A perda das florestas mais maduras, segundo ele, compromete de forma significativa os ganhos obtidos com a regeneração de florestas mais jovens. Essas matas mais recentes podem ser extremamente importantes para aumentar a conectividade de fragmentos florestais e recomposição da cobertura vegetal de áreas de preservação permanente, como margens de rios e encostas de morros; mas elas precisam de um tempo de maturação para recuperar 100% da sua composição original — um processo que pode levar de 60 a 80 anos. “Temos que continuar recuperando florestas, sim; mas ainda temos que estancar, também, essa sangria do desmatamento”, afirma Rosa, que fez a pesquisa para sua tese de doutorado no Programa de Geografia Física da FFLCH.
É a primeira vez que um estudo faz essa qualificação cronológica do desmatamento na Mata Atlântica. A pesquisa foi feita em parceria com o projeto
MapBiomas, utilizando imagens de satélite com resolução de 30 metros, para o período de 1990 a 2017.
Os resultados indicam que o bioma ganhou cerca de 150 mil hectares por ano de novas florestas nesse período, mas continuou a perder entre 80 mil e 220 mil hectares por ano de florestas — incluindo florestas maduras (com mais de 30 anos) e florestas jovens, que voltam a ser derrubadas após alguns anos de regeneração. O resultado, no fim das contas, é um bioma em processo de “rejuvenescimento”, composto por uma parcela cada vez maior de florestas jovens, com menos espécies, menos carbono e menor capacidade de produção de água, entre outros prejuízos.
“Nós revelamos que a aparente estabilidade da cobertura florestal nativa observada nas últimas décadas tem ocultado a destruição de florestas antigas, que são insubstituíveis. Nossos resultados indicam um processo alarmante de rejuvenescimento da cobertura florestal e distribuição espacial desigual em áreas menos atraentes para a agricultura mecanizada, o que pode ter efeitos deletérios na conservação da biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos”, escrevem os pesquisadores, na Science Advances.
Cerca de 11% da cobertura florestal do bioma hoje é composta de florestas muito jovens, com menos de 20 anos, segundo o estudo. O nível de isolamento dessas florestas também aumentou em 36% das áreas examinadas, o que reduz ainda mais as possibilidades de essas matas recuperarem suas características e funções originais.