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Do campo à cozinha: a inovação da Gallo que transforma resíduo em nutrição

Escrito por Neo Mondo | 16 de setembro de 2025

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Da azeitona ao prato: sustentabilidade que inspira - Foto: Divulgação/Gallo

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

Entrevista com Yasmin Roiter, gerente de marketing da Gallo Brasil

O que antes era descartado como resíduo, agora chega à mesa dos brasileiros como símbolo de inovação e sustentabilidade. Assim nasce o De Olliva, novo óleo da Gallo, produzido a partir do bagaço da azeitona — a polpa, a casca e até o caroço que antes ficavam de fora do processo produtivo.
Mais do que um ingrediente versátil, o produto representa uma mudança cultural: valorizar cada parte do alimento e repensar o impacto da indústria na natureza.

Para entender melhor essa transformação, conversamos com Yasmin Roiter, gerente de marketing da Gallo Brasil, que compartilhou bastidores, desafios e inspirações desse projeto que une saúde, inovação e consciência ambiental.

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NM - O De Olliva nasce de uma ideia que parece simples, mas é profundamente transformadora: aproveitar o que antes era considerado resíduo. Qual foi o maior desafio em transformar o bagaço da azeitona em um produto de valor e como esse processo mexeu com o jeito de a Gallo enxergar a própria cadeia produtiva?

Esse lançamento significou ampliar nossa atuação para uma categoria diferente do azeite, com a qual ainda não trabalhávamos. Foi um movimento que exigiu adaptação de processos, aprofundamento técnico, desenvolvimento de novos parceiros e, principalmente, a missão de educar o consumidor sobre essa nova possibilidade de uso.

Nosso maior desafio foi preparar o mercado brasileiro para receber essa categoria que, apesar de consolidada em diversos países, ainda era inédita por aqui. O óleo de bagaço de oliva, conhecido internacionalmente como aceite de orujo de oliva, tem tradição na Europa, especialmente na culinária espanhola, onde é valorizado pela resistência ao calor, sabor neutro e benefícios nutricionais.

Trazer o De Olliva para o Brasil é, para nós, uma forma de democratizar o acesso a uma gordura saudável no dia a dia, respeitando o jeito brasileiro de cozinhar e contribuindo para reduzir desperdícios na cadeia produtiva do fruto.

NM - No Brasil, a cozinha carrega afeto, história e tradição. Como você enxerga a chegada de um óleo com essa proposta de sustentabilidade e saúde dentro das casas brasileiras? O que mudou na forma de dialogar com esse consumidor que busca praticidade, mas também consciência?

A cozinha brasileira é feita de afeto, mas também de muita praticidade no dia a dia. O De Olliva nasce justamente para unir esses dois aspectos: traz benefícios reais à saúde, contribui para um consumo mais consciente e, ao mesmo tempo, se adapta ao ritmo da rotina.

Sabemos que o óleo de bagaço de oliva ainda é pouco conhecido pelo público brasileiro, e percebemos que para dialogar com esse consumidor não adianta falar de sustentabilidade de forma distante, técnica. É preciso mostrar como isso cabe num simples refogado ou numa fritura. Por isso, desde o lançamento de De Olliva investimos em projetos que aproximam essa mensagem.

Essas ações incluem parcerias com os embaixadores de De Olliva, a chef Irina Cordeiro e o músico e cozinheiro Diogo Nogueira, que mostram na prática como esse novo óleo de cozinha pode ser incorporado à rotina da cozinha brasileira. Dessa forma, conseguimos traduzir consciência em algo acessível e que respeita o jeito brasileiro de cozinhar.

NM - O conceito de upcycling ainda soa distante para muita gente. Como foi traduzir essa ideia, tão ligada à inovação, em algo próximo e que gera identificação nas pessoas comuns?

A nossa estratégia foi simplificar a mensagem e passar confiança. Em vez de falar de upcycling de forma abstrata, mostramos que o De Olliva aproveita ao máximo a azeitona que é fruto muito rico nutricionalmente, isso tudo com apoio de nutricionistas que reforçam a segurança do produto e seus benefícios, sempre com foco em informação acessível e confiável. Assim, o consumidor entende que o óleo que não conseguiu ser extraído na extração do azeite de oliva, e que seria descartado, volta à mesa como um produto saudável e nutritivo, reforçando que sustentabilidade pode estar presente em algo tão cotidiano quanto cozinhar um arroz ou grelhar uma carne.

foto do azeite De olliva, da Gallo
Foto: Divulgação/Gallo

NM - Você mencionou que agora cada parte da azeitona é valorizada. Esse simbolismo de respeito à natureza é poderoso. Na sua visão, esse tipo de mensagem já consegue influenciar hábitos de consumo ou ainda temos um longo caminho pela frente no Brasil?

Acreditamos que essa mensagem já começa a influenciar, mas o caminho ainda é de construção. Segundo dados da Euromonitor, 6 em cada 10 brasileiros já afirmam priorizar alimentos com benefícios à saúde, o que mostra uma mudança de mentalidade. No mesmo sentido, um levantamento da Economist Intelligence Unit (EIU) apontou um aumento global de 71% nas buscas por produtos sustentáveis, com destaque para o Brasil, onde as menções sobre o tema cresceram 82%.

Esses números revelam uma tendência clara, mas sabemos que é preciso traduzir esses conceitos em escolhas práticas e acessíveis. Foi nesse contexto que o De Olliva nasceu como uma solução real para o dia a dia: aproveitando melhor a cadeia produtiva do azeite de oliva e dando vida a um óleo para cozinhar, com benefícios nutricionais similares ao azeite e com bom custo-benefício. Aos poucos, acreditamos que essas escolhas cotidianas vão moldando novos hábitos de consumo.

NM - Se pensarmos nas grandes tendências globais da alimentação — saudabilidade, sustentabilidade e inovação — onde você colocaria o De Olliva nesse mapa? Ele é um primeiro passo ou já pode ser visto como um divisor de águas para a indústria de azeites?

O De Olliva está exatamente no ponto de encontro dessas três tendências. É um óleo nutritivo, que nasce de um processo de upcycling e traz inovação ao transformar resíduo em valor. Para nós, ele representa mais do que um primeiro passo. Mostra como é possível fazer um melhor aproveitamento da nossa cadeia produtiva, levando à mesa do consumidor um produto saudável e acessível.

NM - No lado mais pessoal: qual foi o momento em que você percebeu de fato o impacto que esse produto poderia ter? Teve alguma história, talvez de consumidor ou mesmo dentro da própria Gallo, que te marcou?

O momento em que realmente percebemos o impacto do De Olliva veio das conversas com consumidores ao longo do desenvolvimento do projeto. Realizamos diversas rodadas de conversa para colher percepções e validar o conceito do produto, nesses encontros foi possível sentir o entusiasmo das pessoas ao descobrir que a Gallo estava trazendo uma opção de óleo de cozinha mais saudável que os convencionais e mais acessível que o azeite de oliva. Nessas interações, ficou evidente que o produto não era apenas “aprovado”, mas atendia a um desejo real dos consumidores.

Hoje, ao levar a marca para mais pessoas, esse sentimento se reforça. É especial perceber o entusiasmo de chefs e embaixadores, como Irina Cordeiro e Diogo Nogueira, que rapidamente enxergaram no De Olliva um aliado prático e saudável para o dia a dia na cozinha, assim como de nutricionistas com quem temos conversado. Esses momentos reforçam que o produto pode, de fato, transformar hábitos e trazer impacto real para o cotidiano das pessoas.

NM - Por fim, olhando para o futuro: qual é o próximo sonho da Gallo em termos de sustentabilidade e inovação? Se você pudesse imaginar a mesa das famílias brasileiras daqui a 10 anos, o que não poderia faltar nela?

Daqui a 10 anos, imaginamos mesas brasileiras com alimentos que unam sabor, saúde e respeito ao planeta, onde escolhas conscientes não sejam uma exceção, mas o padrão. O De Olliva é parte desse caminho, mas seguimos atentos a novas formas de aproveitar recursos, reduzir desperdícios e levar inovação ao consumidor de forma acessível.

O De Olliva mostra que inovação não é só tecnologia, mas também uma mudança de olhar: enxergar valor onde antes havia desperdício. Ao reaproveitar integralmente a azeitona, a Gallo não apenas lança um produto, mas planta uma ideia poderosa — de que o futuro da alimentação passa por escolhas conscientes e pelo respeito à natureza.

Na conversa com Yasmin Roiter, fica evidente que esse é apenas o começo de uma jornada. Uma jornada em que o sabor, a saúde e a sustentabilidade andam lado a lado.

Para saber mais sobre a Gallo, clique AQUI.

Yasmin Roiter - Gerente de Marketing da Gallo Brasil e possui mais de 10 anos de experiência na área, com passagens por branding, comunicação, trade marketing, inovação e gestão de portfólio. Desde 2015 na companhia, liderou projetos estratégicos de expansão de marcas, desenvolvimento de novos produtos e campanhas de grande impacto. É formada em Publicidade e Propaganda pelo Mackenzie e tem MBA em ESG pelo Ibmec.

foto de Yasmin Roiter é gerente de Marketing da Gallo Brasil
Yasmin Roiter - Foto: divulgação

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