadores enxergam essa ausência como oportunidade para destravar antigas disputas, mas Corrêa do Lago prefere cautela: uma arquitetura multilateral sólida depende da presença — e não da omissão — das grandes potências.

Belém: ponto de virada ou novo impasse?

Diante desse cenário tenso, Belém pode se tornar palco de uma das conferências mais desafiadoras da história recente. O contexto global exige não apenas diplomacia habilidosa, mas coragem política, clareza de propósito e compromisso genuíno com as futuras gerações.

foto de um menino e uma menina em meio a floresta, remete a matéria COP30 sob pressão: guerras, tarifas e eleições ameaçam ambição climática global
O mundo vive um negacionismo econômico: a ideia de que não vale o investimento para combater as mudanças climáticas - Foto: Ilustrativa/Freepik

Corrêa do Lago sabe que o momento é delicado. Mas também reconhece que a COP30 é uma chance histórica de recolocar a justiça climática no centro da agenda internacional.

A floresta amazônica será, em novembro, o cenário simbólico dessa encruzilhada planetária. Caberá aos líderes reunidos no coração verde do mundo decidir: avançar coletivamente rumo à sobrevivência climática — ou estagnar sob o peso de seus próprios interesses imediatos.

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