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Escrito por Neo Mondo | 5 de julho de 2019

Ainda ontem, o ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, em entrevista, seguiu a mesma linha e considerou insignificantes os 8.000 km² de Amazônia destruída no último ano – tamanho que representa 5,2 vezes a cidade de São Paulo. Para o ministro, as mais de 1 bilhão de árvores derrubadas nesse período e a violência que o desmatamento causa aos povos da floresta não é importante. “Seu discurso só encontra semelhança ao de grileiros de terras, madeireiros ilegais e às máfias do desmatamento. Quem destrói a floresta tem hoje um aliado no comando do Ministério do Meio Ambiente”, finaliza.
Já na manhã desta quinta-feira foi a vez do próprio presidente atacar o meio ambiente. Em um café da manhã no Palácio do Planalto, Bolsonaro criticou a existência de áreas protegidas no país, afirmando que elas atrapalham o Brasil e ainda sugeriu que muitas seriam fruto de uma suposta “intromissão de estrangeiros”. Há alguns dias, o governo havia anunciado um plano para reduzir 67 unidades de conservação no país.
Os sinais de que o Brasil pode sofrer sanções já começaram. O governo da Alemanha comunicou ontem a retenção de uma nova doação de 35 milhões de euros, o equivalente a mais de R$ 151 milhões, para o Fundo Amazônia. A decisão é devido às incertezas do futuro do programa. Em comunicado, o governo da Noruega, maior doador, afirmou estar preocupado com o futuro do Fundo e o aumento do desmatamento da Amazônia. Em reunião com Salles, realizada ontem, os embaixadores dos países admitiram a hipótese de extinção do fundo bilionário. “A intenção de Salles parece ser esta mesma: extinguir o Fundo Amazônia, porque iniciativas de conservação da floresta não são bem vistas por um governo que tem uma agenda clara de destruição. Seria um prejuízo enorme para o país, não apenas financeiro, mas também de imagem”, avalia Astrini.
O Greenpeace não recebe recursos do Fundo Amazônia por não aceitar dinheiro de governos, de empresas ou de partidos políticos. Mas defende a manutenção da iniciativa por ser, comprovadamente, bem sucedida no combate ao desmatamento da Amazônia. Boa parte dos recursos, inclusive, é destinada a ajudar estados e municípios na implementação do Código Florestal.
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