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Escrito por Neo Mondo | 4 de setembro de 2025
Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Em entrevista exclusiva ao Neo Mondo, o CEO da Equipa Group fala sobre a nova sede sustentável em São Roque, a certificação como Empresa B e o impacto inovador do Projeto Tran$forma, que reaproveita papel-moeda inutilizado em novos usos circulares
A sustentabilidade deixou de ser discurso para se tornar prática concreta — e a nova sede da Equipa Group, em São Roque (SP), é a prova disso. Inaugurado recentemente, o espaço de 10 mil m², resultado de um investimento de R$ 30 milhões, abriga centro de economia circular, áreas de inovação, ambientes colaborativos, setor fabril e estruturas para capacitação profissional. Com clientes globais como L’Oréal, Chanel, Samsung e Coca-Cola, a companhia é pioneira em integrar impacto social, ambiental e econômico em cada projeto, sendo certificada como Empresa B desde 2022. À frente dessa transformação está Patrício Malvezzi, CEO da Equipa Group, que traz a sustentabilidade como pilar central de todos os seus empreendimentos. Entre as iniciativas mais inovadoras, está o Projeto Tran$forma, que dá um novo destino a um resíduo inusitado: cédulas de dinheiro inutilizadas, transformadas em mobiliário, peças artísticas e objetos funcionais dentro de um conceito de economia circular.
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Nesta entrevista exclusiva ao Neo Mondo, Patrício fala sobre os desafios de liderar uma empresa que redefine padrões no setor de mobiliário para ponto de venda, os impactos de ser uma Empresa B e sua visão sobre o futuro da economia circular no Brasil.

Acompanhe a entrevista:
Se não fosse CEO da Equipa Group, em qual profissão você se imaginaria atuando hoje?
Na área da construção civil, construindo diferentes tipos de obras: infraestrutura, prédios. E, se não, na área do mercado financeiro, em operações e trade. Trabalhando pontualmente com oportunidades, fórmulas e operações — tudo muito dinâmico. Gosto de coisas que mudam constantemente.
Você tem algum ritual ou hábito pessoal que o ajuda a manter o equilíbrio entre inovação, sustentabilidade e liderança?
Uso o princípio do esporte, especialmente o rugby, que exige constante concentração. É um jogo em que há um ambiente de extremo dinamismo, como no mundo empresarial e dos negócios. E ainda precisamos trabalhar com tolerância, respeito, otimismo e muito treino — treino duro, para evoluir. Essa evolução nos permite começar a melhorar e inventar jogadas, que eu chamo de inovar. Somos uma empresa de inovação, isso está no nosso DNA.
No rugby, trabalhamos com diferentes biotipos e especialistas; aqui na Equipa também. Por isso digo que o rugby é meu ritual, meu equilíbrio entre inovação, sustentabilidade e liderança. E, ainda assim, é preciso superar-se. Eu trabalho em um time. O rugby não se joga apenas com 15, mas com outros 15 que ajudam os 15 melhores a começar o jogo.
A Equipa Group acaba de inaugurar uma sede sustentável em São Roque, um marco para a empresa e para o setor. Qual foi o maior desafio em transformar esse sonho em realidade?
O maior desafio foi gerenciar a ansiedade. Desde que começamos a materializar o projeto até o momento de realmente poder produzir e trabalhar lá dentro, foi um tempo importante. Mas o desafio real foi o crescimento: para nós, para a empresa, para o grupo, para as pessoas, para os profissionais.
Ter um espaço com essas características, com tudo concentrado em um mesmo ambiente — equipamentos, ideias, tecnologias — é como uma rua muito grande a ser preenchida. Isso traz desafios positivos e muita novidade.
A certificação como Empresa B trouxe que tipo de transformação interna e externa para a Equipa Group?
Quando fomos certificados, três anos atrás, sentimos honra por sermos os primeiros na época a conquistar esse selo como indústria moveleira na América Latina. Continuamos sendo reconhecidos como pioneiros, mas agora, recertificados, temos um sentimento ainda maior de orgulho, porque significa que estamos fazendo as coisas como planejamos e propusemos três anos atrás.
A recertificação é motivo de continuar elevando o patamar. Internamente, representa evolução; externamente, nossos clientes também compartilham esse orgulho e reconhecem nossas metodologias. É impacto positivo para todos os lados.
O Projeto Tran$forma, que reaproveita papel-moeda inutilizado, é uma iniciativa inovadora e curiosa. Como surgiu a ideia e quais foram os maiores aprendizados até aqui?
A ideia surgiu em 2011, a partir de uma problemática do Banco Central na época: o descarte de resíduos pós-consumo do meio circulante. Enxergamos a possibilidade de usar isso como matéria-prima para fabricar chapas, substituindo MDF, MDP e OSB, por exemplo. Começamos a desenvolver soluções, migramos depois para o acrílico e, posteriormente, entramos em parceria com a Casa da Moeda para enfrentar juntos a problemática dela, que envolve outra matéria-prima, chamada “virgem”.
Com a Casa da Moeda, construímos a Tran$forma, que já gerou soluções inovadoras a nível global: papel de segundo ciclo, mobiliário, equipamentos urbanos, cadeiras e chapas. Já fizemos exposições na Japan House, na Avenida Paulista.
O principal aprendizado é que todos os materiais merecem um segundo ciclo. Muitos resíduos tratados como lixo podem ser tratados como matéria-prima. Também aprendemos que precisamos dar rastreabilidade e transparência ao ciclo e pós-ciclo dos materiais para aproveitá-los corretamente em sua máxima capacidade.

No Brasil, ainda existe a percepção de que projetos sustentáveis “custam mais caro”. Como você responde a quem enxerga a sustentabilidade como gasto, e não como investimento?
Há uma percepção de que projetos sustentáveis são mais caros, sem ROI ou payback, ou que seriam apenas ações de marketing. Sim, existem iniciativas que não se pagam e acabam sendo fachada. Mas também existem muitas que dão retorno.
Reciclar, reaproveitar, fazer upcycling de materiais e usar mão de obra em vez de matéria-prima virgem acaba compensando. O preço final pode ser igual, 5 a 10% acima ou até 5% abaixo. Isso gera impacto positivo em toda a cadeia de valor, sobretudo na geração de empregos e na redução de resíduos.
É claro que existem projetos caríssimos, porque levam muito tempo para serem desenvolvidos. Mas quando há volume, escalabilidade e pensamento circular, até ocorre saving em alguns casos.
Entendo que tudo é investimento. No meu caso, desde que decidi investir em sustentabilidade, os resultados foram positivos. Geramos impacto positivo, aprendemos, ensinamos e mostramos ao mercado que há iniciativas viáveis. O essencial é repensar modelos de construção, durabilidade e engenharia.
O setor de mobiliário para PDV envolve grandes volumes de materiais e logística. Você acredita que já é possível falar em cadeia 100% circular ou ainda estamos longe disso?
No Brasil, como um todo, estamos muito longe. Mas nós, como grupo, estamos em processo de garantir rastreabilidade de ponta a ponta: matérias-primas, processos, engenharia, produção, logística, logística reversa, reutilização em ciclos sucessivos, monitoramento, auditoria e projetos de maior durabilidade.
Podemos dizer que dominamos a circularidade em todos os materiais, campanhas e equipamentos que gerenciamos.
Vale ressaltar que o mercado de materiais para PDV tem “resíduos fantasmas”. Como setor, não temos ideia precisa de quanto se consome ou descarta, nem como se descarta.
Ao final da conversa, fica claro que Patrício Malvezzi não enxerga a sustentabilidade como um rótulo, mas como um caminho sem volta — e que pode, sim, ser inovador, rentável e até divertido. Afinal, quem imaginaria que cédulas de dinheiro inutilizadas poderiam virar mesas, obras de arte e peças de design?
Mais do que uma sede moderna ou um projeto pioneiro, a mensagem da Equipa Group é simples e poderosa: quando o propósito guia a inovação, o impacto positivo é inevitável. E, nesse cenário, Patrício mostra que liderar também é acreditar no futuro — um futuro circular, colaborativo e, acima de tudo, sustentável.
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