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Escrito por Neo Mondo | 15 de outubro de 2018
Quando paramos para avaliar cada ato de consumo é uma chance de identificar o que de fato nos motiva cada compra, sabendo distinguir entre as necessidades reais e as vontades de “compensar” um momento de baixa autoestima, de cansaço com o excesso de demandas da vida ou de frustração por não “se equiparar” a outras pessoas. Trata-se de um exercício fundamental para quem deseja ter um comportamento de consumo mais consciente.
Também é importante registrar as diferenças entre produtos que, embora desempenhem as mesmas funções, são distintos na origem das matérias primas, na forma de produção e nas atitudes das empresas que os produzem e comercializam, além de diferenças de durabilidade e de impactos quando descartados.
O protagonismo no consumo
Adotar o protagonismo no consumo, portanto, é considerar esses e outros fatores que diferenciam os produtos uns dos outros, e levam a uma escolha alinhada com os valores de cada consumidor. O consumidor consciente e protagonista considera os impactos positivos e negativos associados à produção, ao uso e ao descarte dos produtos, dando a eles a mesma importância que dá ao preço e à qualidade, e buscando, ao longo do tempo, alternativas para não só minimizar os impactos negativos como também para melhorar o impacto de seu consumo.
“Tudo isso pode, inclusive, implicar em uma redução do consumo, em um controle dos desejos mais materialistas, e numa percepção de que a boa sensação de satisfação, que se segue ao momento da compra, pode não se manter no tempo, levando, então, a uma vontade de consumir diferente”, avalia Helio Mattar.
Naturalmente, tais mudanças são maturadas em tempos longos, à medida em que a percepção dos impactos se confronta com os valores mais profundos de cada consumidor. “Não se trata de uma redução extrema no consumo, que nem mesmo é viável, mas significa avaliar cada decisão de compra, buscando optar pelos melhores impactos sobre o meio ambiente, sobre a vida das pessoas e, consequentemente, sobre nós mesmos”, completa o presidente do Akatu.
Pesquisas Akatu 2018 e 2012
Felizmente, os sinais de que isso vem ocorrendo podem ser detectados. A pesquisa Akatu 2018, por exemplo, avaliou o panorama do consumo consciente no Brasil e constatou que, consideradas dez dimensões do consumo como, por exemplo, água, mobilidade e alimentação, nós, brasileiros, optamos por caminhos de sustentabilidade em sete dessas dimensões e por caminhos do consumismo em apenas três.
O “estilo de vida saudável”, a “redução na quantidade de lixo gerado” e a “redução no impacto da geração de energia” foram alguns dos caminhos de sustentabilidade expressos como os mais desejados pelos consumidores.
A pesquisa do Akatu de 2012, Rumo à Sociedade do Bem-estar, perguntou “O que é felicidade para você?” como uma pergunta aberta. Dois terços das pessoas entrevistadas afirmaram que ser feliz é estar saudável e/ou ter sua família saudável e, para 60%, é estar na companhia de amigos e familiares. Assim, a felicidade se encontra no que as pessoas têm de mais humano, no bem-estar próprio e no daqueles que gostamos, compartilhando a vida com eles.
O dia do consumo consciente é uma boa oportunidade para refletir se cada um de nós está vivendo e consumindo de forma alinhada com o que é realmente importante na nossa vida. E, se fizermos parte desses dois grupos (o que valoriza a saúde e o que valoriza o encontro com pessoas queridas), teremos a certeza de que o consumo não é o centro de nossa existência. Ao contrário, o que há de mais humano deve estar no centro da vida. E o nosso consumo deve gradualmente refletir esse valor. O viver como protagonista do próprio modelo de consumo é fazer essas escolhas sempre lembrando do que é realmente importante para nós e para nossos afetos, tendo o consumo como uma escolha e não como uma obrigação. Certamente, a vida será melhor, menos estressada e mais gratificante.
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