Amazônia Destaques Política Saúde Segurança Sustentabilidade
Escrito por Neo Mondo | 7 de fevereiro de 2020

O desmatamento em terras indígenas vem aumentando de forma exponencial © Araquém Alcântara/WWF-BrasilApesar de tratar exclusivamente sobre projetos que causarão impactos significativos em terras indígenas, nenhuma das legítimas organizações indígenas brasileiras foi consultada ou participou de sua elaboração, jogando no lixo o compromisso assumido pelo país ao ratificar a Convenção 169 da OIT, que exige que qualquer projeto de lei que afete diretamente seus interesses deve ser com eles previamente discutido e concertado.
O projeto mostra que o atual governo ainda tem a cabeça no século XX, pois não entendeu que manter a produção de chuva –recurso insubstituível– é muito mais importante do que algumas toneladas de minério –uma commodity produzida em qualquer parte do planeta. Isso não significa que as terras indígenas não possam ter algum tipo de exploração mineral, mas isso deveria ocorrer dentro de algumas condições que não são garantidas pelo projeto: as comunidades indígenas devem ter o poder de aprovar a atividade, caso a entendam vantajosa –pelo projeto elas serão apenas ouvidas e sua opinião “considerada”–, a decisão deve estar baseada na mais ampla e completa informação sobre os possíveis impactos socioambientais dela decorrentes –pelo projeto, elas opinarão com base em estudos preliminares de potencial mineral ou petrolífero. O PL 191/20 pretende transformar as terras indígenas em uma nova fronteira da destruição, abrindo-as, sem os devidos cuidados ou respeito à vontade dos povos indígenas, a algumas das atividades econômicas mais impactantes que existem, como mineração, exploração de petróleo, construção de grandes hidrelétricas e garimpo. O cerco do Governo Bolsonaro às terras indígenas começa a se fechar. Começou com a diminuição na fiscalização a atividades ilegais, como invasões de madeireiros e grileiros, seguiu com a paralisação de todos os processos de demarcação, continuou com a promessa de rever as áreas já homologadas e chega agora a esse projeto. Ao prever o garimpo de não indígenas nessas áreas, sinaliza que vai legalizar as muitas invasões hoje existentes, que matam os rios e contaminam as pessoas, estimulando mais invasões. Nós, do WWF-Brasil, não acreditamos que esse seja o caminho correto. Pelo contrário, temos certeza de que as terras indígenas e seus povos de imensa diversidade cultural têm um espaço muito mais nobre no presente e no futuro de nosso país. Vamos continuar trabalhando com os olhos voltados ao futuro, ao lado das organizações indígenas brasileiras.
Terras indígenas são um importantíssimo patrimônio nacional, que mantêm protegidos mais de 97% da vegetação nativa original © Kolbe Soares/WWF-BrasilAmazônia: incêndios, secas e tempestades de vento tornam vegetação menos diversa
Dia da Terra: o que precisa mudar para que continuemos aqui
Secas mais longas e mudanças nas chuvas já ocorrem na Amazônia, apontam pesquisas