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Escrito por Neo Mondo | 8 de agosto de 2026
Ensina-se a usar a ferramenta; aprende-se a pensar sem ela - Foto: Ilustrativa/Freepik
Por - Carolina Balera Trombini*, especial para Neo Mondo
Existe uma mudança importante no debate educacional. Durante anos, a discussão sobre tecnologia na escola girou em torno de uma pergunta: quanto mais digital a educação, melhor?
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A Didacta 2026, maior feira de educação da Europa, realizada em Colônia, mostrou que essa discussão entrou em outra etapa. A inteligência artificial continua no centro das atenções, mas o foco deixou de ser a adoção de ferramentas. A pergunta agora é mais exigente: como formar estudantes capazes de usar tecnologia com autonomia intelectual, responsabilidade e senso crítico?
A IA já transforma o modo como trabalhamos, pesquisamos, produzimos conhecimento e aprendemos. Ignorar isso seria afastar a escola da realidade. Ao mesmo tempo, a presença crescente dessas ferramentas torna mais necessário desenvolver capacidades humanas: interpretação, argumentação, criatividade, repertório cultural, discernimento ético e colaboração.
Há um paradoxo aqui. Quanto mais a tecnologia avança, mais evidente fica a importância da formação humana. Um estudante hoje acessa informações em segundos, produz imagens, organiza dados e gera textos completos com apoio da inteligência artificial. Isso amplia as possibilidades de aprendizagem. Também cria uma responsabilidade nova.
A escola precisa ensinar os estudantes não apenas a usar ferramentas, mas a compreender limites, avaliar evidências, formular perguntas relevantes e transformar informação em conhecimento. Faz algum tempo que o problema da educação não é mais a falta de acesso à informação. A dificuldade está em interpretar, relacionar e construir sentido.
Nesse ponto, a inteligência artificial não reduz a importância da escola nem do professor. Acrescenta uma tarefa: formar estudantes que usem essas ferramentas com autonomia, criticidade e responsabilidade. O professor, que ocupou por tanto tempo o lugar de transmissor de conteúdo, assume com mais peso o papel de mediador, orientador e formador de pensamento crítico.
Foi essa percepção que apareceu com força na Didacta. Mesmo em um evento marcado por tecnologia, as discussões mais densas envolveram saúde mental, convivência, atenção, criatividade, bem-estar e aprendizagem ativa. A escola do futuro parece caminhar para um modelo mais integrado.
Tecnologia, ciência, sustentabilidade, formação emocional e competências humanas deixaram de aparecer como temas isolados. Funcionam como dimensões complementares de uma mesma formação. Isso ajuda a explicar por que metodologias baseadas em projetos, investigação, resolução de problemas e experimentação ganharam tanto espaço. Quando as respostas automáticas estão sempre à mão, formular boas perguntas vira uma habilidade rara.
A inteligência artificial deve ampliar a produtividade, democratizar ferramentas sofisticadas e acelerar a aprendizagem. Mas nenhuma tecnologia substitui por inteiro aquilo que acontece quando um estudante aprende a argumentar, conviver, investigar, criar conexões e compreender problemas reais.
A escola do futuro não será menos tecnológica. Provavelmente será mais digital, mais conectada e mais orientada por dados. Seu diferencial continuará sendo humano: formar pessoas capazes de pensar com autonomia em um mundo cada vez mais automatizado.
*Carolina Balera Trombini - Gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Biopark Educação.

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