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Escrito por Neo Mondo | 2 de setembro de 2019
“Em um primeiro momento, estamos focados em reservatórios nos quais é desenvolvida a aquicultura, pois parâmetros relacionados à qualidade ambiental da água são extremamente importantes para essa atividade”, disse Enner Herênio de Alcântara, professor da Unesp de São José dos Campos e coordenador do projeto.
“No Brasil, esse tipo de tecnologia é inédita e deverá trazer grande benefício para a gestão de recursos hídricos”, avaliou Alcântara.
Os pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente/Plataforma ABC fizeram nos últimos anos uma série de coletas em campo de dados de transparência da água em diferentes reservatórios paulistas, como o de Ilha Solteira.
A estimativa é feita pela medida de profundidade do “disco de Secchi”. Trata-se de um equipamento com aproximadamente 30 centímetros de diâmetro e com dois quadrantes alternados em cores preta e branca que, atado a um cabo graduado que é paulatinamente imerso na água, mede a transparência do sistema aquático.
A profundidade máxima na qual o disco pode ser visualizado a olho nu é o indicador da transparência ou da visibilidade vertical do sistema aquático.
“Quanto maior a profundidade que o disco de Secchi atinge – enquanto continua sendo enxergado a olho nu –, maior a transparência daquele sistema”, explicou Alcântara.
“Esse dado medido em campo é usado para validar o algoritmo desenvolvido e aplicado nas imagens obtidas pelo sensor OLI [Operational Land Imager], a bordo do satélite Landsat-8, da Nasa”, disse.
O OLI registra imagens em diferentes comprimentos de onda. Uma vez que os materiais orgânicos e inorgânicos presentes na superfície da água refletem a energia solar para o sensor em um comprimento de onda específico, é possível estimar a distribuição deles em um reservatório por meio das imagens geradas.
Ao aplicar um modelo matemático, baseado na reflectância ou na absorção da luz pelos compostos presentes na água e registrada pelo sistema sensor, é possível estimar a concentração do material particulado em suspensão, assim como a de clorofila-a (um tipo de pigmento presente em algas), além da transparência da água nos reservatórios estudados.
“Como o programa Landsat vem registrando imagens desde a década de 1970, é possível obter os indicadores de qualidade de água dos reservatórios paulistas de todo esse período”, explicou Alcântara.
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