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Escrito por Neo Mondo | 27 de fevereiro de 2019
Mais de 100 mil pessoas assumiram o compromisso Mares Limpos para reduzir a sua pegada de plástico. Muitas usam as hashtags #CleanSeas e #BeatPlasticPollution no Twitter e no Instagram para chamar outros indivíduos a seguir o seu exemplo e abandonar os plásticos descartáveis.
A América Latina e o Caribe estiveram na linha de frente desse movimento global, e o Equador está entre os 17 países da região que aderiram à campanha Mares Limpos.
“Os países e cidadãos da América Latina e Caribe estão dando passos ousados e exemplares para acabar com a poluição plástica e proteger os seus vulneráveis recursos marinhos”, afirma o diretor regional da ONU Meio Ambiente na América Latina e Caribe, Leo Heileman.
“Governos estão regulando os plásticos descartáveis por meio da aprovação de várias proibições, e os cidadãos estão tomando atitude, com limpezas (de praia) e campanhas massivas. Mas precisamos de mais esforços da indústria para encontrar alternativas inovadoras para o plástico”, acrescentou o dirigente.
Para as espécies raras das Ilhas Galápagos, a cerca de 960 km da costa do Equador, essa é uma questão de vida ou morte.
“Nós vimos pelicanos, iguanas e leões marinhos presos em sacolas, redes e cordas de plástico”, conta Jorge Carrión, diretor do Parque Nacional de Galápagos. “Quando o plástico se decompõe em microplásticos, pode entrar na cadeia alimentar: os peixes o comem e aí o consumo humano pode ser afetado.”
As autoridades das ilhas introduziram leis para proibir itens de plástico descartável, como canudos e sacolas. Voluntários e pescadores ajudaram a limpar praias remotas enquanto serviços de gestão de resíduos foram reforçados.
Muito do lixo que que vai parar nas Galápagos vem de outros países, o que ilustra a necessidade de uma mobilização global contra o plástico descartável.
Do outro lado do mundo, a Índia aderiu à campanha Mares Limpos e sediou o Dia Mundial do Meio Ambiente, em junho passado. O gigante asiático prometeu eliminar todos os plásticos descartáveis até 2022 — uma decisão que pode virar o jogo contra a poluição marinha num país com 1,3 bilhão de habitantes.
Outro pioneiro da luta contra os plásticos é o Quênia, que aderiu à campanha em dezembro de 2017 e também instituiu uma das proibições mais duras às sacolas plásticas.
Outros compromissos notáveis junto à campanha Mares Limpos incluem:
Autoridades nacionais não são as únicas que estão mostrando liderança. Em agosto, a cidade de Tijuana, no México, tornou-se a primeira cidade do país na fronteira dos EUA a aprovar uma proibição contra sacos plásticos descartáveis. Vários outros estados e municípios, incluindo Querétaro, proibiram as sacolas plásticas, mesmo o México não tendo aderido oficialmente à campanha Mares Limpos.
Indivíduos também podem fazer a diferença: no Quênia, empreendedores e voluntários construíram um dhow, um tipo de veleiro tradicional, a partir de plástico reciclado e de chinelos, a fim de deixar claro como o descarte inadequado do plástico gera desperdício. A inusitada embarcação Flipflopi partiu da ilha de Lamu, em janeiro, e navegou até Zanzibar, fazendo paradas em cidades ao longo do caminho para espalhar a revolução contra os plásticos.
A ONU Meio Ambiente canalizou o poder das redes sociais para encorajar essas ações. Às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente no ano passado, a agência das Nações Unidas encorajou as pessoas a participarem de um jogo global, com o chamado #AcabeComAPoluiçãoPlástica (#BeatPlastiPollution). Os participantes deviam compartilhar nas redes sociais quais itens de plástico eles estavam dispostos a abandonar de vez.
Dando continuidade a essa conversa digital, a ONU Meio Ambiente lançou um curta-metragem para o Dia dos Namorados de 2018, pedindo aos espectadores que “terminassem” seus relacionamentos com o plástico, por meio de atitudes como substituir garrafas e sacolas descartáveis por outras reutilizáveis. O vídeo teve 3,4 milhões de visualizações. Uma sequência foi produzida em dezembro e foi vista 5 milhões de vezes pelos internautas.
A campanha Mares Limpos também lançou um Desafio de Volta às Aulas, junto com o estúdio de animação alemão Kurzgesagt, a fim de encorajar escolas e grupos de jovens a encontrar jeitos criativos de reduzir ou eliminar os plásticos descartáveis. O Kurzgesagt produziu um vídeo explicativo que comparava a tragédia do plástico moderno com a lenda do Rei Midas, que descobre o lado negativo do seu poder de transformar em outro tudo aquilo que toca.
O mundo dos esportes também abraçou a campanha Mares Limpos, transformando uma série de eventos em chamados à ação. Em janeiro, a corrida de Xiamen se tornou a primeira maratona internacional a aderir à campanha Mares Limpos, com os organizadores se comprometendo em reduzir os resíduos plásticos em 60%.
Os organizadores da regata Volvo Ocean Race 2017/18 conseguiram reduzir o uso de plástico em 12 cidades que fizeram parte da corrida e estavam espalhadas pelo seis continentes. A diminuição no consumo foi possível por meio do trabalho com fornecedores e negócios locais para reciclar materiais usados. Pontos de fornecimento de água evitaram o uso de 388 mil garrafas descartáveis. Cerca de 20 mil pessoas aderiram ao compromisso Mares Limpos.
A campanha Mares Limpos participou da regata com a jovem equipe do veleiro Turn the Tide on Plastic, que rodou o mundo junto com a competição. Capitaneada por Briton Dee Caffari, os velejadores também coletaram dados sobre oceanos remotos, medindo, por exemplo, os níveis da poluição por microplástico.
Em agosto do ano passado, o nadador de resistência Lewis Pugh concluiu o seu trajeto épico e recordista pelo Canal da Mancha, a fim de conscientizar as pessoas sobre a necessidade de proteger os nossos oceanos contra ameaças como a poluição plástica, a sobrepesca e as mudanças climáticas.
As empresas também têm um papel a desempenhar, particularmente na liderança de movimentos rumo a uma economia circular, que recuse o modelo “extrair-transformar-descartar”. O crescente clamor público por práticas mais sustentáveis não pode mais ser ignorado e a lógica econômica para justificar a inação está sendo vista cada vez mais como falsa.
Dos inovadores buscando alternativas para o plástico a conglomerados se comprometendo em tornar as suas embalagens mais fáceis de reciclar, a imaginação é o limite. Algumas dessas ideias geniais serão discutidas na quarta Assembleia Ambiental da ONU, no Quênia, em março. O lema do encontro é pensar além dos padrões predominantes e viver dentro dos limites sustentáveis.
A campanha Mares Limpos desencadeou uma revolução global em como vemos e usamos plástico. Mas ainda é preciso fazer mais e o tempo não está do nosso lado. Não tem solução milagrosa e a poluição plástica não pode ser neutralizada apenas por um setor da sociedade ou por um único país.
Para Jorge Carrión, o nosso gigantesco problema de plástico requer ações de todos nós.
“Com frequência, culpamos as empresas e não assumimos a nossa própria responsabilidade em comprar plásticos e, depois, em não reciclá-los”, afirma.
“Essas campanhas (como a Mares Limpos) ajudam a conscientizar as pessoas, mas também é necessário conscientizar os tomadores de decisão para que adotem políticas regionais e setoriais com um alcance maior.”
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