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Escrito por Neo Mondo | 1 de junho de 2018

70% menos gordura nas batatas palito
Batatas cozidas com ar quente é opção para reduzir teor de gordurasPara a batata palito, a pesquisadora Rosemar Antoniassi trabalhou a redução de gordura por meio do cozimento sob ar quente de batatas pré-fritas congeladas adquiridas no varejo. O processamento de cozimento com ar quente permitiu substancial redução de 70%, aproximadamente, do teor de lipídios ou de gorduras, em relação à batata frita em óleo. O preparo com ar quente pode ser uma alternativa para redução de consumo de gordura. As batatas foram avaliadas com relação à aceitação global, sabor e consistência. Testes de aceitação foram realizados com os grupos alvo do projeto, alunos de escolas municipais e alunos de curso técnico em alimentos, utilizando a marca comercial de maior aceitação no estudo realizado na Embrapa. Participaram do estudo 84 crianças entre 11 e 13 anos (96%). Cerca de 90% dos participantes atribuíram notas de aprovação para aceitação global que ficaram entre 4 (gostei) e 5 (adorei). Quando perguntados se consumiriam a batata, considerando a redução de gorduras que ela apresentava, se o produto estivesse disponível em casa, 80% delas responderam sim. Além das crianças, participaram 68 jovens com idade entre 14 e 25 anos (80%) com escolaridade nível fundamental e médio incompleto, que consumiam batata frita de vez em quando ou sempre. A percentagem de jovens que atribuíram notas de aprovação para aceitação global foi de 98%, e 80% afirmaram que consumiriam o produto. |

Pãozinho mais saudávelO pão de sal ou francês é alimento presente na dieta diária de grande parte da população brasileira. Por isso, o produto foi escolhido para ter sua aceitabilidade testada com teor reduzido de sal. As pesquisadoras Cristina Takeiti e Melícia Galdeano investigaram qual o nível de redução de sal é percebido sensorialmente e como isso afeta a aceitação dos pães. Inicialmente foram produzidos pães com teor de sal na quantidade padrão (1,8%) e testadas formulações com teores reduzidos de sal (1,6%; 1,5% e 1,4%) a fim de definir em qual percentual as propriedades sensoriais e de volume específico dos pães seriam afetadas. Observou-se que a mínima diferença perceptível foi 0,3% de sal, esse valor foi usado como variação das amostras nas avaliações até a identificação do ponto de rejeição. Concluiu-se que é possível uma redução do teor de sal para 1,5% sem que seja percebida pelos consumidores e sem prejudicar o volume específico dos pães. Teores menores de 1,5% de sal foram percebidos pelos consumidores, no entanto, a rejeição do produto só foi atingida em pães produzidos com 1,2% de sal. A maioria das populações consome mais sal do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a prevenção de doenças. A OMS também aponta que o grande consumo de sal é um importante determinante de hipertensão e risco cardiovascular. Como o Rio de Janeiro é o segundo estado com maior número de padarias do Brasil, foi realizado também um trabalho de informação por meio de palestras e testes sensoriais com os padeiros em formação nos cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), para orientá-los no uso controlado de sódio nas formulações de pães. |
Como é feita a pesquisa
Consumo elevado de açúcar por 61% da população
DCNT respondem por 63% das mortes no mundoAs doenças crônicas não transmissíveis são as principais causas de morte no mundo, correspondendo a 63% dos óbitos, segundo dados de 2008. A maioria dos óbitos por DCNT é atribuída a doenças do aparelho circulatório, câncer, diabetes e enfermidades respiratórias crônicas. As principais causas dessas doenças incluem fatores de risco modificáveis, como tabagismo, consumo nocivo de bebida alcoólica, inatividade física e alimentação inadequada. Entre as políticas de DCNT no Brasil destaca-se a Política Nacional de Promoção da Saúde, aprovada em 2006, que prioriza ações de alimentação saudável, atividade física, prevenção ao uso do tabaco e álcool. Entre as ações para alimentação, há iniciativas como o incentivo ao aleitamento materno e à alimentação complementar saudável e o Guia Alimentar para a População Brasileira. Além disso, foram realizados acordos com a indústria para a redução do teor das gorduras trans e acordos voluntários de metas de redução de sal em 10% ao ano em alimentos industrializados. Segundo Eduardo Nilson, coordenador-substituto de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, o Brasil aplica o método de reduções graduais dos teores de açúcar, sódio (sal) e gordura, seguindo as bem-sucedidas experiências internacionais. Isso tem sido feito por meio de negociações com as associações representativas da indústria, como a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) e a Associação Brasileira da Indústria de Panificação (Abip), com a participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Nas negociações são pactuadas metas de redução que visam melhorar o perfil dos produtos processados. “É uma maneira de alcançar grande fatia do mercado representado pelas associações e evitar o vínculo a apenas uma marca ou outra”, aponta Nilson. Desde 2011, vige um acordo para a redução de sal que, ao longo de seis anos, alcançou reduções médias de 5% a 30% dependendo do produto.
Nilson atribui importância à pesquisa científica e tecnológica para o alcance dos objetivos da Política Nacional de Promoção à Saúde: “Buscamos cada vez mais envolver a comunidade científica, pois a redução dos teores desses ingredientes é um desafio complexo que tem implicações tecnológicas e sensoriais. O processo tem que ser gradual para que o consumidor tenha tempo de se adaptar, aos poucos, aos níveis menores”, explica. |
Além da COP: em Santa Marta, países constroem a arquitetura política do fim dos combustíveis fósseis
O rio que a cidade enterrou voltou para cobrar a conta