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Escrito por Neo Mondo | 29 de abril de 2019
Pressionadas por órgãos ambientais, ecologistas e grupos de consumidores as empresas começaram a reagir. Primeiro com o desenvolvimento de resinas produzidas de materiais orgânicos, como a cana de açúcar. Depois, com programas de reciclagem e conversão de embalagens em novos produtos. São dois exemplos nascidos no Brasil. O primeiro foi liderado pela petroquímica baiana Braskem, que desenvolveu o plástico verde, e a indústria de defensivos agrícolas, que criou a inpEV, que faz a reciclagem das embalagens pós-consumo.
É neste contexto que assume um papel diferenciado, o recente anúncio feito pela subsidiária da Dow Brasil para desenvolvimento de uma resina termoplástica a partir de embalagens plásticas recicladas. Para dar conta da tarefa, a potência americana que opera 113 fábricas pelo mundo e fatura US$ 50 bilhões, por ano, se uniu à startup Boomera, baseada em São Paulo e especializada em Economia Circular. Trata-se de um conceito segundo o qual o ciclo de vida do produto deve ser levado em conta ainda no estágio de sua concepção, na prancheta do design.
“Os resíduos gerados por nossos produtos é um problema nosso e cabe a nós resolvermos”, diz Carolina Mantilla, diretora de sustentabilidade do negócio de plásticos da Dow para América Latina. Segundo ela, ao enfrentar a questão de forma inovadora, a empresa pretende mostrar que a sustentabilidade é um componente estratégico para o negócio.
Carolina Mantilla, diretora de sustentabilidade Dow para a América Latina
Política de Resíduos Sólidos
O ativismo da Dow chega num momento em que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada em 2010, enfrenta oposições de todos os lados. A começar dos prefeitos que alegam não ter recursos para implementar os dispositivos legais previstos na legislação. O principal deles se refere ao fechamento dos lixões e aterros irregulares, que deveriam ter deixado de existir em 2014.
Pelas contas da Associação Brasileira de Limpeza Urbana e Resíduos Especiais (Ablelpe), ainda estão e operação 2.976 lixões, espalhados por 45% dos municípios. Nestes locais foram depositados 12,9 milhões de toneladas, em 2017. Além de degradar o meio ambiente, a existência destes espaços causa inúmeros danos à saúde. De acordo com Carlos Silva Filho, presidente da Abrelpe, os gastos com saúde resultantes de problemas ligados à resíduos chega a R$ 2 bilhões, por ano.
A parceria entre a Dow e Boomera deseja atacar a questão dos resíduos sólidos, no Brasil, pelo lado da inovação e lançando mão da tecnologia. Sem a pretensão de resolver o problema, mas com a preocupação de dar uma contribuição relevante. Sem descuidar dos negócios, claro.
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