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Escrito por Neo Mondo | 9 de julho de 2020
Foto - FINTAN O' BRIEN por PixabayAtento aos sinais e disposto a ajudar a restaurar a combalida imagem do país no exterior, Rodrigo Maia sacou o decreto para o Protocolo de Nagoya. Ao certificar-se de que as arestas estavam aparadas e que a medida poderia servir como resposta do Parlamento à pressão estrangeira, articulou a votação. Para o presidente da Frente Ambientalista da Câmara dos Deputados, Rodrigo Agostinho (PSB/SP), a ratificação do Protocolo de Nagoya não só “acalma o mercado”, como é uma oportunidade para o país. “Tudo dependerá se o governo irá aproveitar essa chance e incentivar a pesquisa e o desenvolvimento a partir da biodiversidade”, pondera Agostinho. Repartição O Protocolo de Nagoya pode se traduzir na prática em incentivos para a conservação e uso sustentável da biodiversidade, abrindo caminhos para a bioeconomia, uma das apostas para que, uma vez valorizada como ativo econômico, a natureza seja poupada para o futuro.
Mas o protocolo é claro. Não trata apenas do acesso. “A repartição dos benefícios – tema central para os povos indígenas e comunidades tradicionais – é fundamental no acordo, e isso precisa ficar muito bem estabelecido e cumprido na prática para que possa materializar os preceitos da Convenção da Diversidade Biológica”, lembra Maurício Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil. O texto do acordo aprovado pelos países-membros da CDB e que integram o Protocolo de Nagoya define as bases para a repartição justa e equitativa dos benefícios com países ou comunidades tradicionais e povos indígenas. “O protocolo promove o respeito aos direitos dos detentores de recursos genéticos e dos conhecimentos tradicionais associados”, ressalta Bráulio Dias, ex-secretário-executivo da CDB. A decisão da Câmara, porém, chega em um momento difícil para os povos indígenas, totalmente voltados para o avanço do novo coronavírus nas aldeias, invasões de garimpeiros e grileiros em suas terras e agressões aos seus direitos fundamentais. Mesmo assim, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) está buscando uma estratégia para dialogar com as empresas que querem acessar os recursos genéticos e conhecimentos tradicionais que os indígenas conservam, há milhares de anos. “Já existem alguns protocolos sendo formulados por povos indígenas com diversos objetivos e que podem servir como base para as discussões sobre acesso ao patrimônio genético e repartição de benefícios em nossos territórios. Um princípio importante que devemos seguir é o que determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, explica Cris Pankararu, líder da Apib e representante dos povos indígenas no CGEN – Conselho de Gestão do Patrimônio Genético. Os Artigos 6º e 7º da Convenção enfatizam o direito de consulta prévia e participação dos povos indígenas no uso, gestão – incluindo controle de acesso, e conservação de seus territórios.
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