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Escrito por Neo Mondo | 5 de novembro de 2025
Depois de quatro anos navegando por 17 países e mais de 42 mil milhas, a Família Schurmann conclui a primeira volta ao mundo da iniciativa - Foto: Divulgação/Voz dos Oceanos
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Após quatro anos navegando pelos mares do planeta, a expedição liderada pela Família Schurmann ancorou em Belém, transformando a Casa das Onze Janelas no novo epicentro global de mobilização pela proteção dos oceanos
Eu confesso: poucas histórias me emocionam tanto quanto as que misturam coragem, ciência e propósito. A chegada da expedição Voz dos Oceanos em Belém, no coração da Amazônia, é uma daquelas que arrepiam. Foi ali, sob o céu amazônico, que um ciclo se fechou e outro se abriu — com a conclusão da primeira volta ao mundo da iniciativa e o nascimento da Casa Vozes do Oceano, que será um dos grandes pontos de encontro da COP30, em 2026.
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Foram quatro anos, dois meses e 42.176 milhas náuticas de uma jornada que começou em Balneário Camboriú (SC), lá em 2021, e atravessou 17 países — das Américas à África, da Ásia à Oceania. À bordo do veleiro sustentável Kat, a tripulação liderada por Vilfredo, Heloisa, Wilhelm, David e Erika Schurmann levou ao mundo uma mensagem urgente: a de que os oceanos estão doentes, sufocados por plástico e negligência, mas ainda há tempo de curá-los — se agirmos agora.
Heloisa Schurmann resume bem esse sentimento:
“Concluir esta primeira volta ao mundo da Voz dos Oceanos, às vésperas da COP30 no Pará, é um momento de celebração e reflexão. Nossa expedição mostrou tanto os desafios quanto as oportunidades de proteger os oceanos.”
A bordo do Kat, a tripulação viu de tudo. Em ilhas remotas da Indonésia, navegou entre áreas marinhas protegidas cheias de vida — e, em seguida, mergulhou num mar de resíduos plásticos que cobria o horizonte. “As manchas de plástico eram tão densas que pareciam muralhas, separando a gente do destino”, contou Erika Cembe Ternex.
Wilhelm, o capitão, foi direto:
“Encontramos resíduos em todas as praias. Mas nunca tínhamos visto algo tão assustador no meio do oceano.”
Essas cenas viraram símbolos de uma era em que o progresso e o descuido se chocam. Mas a expedição também colecionou esperança — nas vozes, nas ideias e nos projetos de quem luta por mares limpos.
Em Thursday Island, na Austrália, a tripulação encontrou a comunidade que protagonizou o primeiro caso de Justiça Climática reconhecido pela ONU. Povos do Estreito de Torres processaram o governo australiano por violar seus direitos diante da inércia climática — e venceram.
“Eles conquistaram o reconhecimento, mas ainda lutam por ações concretas”, relata Heloisa, emocionada. “É a prova de que o mar também é palco de direitos humanos.”
Durante a viagem, a Voz dos Oceanos encontrou heróis anônimos que estão transformando o lixo em solução.
David Schurmann, CEO do Instituto Voz dos Oceanos, resume o impacto:
“Encontramos um mundo de iniciativas lideradas por mulheres. A força feminina está na linha de frente da proteção do planeta.”
E agora, o ponto de chegada da expedição se torna o ponto de partida da próxima grande jornada. Em Belém, a histórica Casa das Onze Janelas está sendo transformada na Casa Vozes do Oceano, com o apoio do Governo do Pará, da Secretaria de Cultura, liderada por Úrsula Vidal, e do Quarto Distrito Naval da Marinha do Brasil, sob comando do Vice-Almirante Adriano Marcelino Batista.

Ali, o veleiro Kat ficará ancorado como símbolo vivo de um compromisso: o de levar o tema dos oceanos para o centro das negociações climáticas da COP30.
“Estamos criando um espaço de convergência entre ciência, arte e ativismo — um lugar para dar voz a quem luta pelo oceano e pela vida”, afirma David Schurmann.
Belém, Amazônia, COP30. Três palavras que, juntas, soam como um chamado. Um convite para repensar o nosso papel num planeta que clama por regeneração. A expedição Voz dos Oceanos encerra um ciclo, mas sua mensagem ecoa mais forte do que nunca: sem oceano saudável, não há futuro possível.
E eu fico imaginando a cena: o veleiro Kat ancorado diante da Casa das Onze Janelas, o rio Guamá refletindo o pôr do sol, e as vozes do oceano — humanas e marinhas — se misturando num só coro. Um lembrete poético e poderoso de que a esperança também navega.
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