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Escrito por Neo Mondo | 2 de junho de 2018
Ouviram coisas como “não compre isso, vai te levar à falência” e “se o carro a diesel já é livre de impostos por cinco anos, é porque ele deve ser ambientalmente amigável”. Em uma loja, o vendedor disse que o modelo requisitado não existia em versão elétrica – quando esta constava no catálogo da própria concessionária. Em outra, foram informados de que a autonomia do Golf elétrico é de 150 quilômetros, quando na verdade ela pode chegar ao dobro disso.
Segundo Zarazua e seus colegas, a atitude dos vendedores em relação aos carros elétricos era o principal fator influenciador da probabilidade de um consumidor adquirir um. E na Escandinávia, que tem os países mais sustentáveis do mundo industrializado, esse fator definitivamente joga contra: menos de 16% das visitas resultaram em probabilidade “muito alta” ou “alta” de compra de um elétrico.
“As concessionárias de veículos e seus vendedores funcionam como um imenso obstáculo à aquisição de VE [veículos elétricos] na região nórdica, o que reflete o favoritismo da indústria e dos governos em relação aos carros convencionais”, escreveram os autores, em artigo no periódico Nature Energy.
Boa parte do problema se devia simplesmente à falta de conhecimento dos vendedores escandinavos, pouco habituados ou não capacitados a lidar com a nova tecnologia (imagina na Jamaica). Mas as políticas de cada país em relação aos elétricos também influenciava, e muito, o desempenho dos vendedores.
O lugar com as atitudes mais amigáveis foi a Noruega, onde o governo adotou uma série de políticas para estimular os carros elétricos (os noruegueses querem banir o motor a explosão a partir de 2025). Os vendedores torciam mais o nariz para a tecnologia na Dinamarca, que recentemente acabou com os incentivos para a compra desses carros.
Foto - Cristina Rappa
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