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Escrito por Neo Mondo | 26 de junho de 2025
Peixe-boi-da-amazônia é o menor representante dos peixes-boi — Foto: Anselmo Affonseca/Arquivo Pessoal
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Com investimentos que ultrapassam R$ 269 milhões, a Eletrobras transforma ciência em renascimento e reafirma seu papel na proteção da vida nos biomas brasileiros
Na imensidão verde da Amazônia, onde a névoa da manhã encontra o silêncio das águas, quatro novas vidas deslizam suavemente — filhotes de peixe-boi-da-Amazônia, nascidos em um santuário de resistência, cuidado e esperança. O nascimento dessas criaturas dóceis e ancestrais, após cinco anos de espera, simboliza mais que um avanço biológico: representa um reencontro entre a humanidade e seu dever com a Terra.
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Localizado nas imediações da Usina Hidrelétrica de Balbina, no município de Presidente Figueiredo (AM), o Centro de Preservação e Pesquisa de Mamíferos e Quelônios Aquáticos (CPPMQA) é mantido pela Eletrobras desde 1985. Ali, entre rios e florestas, pulsa um dos mais significativos esforços de conservação da fauna amazônica — uma ação silenciosa que se opõe, com perseverança e técnica, à lógica da destruição.
Em 2024, esse compromisso ganhou novas formas e dimensões. Com um investimento de R$ 269 milhões, a Eletrobras intensificou seus programas ambientais, impactando diretamente 92 espécies ameaçadas de extinção. No CPPMQA, além dos nascimentos celebrados, três fêmeas de peixe-boi estão prenhas e sob monitoramento. Hoje, 46 desses gigantes gentis vivem no centro, acompanhados por uma equipe técnica dedicada à reabilitação e reintegração à natureza. Em uma iniciativa inédita, cinco peixes-bois foram soltos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, em parceria com a Associação Amigos do Peixe-boi (AMPA).
“Esse trabalho garante não apenas a sobrevivência da espécie, mas o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos amazônicos. Os peixes-bois alimentam-se de plantas aquáticas, controlam a vegetação e contribuem para a qualidade da água”, explica Katriana de Freitas Ossami, gerente de Gestão de Condicionantes da Eletrobras na Região Norte.
A vice-presidente de Governança e Sustentabilidade da companhia, Camila Gualda, resume o impacto com emoção:
“Já nasceram quatro filhotes neste ano — e outros três estão a caminho. Isso é reflexo de uma política ambiental sólida e de um compromisso contínuo com a biodiversidade.”
Tartarugas, tracajás e educação ambiental
Desde 1998, a Eletrobras mantém o Projeto Quelônios de Balbina, outro braço do CPPMQA. Só em 2025, 3.800 filhotes de tartaruga-da-Amazônia e tracajás nasceram nas praias artificiais do centro e foram devolvidos à natureza. Quando somadas a outras ações, quase 8 mil filhotes foram soltos neste ano — um ciclo de retorno à floresta que também envolve parcerias com comunidades ribeirinhas e universidades, como a UFAM.
Mais do que soltura de animais, o projeto atua na base: a educação. Crianças e jovens da região participam de atividades ambientais que instigam o senso de pertencimento, respeito e responsabilidade. Nasce, junto aos filhotes, uma nova consciência.
Além da Amazônia: biomas, felinos e florestas
A atuação da Eletrobras vai além da Amazônia. A companhia conduz projetos em onze estados brasileiros, nos biomas mais diversos — da Caatinga ao Cerrado, da Mata Atlântica ao Pantanal. A lista de espécies protegidas é vasta e inclui o lobo-guará, a onça-parda, a jaguatirica, o gato-mourisco, a anta e o veado-mateiro.

Entre as aves, destacam-se o mutum-de-penacho, o aracuã-guarda-faca e o ameaçado pato-mergulhão, espécie-símbolo das águas brasileiras. No Projeto Mergus para Sempre, campanhas de conscientização chegaram a 20 municípios de Goiás, promovendo uma relação mais respeitosa entre comunidades e espécies.
Na mesma região, a Eletrobras monitora lobos-guará com chips e rastreadores via GPS e coordena ações no Programa Áreas Protegidas, na Usina Hidrelétrica de Tucuruí (PA), onde já foram identificadas 16 espécies ameaçadas e realizadas 1.200 missões ambientais.
No Projeto de Conservação de Pequenos Felinos, entre Goiás e Minas Gerais, 15 jaguatiricas e nove gatos-mourisco foram rastreados, revelando dados inéditos sobre a ecologia dessas espécies discretas e essenciais.
Plantar o futuro: do germoplasma à floresta em pé
A Eletrobras também preserva o invisível — o que está sob a terra, na semente. O Programa Germoplasma Florestal, na Usina de Tucuruí, coleta e guarda material genético de árvores nativas da Amazônia, formando um banco vivo para o futuro. Ao todo, a empresa encerrou 2024 com 380 mil hectares de floresta protegida ou reflorestada, do Amazonas a Mato Grosso do Sul.
Em tempos de colapso climático e retrocesso ambiental, esses números ganham densidade filosófica. São uma forma de lembrar que o progresso verdadeiro é aquele que respeita os limites do planeta e investe na regeneração da vida.
Um pacto com a vida
A floresta amazônica não é apenas um território. É uma entidade viva, uma rede de relações ancestrais, um mistério que se revela em pulsações invisíveis. A atuação da Eletrobras, quando guiada por ética ambiental e compromisso técnico, mostra que é possível fazer coexistir desenvolvimento e conservação — desde que se tenha, como guia, a humildade diante da natureza e a coragem para agir.
Em cada filhote de peixe-boi, em cada tartaruga solta, em cada hectare protegido, há um sinal: ainda é possível escolher um futuro em que o humano deixa de ser predador e se torna guardião. Que essa escolha seja feita, com urgência e propósito.
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