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Escrito por Neo Mondo | 8 de setembro de 2025
Guardião da floresta, mascote do Curupira é apresentado durante desfile cívico, em Brasília - Foto: Ricardo Stuckert/PR
POR - REDAÇÃO NEO MONDO*
O desfile cívico-militar de 7 de setembro, em Brasília, que tradicionalmente exalta a história e a soberania nacional, ganhou neste ano uma dimensão inédita: projetou o Brasil como anfitrião da COP30. O eixo dois da celebração foi inteiramente dedicado ao maior encontro global das Nações Unidas para discutir e negociar soluções diante da crise climática.
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Entre a pompa militar e os símbolos patrióticos, uma figura chamou a atenção: o Curupira, mascote da Conferência, apareceu pela primeira vez em público. Guardião das florestas e dos animais no imaginário brasileiro, o personagem encantou autoridades dos Três Poderes, a população presente e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que reforçou a identidade cultural e ambiental do evento.
Em seu pronunciamento oficial sobre o Dia da Independência, Lula destacou o papel do Brasil na proteção da natureza:
“Cuidamos como ninguém do nosso meio ambiente. Reduzimos pela metade o desmatamento na Amazônia, que, em novembro, vai sediar a COP30, maior conferência mundial sobre o clima.”
A abertura do eixo climático foi marcada por uma faixa com os dizeres “Mutirão Global pelo Clima” – um convite do Brasil para que o mundo se una, compreenda os impactos das mudanças climáticas e busque coletivamente soluções. A mensagem ecoa a primeira carta do presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, e simboliza o espírito colaborativo que o país deseja imprimir ao encontro.
O desfile também deu protagonismo a quem, no dia a dia, enfrenta os desafios ambientais. O Curupira entrou em cena acompanhado de brigadistas e servidores do Prevfogo (Ibama) e do ICMBio, representando os esforços de preservação e resposta a emergências climáticas. “São 50 profissionais que demonstram como o governo tem trabalhado para proteger a natureza e agir em situações de risco”, explicou Naiara Lemos, coordenadora-geral de Comunicação Institucional da Secretaria de Comunicação da Presidência (SECOM/PR).
Naiara também lembrou que o trabalho do Prevfogo vai além do combate direto às queimadas, incluindo programas de educação ambiental em escolas. Os resultados são visíveis: agosto de 2024 registrou o menor número de focos de incêndio desde o início do monitoramento, em 1998. Outro marco celebrado foi a aprovação de R$ 1,5 bilhão em projetos financiados pelo Fundo Amazônia, voltados à proteção da floresta e ao desenvolvimento sustentável.

O desfile cívico também trouxe simbolismos poderosos. O mascote Labareda, um tamanduá-bandeira do Prevfogo, dividiu espaço com 196 jovens carregando mudas de árvores, representando os países que participarão da COP30. Cada planta simbolizava vida, esperança e o compromisso coletivo de cuidar do planeta.
As escolas do Distrito Federal se uniram ao espetáculo com criatividade e poesia. Estudantes apresentaram coreografias e figurinos que exaltaram as riquezas naturais do Brasil e homenagearam os trabalhadores das florestas. A diversidade dos biomas também ganhou palco: enquanto alguns grupos enalteceram a beleza das matas e rios, outros destacaram a biodiversidade e representaram a Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica, a Caatinga, o Pantanal e o Pampa.
O 7 de setembro, data que remete à independência conquistada em 1822, ganhou em 2024 uma nova leitura: a independência também se constrói com responsabilidade ambiental, cooperação internacional e a consciência de que não há soberania possível sem florestas vivas, rios limpos e ar respirável.
Ao colocar o Curupira no centro do desfile, o Brasil não apenas resgatou um personagem mítico da cultura popular, mas também apresentou ao mundo a mensagem que deseja levar à COP30: a de que proteger a natureza é um dever coletivo, que transcende fronteiras e se traduz em compromisso com o presente e com o futuro da humanidade.
*Com informações de Laura Marques / COP30
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