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Escrito por Neo Mondo | 5 de outubro de 2018
“A carne é composta por aminoácidos (a base das proteínas), lipídeos (gorduras), minerais e água. Os animais usam os seus sistemas digestivo e muscular para transformar a vegetação e a água em carne. Nós estamos indo direto na planta, dispensando o animal e fabricando carne diretamente”, explica Brown.
O atual CEO da Beyond Meat conta que sempre se questionou se não existiria um jeito melhor de produzir proteína para o consumo humano. Afinal, cerca de 80% das terras sob atividade agrícola são usadas para a produção de ração para o gado ou para a pastagem. Outras preocupações o atormentavam — a pecuária não é uma das maiores fontes de emissões dos gases do efeito estufa? Certas quantidades e tipos de proteína animal não são prejudiciais para nossa saúde?
“Essas quatro coisas continuavam voltando à minha cabeça: saúde humana, mudanças climáticas, recursos naturais e implicações para o bem-estar animal (provocadas) pelo uso de animais para (fazer) carne. E o que me fascinava era que você podia enfrentar todas essas preocupações simultaneamente, apenas mudando a fonte de proteína para a carne, de animais para plantas”, afirma Brown.
Para o especialista, é necessário mudar o foco — da origem da carne para a sua composição.
“Milho, soja e trigo dominam a agricultura nos Estados Unidos. Podemos trocar isso. Se você pegar o mesmo pedaço de terra para cultivar proteína direto das plantas, podemos cortar os recursos naturais necessários, usando a terra mais eficientemente.”
Segundo uma pesquisa da Universidade de Michigan, na comparação com seu correlato de origem animal, o hambúrguer da Beyond Meat usa 99% menos água e 93% menos espaço de plantio em seu processo de produção, além de gerar 90% menos emissões de gases do efeito estufa e consumir 46% menos energia.
Brown defende a transição de áreas atualmente dedicadas à plantação de ração animal para safras de proteína que podem ser usadas diretamente para o consumo humano, sob a forma de carne feita de vegetais. Com isso, acredita o empreendedor, é possível promover o crescimento econômico sustentável em zonas rurais dos EUA e de outros países.
As descobertas levaram à criação da Impossible Foods, que produz carne sem animais. A companhia fixou uma meta ambiciosa — promover a eliminação do uso de animais na fabricação de comida até 2035.
Em relação ao hambúrguer bovino, o Impossible Burger utiliza 75% menos água e 95% menos terras aráveis em sua fabricação, gerando 87% menos emissões de gases do efeito estufa.
“Se tem algo que aprendi, é que os grandes problemas globais não são responsabilidades de outra pessoa. Esse problema não ia ser resolvido implorando aos consumidores para que comessem leguminosas e tofu, em vez de carne e peixe. E não seria suficiente encontrar apenas um jeito melhor de fazer carne. Para ter sucesso, precisaríamos fazer a melhor carne do mundo”, afirma O’Reilly.
Para o acadêmico e empreendedor, o uso de animais nos sistemas alimentares será em pouco tempo “uma tecnologia obsoleta”. Fazer carne diretamente das plantas permitirá diversificar e baratear a produção, além de tornar o alimento mais saudável, aposta o criador da Impossible Foods.
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