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Escrito por Neo Mondo | 15 de julho de 2026
Rede de proteção também se constrói com conhecimento, tecnologia e apoio para que mulheres enfrentem a violência digital sem abrir mão de suas vozes - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Neo Mondo
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
A iniciativa ainda contará com o lançamento do LATINAS IA, agente digital disponível para dar suporte 24h para mulheres em situação de vulnerabilidade
Segundo o estudo “Regime de ameaça: a violência política de gênero e raça no âmbito digital”, divulgado pelo Instituto Marielle Franco em agosto de 2025, no Brasil, os principais alvos da violência política online são mulheres negras, pessoas LGBTQIA+, populações periféricas, defensores de direitos humanos, além de pessoas que ocupam cargos políticos e ativistas.
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Em meio à crescente polarização do país, especialmente neste ano eleitoral, a Rede de Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação (Rede JP) lança mais uma edição da Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (REPCONE), iniciativa que visa fortalecer a capacidade de proteção, resposta e resiliência de mulheres em visibilidade pública diante de ameaças digitais, violência online e campanhas de desinformação, promovendo segurança, cuidado e apoio transnacional em toda a América Latina.
A primeira edição foi lançada em agosto de 2025 e contou com a participação de 50 mulheres, com uma estimativa de 17,1 milhões de pessoas alcançadas.
Neste ano, 30 mulheres da América Latina serão selecionadas entre jornalistas, ativistas, lideranças comunitárias e pesquisadoras, refletindo a diversidade de perfis, territórios, identidades e formas de atuação pública na região. A iniciativa prioriza candidatas que atuam em contextos de maior risco e invisibilidade estrutural. As inscrições para a edição de 2026 serão abertas hoje, 15 de julho, durante o Mês Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, através deste link.
“Nos últimos anos, percebemos que os ataques se tornaram mais coordenados e rápidos. Por isso, além da formação, buscamos criar uma estrutura permanente de apoio para que essas mulheres não enfrentem a violência digital sozinhas”, afirma Marcelle Chagas, coordenadora geral da Rede JP, integrante da rede de mulheres líderes da Universidade e idealizadora da REPCONE.
O programa é estruturado em quatro frentes de atuação integradas: formação, com quatro aulas virtuais sobre segurança digital, resposta a incidentes, proteção de dados e enfrentamento à desinformação; proteção e cuidado, com apoio psicossocial e orientação jurídica especializada; resposta rápida, com protocolos de atuação diante de ataques coordenados, assédio online e campanhas de desinformação; e infraestrutura tecnológica, com a implementação da Latinas IA, ferramenta de inteligência artificial voltada à proteção e ao fortalecimento de mulheres que atuam na defesa da democracia na América Latina.
O cronograma deste ano está estruturado em:
Inteligência artificial voltada à proteção de mulheres em ambientes digitais
A violência de gênero no ambiente digital tem crescido de forma significativa. Segundo dados do Ministério das Mulheres, entre janeiro e maio deste ano, a Central de Atendimento à Mulher registrou 16.725 denúncias desse tipo. No mesmo período do ano passado, foram 5.795 registros, um aumento de 188,6% em um ano.
Diante desse cenário, o Latinas surge como uma plataforma de inteligência artificial voltada ao apoio e à proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade na América Latina. A ferramenta funciona como um ambiente integrado de orientação e resposta, reunindo recursos de informação confiável, conectando usuárias a fontes verificadas e conteúdos de checagem, além de oferecer guias práticos de segurança digital adaptados a diferentes contextos de risco.
A plataforma que segue em processo contínuo de desenvolvimento e aprimoramento, também permite o acionamento de redes de apoio, facilitando o contato com especialistas, organizações parceiras e iniciativas de proteção na região, além de reunir protocolos de resposta a incidentes de violência digital e ataques coordenados, com foco em respostas rápidas e articuladas.
Desenvolvido em parceria com o Meedan e operado pela Suwali, o Latinas integra tecnologias aplicadas à integridade da informação e à segurança digital, em um contexto de crescimento da desinformação e da violência online contra mulheres.
O Meedan é uma organização internacional sem fins lucrativos que desenvolve tecnologias e programas voltados ao combate à desinformação, ao fortalecimento do jornalismo e à ampliação do acesso a informações confiáveis.
“A maioria das ferramentas de inteligência artificial disponíveis hoje foi desenvolvida com referências que nem sempre refletem a realidade das mulheres latino-americanas. O Latinas nasceu justamente para preencher essa lacuna, oferecendo um suporte construído a partir dos contextos culturais e linguísticos da nossa região. Isso torna as orientações mais precisas e permite responder com mais rapidez às situações de violência digital", afirma Marcelle.
Cartilha REPCONE: contextualizando o problema
Como resultado do primeiro treinamento, em dezembro de 2025, o REPCONE lançou a cartilha “Proteção Digital para Comunicadoras Negras na América Latina”, que reúne dados, análises e orientações práticas para enfrentar a violência digital contra mulheres negras em posição de visibilidade pública.
Produzida com a colaboração de especialistas, como Sofía Carrillo, coordenadora da Red de periodistas afrolatinos, e das participantes da primeira edição do programa, a publicação sistematiza experiências vividas por comunicadoras da região e apresenta estratégias de prevenção, proteção e resposta a ataques online.
O material orienta como agir em situações de vazamento de dados, perseguição, assédio e campanhas coordenadas de desinformação, além de reunir protocolos de segurança digital e recomendações para o cuidado com a saúde mental.
A cartilha também defende que a violência digital deve ser compreendida como parte das desigualdades estruturais de raça e gênero, com impactos que ultrapassam o ambiente virtual e afetam a saúde mental, a trajetória profissional e a permanência dessas mulheres em espaços de liderança e tomada de decisão.
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