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Escrito por Neo Mondo | 19 de julho de 2018
Os pesquisadores avaliaram o crescimento da produção, da produtividade e da eficiência das safras agrícola e pecuária brasileiras nas últimas décadas a fim de estimar os impactos da expansão e intensificação dessas atividades nas metas de desmatamento zero e de redução das emissões de gases de efeito estufa pelo setor agropecuário.
Para isso, usaram métodos estatísticos de modo a converter as safras agrícola e pecuária brasileira de 1975 a 2006 em proteína e energia. Os dados foram relacionados com estimativas de emissões diretas de gases de efeito estufa.
As análises dos dados mostraram que houve crescimento da área plantada com culturas agrícolas em todas as regiões do Brasil, enquanto a área de pastagem diminuiu no Sul e Sudeste e aumentou na região Norte. A produção das duas atividades aumentou no mesmo período em todas as regiões, com destaque para o Centro-Oeste. Porém, há uma grande diferença nas taxas de crescimento de produção e de produtividade entre os cultivos e as pastagens.
Em 2006, por exemplo, a produção de proteína vegetal foi 20 vezes maior que a de proteína bovina, mesmo que a agricultura ocupe uma área 2,6 vezes menor que as de pastagens – de 160 milhões de hectares contra 61 milhões de hectares de lavoura.
A produtividade agrícola no mesmo ano também foi 25 vezes maior do que a pecuária. Enquanto a agricultura produziu 0,25 tonelada de proteína vegetal por hectare e 2 toneladas de gases de efeito estufa (GEE) por tonelada de proteína, a pecuária produziu 0,01 tonelada de proteína animal por hectare e 283 toneladas de GEE por tonelada de proteína.
“A safra agrícola de 2006 foi suficiente para suprir as necessidades de proteína de 1,3 bilhão de pessoas, enquanto a de pecuária garantiria as necessidades de 66 milhões de pessoas”, disse Guedes.
O estudo também apontou que, embora o sistema de produção de carne de aves e suínos seja mais eficiente que o de pecuária para a produção de proteína, ele é seis vezes menos eficiente do que o de proteína vegetal como fonte primária de alimentos.
“Mesmo assim, as análises indicaram que entre 1975 e 2006 a proporção da produção vegetal destinada à ração para a criação de frangos e porcos aumentou, enquanto diminuiu a proporção destinada diretamente para a alimentação humana”, disse Guedes.
Caminho para expansão
Na avaliação dos pesquisadores, os achados do estudo sugerem que alcançar o desmatamento zero, o uso eficiente da terra e sistemas alimentares mais sustentáveis no Brasil exigirão uma combinação de intensificação de sistemas de pastagem e pecuária, otimização de sistemas de alimentação animal, aumento da participação do consumo de culturas como fonte de proteína e alinhamento de políticas que afetam a silvicultura e a agricultura.
Uma vez que atingir essas metas será um grande desafio, eles sugerem no estudo um caminho para a expansão e a intensificação da agropecuária visando desmatamento zero e sistemas de uso da terra e de produção de alimentos sustentáveis.
Alcançar o desmatamento zero, o uso eficiente da terra e sistemas alimentares mais sustentáveis exigirão uma combinação de fatores, apontam pesquisadores do projeto Atlas da Agropecuária Brasileira, apoiado pela FAPESP
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