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Coexistência pacífica entre humanos e vida selvagem é possível, diz novo estudo

Escrito por Neo Mondo | 12 de julho de 2021

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A onça-pintada está entre espécies ameaçadas de extinção - Foto: Stella Ditt Pfundstein-Wikimedia Commons

POR - ONU NEWS / NEO MONDO

 
Pnuma apoia relatório recomendando aposta em investimento em pesquisa, vedação ao mesmo tempo que é reforçada a prevenção, mitigação e resposta; medidas podem proteger vida selvagem e impedir extinção de animais e plantas
  O Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, e a Rede WWF lançaram um relatório sobre o conflito entre os humanos e a vida selvagem. Os motivos das disputas incluem autodefesa, prevenção ou retaliação e podem levar à extinção de vários animais e plantas. O estudo “Um Futuro para Todos: A necessidade de coexistência entre humanos e animais selvagens” realça que, a longo prazo, o conflito homem-animal é a principal ameaça para espécies mais conhecidas como elefantes e tigres.
Fazendeiros
Os impactos podem variar desde perda de propriedades, de meios de subsistência e até mesmo de vidas humanas. De acordo com a pesquisa, fazendeiros brasileiros disseram que onças que tentam atacar o gado têm sido baleadas para evitar perdas nos rebanhos. A resposta foi dada por cerca de 88% dos entrevistados no Pantanal. A espécie de felinos já foi extinta em países como El Salvador e Uruguai devido ao tipo de prática. Além do impacto humano e sobre a vida selvagem, este conflito também tem efeitos em nível global. Agências e empresas de desenvolvimento sustentável sofrem pressão quando existe uma disputa entre formas de vida selvagem e comunidades locais próximas umas das outras.
Plantações
Apesar do grande perigo para a vida selvagem, o lado humano sofre perdas financeiras, além de ameaças à segurança, ao consumo alimentar e ao patrimônio. Mortes relacionadas a conflitos homem-animal afetam mais de 75% das espécies de felinos selvagens do mundo. Além de grandes herbívoros, como elefantes, o problema também prejudica os ursos polares e os lobos-marinhos que também são conhecidos como focas-monge-do-mediterrâneo. Em nível global, as populações de vida selvagem diminuíram 68%, desde 1970, por causa dos conflitos entre seres humanos e a vida selvagem. Na África,  por exemplo, a redução de populações de carnívoros levou ao aumento de babuínos que atacam o gado de comunidades pastoris. No Nepal, rinocerontes destroem plantações. Os lobos e ursos europeus matam rebanhos.
Pobreza
Em geral, o problema afeta de forma particularmente acentuada às comunidades mais pobres, se comparadas as que tenham melhores condições financeiras. A publicação realça que uma gestão eficaz e bem planejada deve ser associada a abordagens integradas para minimizar este tipo de conflito a longo prazo. A meta é destacar que existe o problema, reforçar parcerias e aumentar recursos para baixar os episódios de disputas entre humanos e a vida selvagem. O estudo sugere mais ações de pesquisa e prevenção para minimizar o fenômeno. A recomendação é que o foco das análises seja para compreender a origem do conflito, usando o mapeamento de pontos críticos e avaliando as atitudes da comunidade. A colocação de cercas e o uso de ferramentas de detecção precoce também são recomendados para evitar o conflito entre os humanos e a vida selvagem. As comunidades e os animais estariam vivendo em extremos opostos, longe uns dos outros.
Segurança
Diminuir os riscos de encontros perigosos por meio de uma forte combinação de prevenção, mitigação e resposta também aumentaria a segurança da população local, permitindo que a comunidade pudesse viver com maior segurança no dia a dia. O estudo, que teve contribuições de 155 especialistas de 40 organizações baseadas em 27 países, sublinha que com estas sugestões será possível proteger a vida selvagem e impedir a extinção de diversos animais e plantas no mundo.
Motoristas em áreas remotas da Namíbia são incentivados a ficar atentos aos elefantesMotoristas em áreas remotas da Namíbia são incentivados a ficar atentos aos elefantes - Foto: ONU Namíbia

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