Ciência e Tecnologia Destaques Economia e Negócios Emergência Climática Meio Ambiente Saúde Segurança Sustentabilidade Tecnologia e Inovação
Escrito por Neo Mondo | 16 de setembro de 2025
Hoje, a camada de ozônio dá sinais de recuperação – uma prova viva de que ciência, política e sociedade podem transformar o futuro - Foto: Ilustrativa/Freepik
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
O Protocolo de Montreal celebra 35 anos e nos lembra que proteger a atmosfera é possível quando ciência, política e sociedade trabalham juntas. Mas será que estamos prontos para dar o próximo passo rumo a um futuro verdadeiramente sustentável?
Em 16 de setembro, o mundo celebra o Dia Internacional da Preservação da Camada de Ozônio, uma data que vai muito além de um simples lembrete ambiental. Ela marca a criação do Protocolo de Montreal, em 1987, um dos tratados internacionais mais bem-sucedidos da história. Seu objetivo era ambicioso: eliminar substâncias que destroem a camada de ozônio, como os CFCs (clorofluorcarbonetos) e os HCFCs (hidroclorofluorcarbonetos), usados em refrigeradores, sprays aerossóis e sistemas de ar condicionado.
Leia também: Dia Internacional para a Preservação da Camada do Ozônio destaca recuperação - 2023
A camada de ozônio é como um escudo invisível, que filtra a radiação ultravioleta nociva do Sol. Sem ela, os riscos de câncer de pele, catarata e danos aos ecossistemas seriam imensos. Foi na década de 1980 que cientistas detectaram o famoso "buraco na camada de ozônio" sobre a Antártica — uma descoberta que chocou o mundo e acelerou negociações internacionais.
O Protocolo de Montreal se tornou exemplo de cooperação global, reunindo praticamente todos os países da ONU em torno de um objetivo comum. Hoje, graças a esse esforço, a camada de ozônio está em processo de recuperação e deve voltar aos níveis pré-1980 até meados de 2060, segundo a ONU. Um feito impressionante, que prova que a ação coletiva funciona.
No Brasil, o compromisso com o Protocolo de Montreal se materializou no Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Os números são expressivos: 63% de redução no consumo dessas substâncias até 2023.
Esse avanço não aconteceu por acaso. Ele exigiu modernização industrial, inovação tecnológica e conscientização de toda a cadeia produtiva. Fabricantes de eletrodomésticos investiram em alternativas mais limpas, empresas de refrigeração adotaram gases menos agressivos e consumidores passaram a ter acesso a produtos mais sustentáveis.
Mas o desafio vai além da troca de substâncias. É preciso pensar no ciclo de vida de tudo o que produzimos e consumimos. A cada geladeira trocada, ar-condicionado descartado ou produto químico substituído, surgem perguntas sobre como gerenciar esse resíduo de forma responsável. Sustentabilidade não é só meta, é cultura.
Se o Protocolo de Montreal mostrou que é possível reverter danos ambientais, a economia circular surge como o próximo passo. Ela questiona o modelo linear de produção — aquele do “extrair, fabricar, usar e descartar” — e propõe um ciclo contínuo em que tudo se transforma, nada se perde.
Na prática, isso significa repensar desde o design de um produto até o destino final de seus componentes. Empresas que adotam essa lógica conseguem reduzir emissões de gases de efeito estufa, prolongar a vida útil de materiais e gerar menos resíduos.
Como bem disse Augusto Freitas, presidente-executivo da Cristalcopo e fundador do projeto Recicla Junto:
“Praticar a economia circular é uma forma concreta de transformar esse cuidado em ação. Quando repensamos o ciclo de vida dos produtos e damos novos significados aos resíduos, estamos contribuindo para um futuro mais equilibrado, tanto ambiental quanto socialmente.”
Esse é o tipo de iniciativa que conecta o consumidor ao propósito de cuidar do planeta. Projetos como o Recicla Junto mostram que pequenas escolhas cotidianas — separar resíduos, devolver embalagens para reciclagem, preferir marcas engajadas — têm impacto coletivo.

Celebrar o Dia Internacional da Camada de Ozônio é também um convite à introspecção. Não basta depender de grandes tratados ou esperar que governos façam todo o trabalho. Cada pessoa é corresponsável pelo equilíbrio do planeta.
Um estudo de 2024 sobre maturidade ESG nas empresas brasileiras, realizado por Beon ESG, Nexus e Aberje, revelou que 51% das médias e grandes empresas já adotam estratégias sustentáveis — um avanço notável em relação a 2021. Mas os pesquisadores foram claros: o grande desafio é fazer com que ESG não seja apenas uma pauta para relatórios anuais, mas parte da cultura organizacional.
Na prática, isso significa:
O sucesso do Protocolo de Montreal nos mostra que transformações profundas são possíveis quando ciência, política e sociedade se unem. Mas os desafios ambientais de hoje são ainda maiores: mudanças climáticas, poluição plástica, perda de biodiversidade e crises hídricas exigem respostas mais rápidas e integradas.
Cuidar da camada de ozônio é cuidar do nosso futuro. É garantir que as próximas gerações tenham um céu seguro e um planeta habitável. É transformar cada decisão — empresarial, governamental ou individual — em um ato de responsabilidade.
Celebrar esta data é, sobretudo, um lembrete de esperança. Se conseguimos reverter um problema global como o buraco na camada de ozônio, podemos também enfrentar a crise climática. Mas isso depende de escolhas diárias: de empresas que investem em economia circular, de governos que incentivam inovação verde e de cidadãos que consomem de forma consciente.
O Dia Internacional da Camada de Ozônio não é apenas uma data comemorativa. É um símbolo de que é possível mudar o rumo da história. Que possamos usar este 16 de setembro como um ponto de virada, lembrando que o planeta é um bem comum e que proteger sua atmosfera é uma tarefa coletiva — uma que exige coragem, inovação e compromisso.
Semente de planta comum no Brasil mostra potencial para remoção de microplásticos da água
Bioinsumo à base de microalgas pode reduzir a dependência de fertilizantes agrícolas