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Escrito por Neo Mondo | 15 de agosto de 2018
O pesquisador da Universidade de Harvard David Deming nos traz um alento com o estudo publicado em 2017, A crescente importância de habilidades sociais no mercado de trabalho, que demonstra, ao contrário de muitas previsões catastróficas, um aumento na oferta de empregos para funções que requerem alto grau de interação humana. Ele mostra ser pouco provável que softwares e sistemas inteligentes se tornem mais capazes que nós, humanos, na execução de tarefas que envolvam relações complexas e dependam de empatia, como ensinar, aconselhar e cuidar, por exemplo. E mesmo as profissões baseadas na transformação digital, na inteligência artificial, na robótica e afins exigirão habilidades de relacionamento e cooperação cada vez mais sofisticadas e necessárias ao trabalho em equipes, que, por sua vez, serão cada vez mais diversificadas.
Portanto, será fundamental que os jovens tenham a mente aberta e busquem ser muito bons no trabalho coletivo e na colaboração com outras pessoas. Um enorme desafio considerando que a sociedade moderna caminha na direção inversa, com crescente número de jovens que dedicam cada vez mais tempo aos computadores, TVs e smartphones que às relações e interações diretas com outras pessoas. E, pior, muitos tem sido capturados pela polarização e pelos embates, muitas vezes agressivos, que emergem da Internet e das mídias sociais.
Sebastian Gallander, que é diretor-executivo da Fundação Vodafone, na Alemanha, organização dedicada a fortalecer a coesão social na era digital, destaca o Movimento Escoteiro por se constituir em um caminho para o fortalecimento das habilidades dos nossos jovens, em especial as aptidões que não são inatas e precisam ser adquiridas e desenvolvidas desde a mais tenra idade. Interessantemente, escolas inglesas já desenvolvem programas-piloto que buscam sinergia e complementaridade com o Movimento Escoteiro, com resultados muito positivos, como melhorias na liderança, na comunicação e no relacionamento geral dos alunos com a escola.
O Movimento Escoteiro foi fundado em 1907 pelo general inglês Robert Baden-Powell que, sem incorporar a rigidez militar ao movimento, aproveitou os elementos positivos de fomento à camaradagem, iniciativa, coragem e autodisciplina para consolidar um movimento juvenil mundial, sem fins lucrativos e fortemente fundado na educação e no voluntariado. Por meio desse Movimento, meninos e meninas aprendem o que importa na vida em geral, de que maneira se organizar em pequenos grupos, como lidar com conflitos e ajudar os outros, práticas que conduzem a compreender e gradualmente incorporar valores como solidariedade, perseverança e resiliência, essenciais numa sociedade em transformação, repleta de desafios.
Trata-se, na verdade, de um fenômeno global, como demonstram os números antecipados para o seu próximo encontro — denominado Jamboree Mundial— a ser realizado em julho/agosto de 2019 nos EUA. Ali estarão reunidos 50 mil jovens de mais de 160 organizações escoteiras nacionais representando mais de 200 nações e territórios, em uma celebração única de intercâmbio cultural, compreensão mútua, paz e amizade. No Brasil, o Movimento Escoteiro conta com mais de 105 mil participantes - entre jovens e cerca de 25 mil adultos voluntários, em mais de 600 cidades.
O escotismo é, portanto, um dos melhores exemplos de esforço coletivo para promover habilidades sociais e emocionais nas nossas crianças e jovens. A palavra “escoteiro” significa “explorador”, o que vai na frente, o que dá a notícia do que está para acontecer, de modo similar aos muitos pioneiros que contribuíram para a construção da nossa história. Neste momento de mudanças profundas que a sociedade vive, é fundamental valorizar e jogar luz nessas experiências exitosas que contribuem para a formação e crescimento das nossas crianças e jovens, que precisam ser norteados a se tornarem cidadãos ativos e agentes de mudança positiva neste mundo mutável e desafiador à nossa frente.
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