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A transição justa não é opcional: caminhos para aliar inclusão social, regeneração ambiental e sustentabilidade financeira

Escrito por Neo Mondo | 19 de novembro de 2025

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Transição justa não é apenas um conceito em debate nas COPs — é um imperativo de sobrevivência para os negócios, para as pessoas e para o planeta - Foto: Divulgação

ARTIGO

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Por Cinthia Gherardi, co-CEO do Sistema B Brasil, especial para Neo Mondo

Vivemos um momento em que não há mais espaço para a inércia. A crise climática e as desigualdades sociais deixaram de ser problemas distantes para se tornarem o pano de fundo das decisões econômicas, empresariais e políticas do presente. Diante desse cenário, falar em transição justa não é mais uma escolha estratégica — é uma condição de sobrevivência para os negócios e para o planeta.

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No Sistema B, acreditamos que a economia pode e deve ser uma força regenerativa. O novo estudo global do Movimento B demonstra que, se todas as empresas do mundo adotassem os mesmos critérios de impacto dessas organizações, poderíamos observar uma redução significativa nas emissões — contendo o aumento global da temperatura em 0,5 grau —, no desperdício e nas desigualdades sociais, além de um avanço concreto na inclusão e no bem-estar de comunidades locais.

Mas essa transformação não está restrita a um grupo seleto. Todas as empresas são capazes de trilhar esse caminho, desde que estejam dispostas a repensar sua cultura organizacional, sua governança e a forma como mensuram o sucesso. As maiores barreiras ainda são de priorização e a percepção equivocada de que recursos alocados em ações de sustentabilidade e impacto positivo são custos — e não investimentos.

O primeiro passo dessa jornada é simples, mas transformador: avaliar o próprio impacto, entendendo onde a empresa gera efeitos negativos que precisam ser minimizados e onde gera impactos positivos que podem ser maximizados e se tornar um diferencial estratégico. A partir desse diagnóstico, a empresa pode traçar um plano de evolução, com metas reais e acompanháveis. O mais urgente, no entanto, é colocar o impacto positivo no centro da estratégia — e não como uma área isolada. Quando o propósito se torna parte do processo de tomada de decisão, o negócio gera valor interno, por meio de melhor eficiência de custos, governança e redução de riscos, e valor externo, ao contribuir para uma sociedade mais inclusiva e sustentável.

Entre 2024 e 2025, o movimento das Empresas B cresceu 27% no mundo, ultrapassando a marca das 10 mil empresas certificadas. No Brasil, já somos mais de 350 Empresas B Certificadas e, se considerarmos aquelas que fazem negócios no país, passamos de 500 organizações comprometidas com o impacto positivo. No último ano, 87 novas empresas brasileiras conquistaram a certificação, com destaque para setores como bens de consumo, tecnologia, serviços, finanças, turismo, educação e energia. Esses números mostram que o país é hoje um dos principais polos do Movimento B na América Latina.

Dois exemplos emblemáticos dessa transformação são a Natura — primeira empresa de capital aberto no mundo a se certificar como Empresa B — e a Re.green, vencedora do EarthShot Prize 2025 na categoria Proteger e Restaurar a Natureza, por seu modelo de negócios que alia restauração ecológica em larga escala com tecnologia e geração de ativos financeiros ambientais. São casos que provam que lucro e regeneração não são forças opostas — são vetores complementares de uma nova economia.

A COP30 é um marco para essa agenda. O evento é a oportunidade de transformar propósito em ação climática concreta, com métricas claras e responsabilidade compartilhada entre governos, empresas e sociedade civil. Nosso chamado é para que os líderes empresariais adotem práticas de governança climática baseadas em impacto real, ação coletiva e influência consciente nas políticas públicas e privadas.

Mais do que discutir soluções técnicas, é hora de resgatar a dimensão humana da transição — aquela que conecta propósito, gestão e prosperidade compartilhada. As Empresas B já demonstram que é possível prosperar de forma inclusiva e regenerativa. Nosso papel agora é inspirar outras organizações a seguir o mesmo caminho, para que esse modelo deixe de ser exceção e se torne o padrão de uma economia que funcione para todas as pessoas e para o planeta.

A transição justa não é opcional. É a única forma de garantir um futuro em que negócios e natureza coexistam em equilíbrio, gerando valor econômico, social e ambiental de forma indissociável. E esse futuro já começou a ser construído por quem decidiu agir agora.

Sobre o Sistema B Brasil

O Sistema B Brasil faz parte de um movimento global de líderes que estão repensando o modelo econômico por meio de três premissas fundamentais: inclusão, equidade e regeneração. A proposta é gerar impacto positivo social e ambiental. A organização trabalha com empresas que buscam a Certificação como Empresa B, uma chancela de alto desempenho em critérios de sustentabilidade, transparência e responsabilidade social. Além da certificação, o Sistema B oferece iniciativas educacionais e suporte para que empresas integrem práticas ESG (Ambiental, Social e Governança). O objetivo é fortalecer e inspirar novas organizações a se engajarem no movimento por uma economia mais inclusiva, equitativa e regenerativa no Brasil e no mundo.

Sobre o Movimento B

O Movimento B é uma aliança global de organizações — incluindo o Sistema B Brasil, o Sistema B Internacional e o B Lab Global — que promovem uma economia mais inclusiva, equitativa e regenerativa. A rede reúne mais de 10 mil Empresas B certificadas em todo o mundo, que colocam o impacto positivo no centro da estratégia de negócios.

foto de Cinthia Gherardi, autora do artigo A transição justa não é opcional: Caminhos para aliar inclusão social, regeneração ambiental e sustentabilidade financeira
"Transição justa não é mais uma escolha estratégica — é uma condição de sobrevivência para os negócios e para o planeta", Cinthia Gherardi - Foto: Aislan de Paula/Sistema B Brasil

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