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Escrito por Neo Mondo | 30 de maio de 2018
“Esta publicação consolida um método que vimos desenvolvimento no Observatório do Clima ao longo dos últimos cinco anos para gerar informações confiáveis, atualizadas e completas sobre as emissões de gases de efeito estufa no Brasil, que é o 7o maior emissor de gases de efeito estufa do planeta”, disse Tasso Azevedo, criador e coordenador do SEEG.
Imaflora
“Além do rigor técnico-científico, nosso foco é divulgar e comunicar os dados de emissões do país de forma simples, intuitiva e detalhada para contribuir para o desenho de políticas públicas e ações no âmbito privado e da sociedade civil para colocar o Brasil no caminho de uma economia de baixo carbono”, prossegue.
Para Ciniro Costa Júnior, pesquisador de Clima e Cadeias Agropecuárias do Imaflora e coautor do artigo, a publicação do SEEG “evidencia a elevada capacidade técnica construída pela sociedade civil quanto ao tema das emissões de gases de efeito estufa no Brasil e torna-se uma referência sólida para auxiliar a tomada de decisões e o planejamento para o problema das mudanças climáticas”.
“A transparência de métodos, premissas e fontes de informação são aspectos fundamentais para que o SEEG contribua com a disponibilização de informações ricas e precisas para a sociedade pensar políticas públicas”, disse David Tsai, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema).
Transparência e interdisciplinaridade também são destacadas por Amintas Brandão, do Imazon. “A publicação na Scientific Data fortalece o método e a abordagem transparente e interdisciplinar que desenvolvemos no projeto SEEG.”
Outro coautor, Igor Albuquerque Reis, gerente de Mudanças Climáticas do ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, afirma que o trabalho representa “uma validação de todo o processo de construção dessa plataforma e o respaldo científico necessário para também fortalecer o SEEG na esfera acadêmica”.
Criado em 2012 e com sua quinta versão lançada em 2017, o SEEG hoje é a maior base de dados pública sobre emissões de um país em todo o mundo. Ele abarca todas as emissões brasileiras de gases-estufa entre 1970 e 2016 (exceto para o setor de uso da terra, que tem dados para o período 1990-2016). Em sua plataforma na internet, ele permite buscar os dados por setor da economia, segmento, ano, por Estado e por gás de efeito estufa para quase 600 fontes de emissão e remoção avaliadas. Dois produtos derivados do sistema, o Monitor Elétrico e o Monitor Agropecuário, permitem acompanhar em tempo quase real as emissões desses dois setores. Um terceiro, o MapBiomas, permite entender todas as mudanças de uso do solo do Brasil de 2000 a 2016. A metodologia SEEG já deu origem a sistemas de monitoramento de emissões da sociedade civil no Peru e na Índia.
O SEEG é executado por cinco instituições: Instituto de Energia e Meio Ambiente, que faz as estimativas dos setores de energia e de processos industriais; Imaflora, que calcula as emissões da Agropecuária; Imazon e Ipam, que cuidam das estimativas de uso da terra; e ICLEI, que produz as do setor de resíduos.
Além dos dados anuais, o SEEG divulga também relatórios com uma análise sobre o perfil das emissões e recomendações para políticas públicas. Os analíticos do SEEG 5, que cobre o período até 2016, serão publicados semanalmente entre maio e julho.

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