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Inverno transforma o comportamento da fauna brasileira 

Escrito por Neo Mondo | 16 de julho de 2026

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Inverno revela o movimento silencioso da natureza: enquanto a floresta parece desacelerar, a onça amplia seus caminhos para garantir a própria sobrevivência - Foto: Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar

POR - REDAÇÃO NEO MONDO

Especialistas explicam como diferentes espécies alteram hábitos de alimentação, caça, deslocamento e reprodução para enfrentar a estação e destacam a importância da conservação dos ecossistemas

Quando o inverno chega ao Brasil, a natureza entra em movimento. Predadores reorganizam seus horários de caça para aproveitar melhor as temperaturas, onças ampliam seus deslocamentos em busca de alimento e aves percorrem longas distâncias em busca de melhores condições. Essas adaptações mostram como diferentes espécies respondem às mudanças da estação e reforçam a importância da conservação dos ambientes naturais.

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Embora o inverno brasileiro seja menos rigoroso do que em países de clima temperado, a redução das temperaturas, as mudanças na duração dos dias e a menor disponibilidade de alimento são suficientes para alterar a rotina de diferentes espécies, que respondem com estratégias de sobrevivência variadas.

“Essas adaptações fazem parte dos ciclos naturais da biodiversidade brasileira, elas dependem da conservação dos ambientes onde ocorrem. Áreas naturais preservadas garantem corredores para migração, oferta de alimento, locais de reprodução e condições para que esses processos continuem ocorrendo ano após ano”, explica o gerente de conservação da biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Emerson Oliveira.

Na Mata Atlântica, estudos mostram que espécies predominantemente noturnas concentram suas atividades na primeira metade da noite durante o inverno. Já animais de hábito diurno, como a cutia (Dasyprocta azarae), a irara (Eira barbara) e o gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), aproveitam os períodos mais quentes do dia para buscar alimento.

Segundo Roberto Fusco, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e coordenador do Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, essas adaptações refletem a capacidade da fauna de responder às mudanças naturais do ambiente.

"As baixas temperaturas durante o inverno podem afetar a disponibilidade de recursos e, consequentemente, o comportamento de algumas espécies. As onças, por exemplo, podem se movimentar mais durante o inverno, já que os recursos ficam menos disponíveis e elas precisam buscá-los mais ativamente. Outros predadores como o mão-pelada (Procyon cancrivorus) e o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) passam a se alimentar mais de roedores durante a estação", explica.

O inverno também altera o comportamento da onça-pintada. Em regiões como o Pantanal, onde a estação coincide com o período seco, a redução do volume de rios e lagoas concentra presas em poucos pontos de água, favorecendo emboscadas.

Nova rota pelo céu e pelo oceano

As aves também adaptam sua rotina. Espécies como o suiriri (Tyrannus melancholicus) e o andorinhão-do-temporal (Chaetura meridionalis) deixam regiões do Sul e Sudeste em direção a áreas mais quentes do país.

Com menos insetos disponíveis durante o inverno, muitas aves precisam percorrer distâncias maiores para encontrar alimento, enquanto outras passam a formar bandos mistos para aumentar a proteção contra predadores e melhorar a busca por alimento.

A jacutinga (Aburria jacutinga), historicamente, também realizava movimentos sazonais entre áreas serranas e regiões mais baixas da Mata Atlântica, comportamento hoje limitado pela redução de seu habitat.

Entre todas as adaptações observadas durante o inverno brasileiro, uma das mais impressionantes acontece no mar.

Entre junho e novembro, as baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) deixam a Antártica e percorrem milhares de quilômetros, entre ida e volta, até a costa brasileira para se reproduzir, dar à luz e amamentar seus filhotes.

O Banco dos Abrolhos, no sul da Bahia, é o principal berçário da espécie no Atlântico Sul. Durante esse período, as baleias vivem das reservas de gordura acumuladas nas áreas de alimentação da Antártica e intensificam comportamentos associados à comunicação e à reprodução, como saltos, batidas de nadadeiras e exposição da cauda.

Cinco curiosidades sobre a fauna brasileira no inverno

Cachorro-do-mato e mão-pelada diversificam sua alimentação

Para se adaptar à mudança na disponibilidade de recursos, predadores como o cachorro-do-mato e o mão-pelada passam a consumir mais presas pequenas, como roedores.

As onças ampliam seu deslocamento em busca de presas

Com a redução da disponibilidade de recursos, as onças tendem a se deslocar por maiores distâncias para uma busca mais ativa de suas presas.

Nem todos os felinos caçam no mesmo horário

Espécies noturnas concentram suas atividades na primeira metade da noite, enquanto animais de hábitos diurnos, como o gato-mourisco, aproveitam os períodos mais quentes do dia para buscar alimento.

Algumas aves trocam de rota

A redução das temperaturas e da oferta de alimento faz com que diferentes espécies migrem para regiões mais quentes ou ampliem suas áreas de deslocamento durante o inverno.

As baleias percorrem cerca de nove mil quilômetros

Entre junho e novembro, as baleias-jubarte deixam a Antártica e viajam até a costa brasileira para se reproduzir, dar à luz e amamentar seus filhotes.

Sobre a Rede de Especialistas em Conservação da Natureza

A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) reúne cerca de 80 profissionais de todas as regiões do Brasil e alguns do exterior que trazem ao trabalho que desenvolvem a importância da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade. São juristas, urbanistas, biólogos, engenheiros, ambientalistas, cientistas, professores universitários – de referência nacional e internacional – que se voluntariaram para serem porta-vozes da natureza, dando entrevistas, trazendo novas perspectivas, gerando conteúdo e enriquecendo informações de reportagens das mais diversas editorias. Criada em 2014, a Rede é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Os pronunciamentos e artigos dos membros da Rede refletem exclusivamente a opinião dos respectivos autores. Acesse o Guia de Fontes AQUI.

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