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Agricultura sustentável e financiamento climático: o paradoxo que desafia o futuro

Escrito por Neo Mondo | 25 de junho de 2025

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A agricultura é responsável por cerca de 90% do desmatamento nos trópicos - Imagem gerada por IA - Foto: Divulgação

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

A agricultura tropical está no centro de um paradoxo brutal: é responsável por cerca de 90% do desmatamento nos trópicos, mas recebe menos de 5% do financiamento climático global. Uma conta que simplesmente não fecha — e que precisa ser urgentemente reescrita se quisermos conter o colapso ecológico e alimentar do planeta.

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O solo como ativo climático: restaurar sem derrubar

Com a COP30 se aproximando e o Brasil no centro do palco climático global, ganha força a proposta de mobilizar capital catalítico — instrumentos financeiros que assumem riscos iniciais para atrair recursos privados — com o objetivo de restaurar milhões de hectares de solos e pastagens degradadas. O plano é claro: aumentar a produção sem avançar sobre a floresta.

O Brasil detém a maior área de pastagens degradadas do mundo. Só elas, se recuperadas, poderiam sustentar a expansão agrícola necessária para alimentar uma população crescente sem a necessidade de desmatamento adicional. É a possibilidade de tornar a agricultura parte da solução, e não mais do problema.

O abismo financeiro da agropecuária sustentável

Mas por que tão pouco financiamento climático chega ao campo?

  • Porque os riscos são altos, e o retorno é de longo prazo;
  • Porque faltam instrumentos adequados para agricultores familiares e pequenos produtores;
  • Porque ainda olhamos demais para carbono industrial e de menos para carbono de solo e biodiversidade.

O resultado é um vácuo perigoso: um setor altamente emissor, vulnerável e estratégico, sem os recursos necessários para se transformar.

A transição começa pela terra

Agroflorestas, sistemas integrados, pecuária regenerativa e práticas agroecológicas já mostraram sua eficácia na retenção de carbono, no aumento da produtividade, na resiliência climática e na conservação da biodiversidade. Mas sem financiamento acessível, com prazos, taxas e garantias adequadas, essas práticas não sairão do campo das boas intenções.

Regenerar é urgente — mas custa caro. E não fazer nada custa ainda mais.

Justo, produtivo e viável: é possível, mas com coragem

Esse também é um tema de justiça climática. São os pequenos produtores, povos indígenas e comunidades tradicionais que mais sofrem com os impactos da crise climática, e que menos têm acesso aos fundos que poderiam mudar essa realidade.

É hora de virar essa chave.

  • Capital catalítico para destravar investimentos;
  • Mecanismos de risco compartilhado para quem produz;
  • Infraestrutura verde e assistência técnica para quem cuida da terra;
  • Governança e transparência para garantir impactos reais.
foto mostra agricultura sustentável
A agricultura pode liderar uma transição ecológica justa, produtiva e resiliente - Foto: Ilustrativa/Freepik

COP30: a hora da virada?

Chegou a hora de encarar uma das perguntas mais desconfortáveis do nosso tempo:
Se 90% do desmatamento tropical vem da agricultura, por que apenas 5% do financiamento climático vai para ela?

A resposta será dada na COP30. E mais do que discursos, ela exigirá ações concretas, fundos comprometidos, políticas públicas ousadas e engajamento do setor privado.

A agricultura pode — e deve — liderar uma transição ecológica justa, produtiva e resiliente. Mas para isso, precisa de financiamento adequado, em escala, e com justiça social.

Não se trata apenas de salvar o clima.
Trata-se de garantir comida, floresta, renda e dignidade.
No mesmo território.
Ao mesmo tempo.

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