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Escrito por Neo Mondo | 11 de julho de 2019
Diamant prontamente evocou o responsável pela obra Os sertões: “Euclides da Cunha, autor de texto exuberante, é muito importante para exercitarmos nossa capacidade de refletir sobre o Brasil e seus problemas”. Dedicou a edição a seu companheiro Otavio Frias Filho, falecido em 2008, e a João Gilberto, morto na semana passada, e o “Brasil que ele cantou”. Agradeceu ao ator e diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa por tê-la guiado pela obra euclidiana ao recontá-la em seu Teatro Oficina.
Na sequência, Walnice Nogueira Galvão — autora de mais de doze obras sobre Euclides — compartilhou reflexões e impressões acerca da obra-prima do homenageado. Contou que o relato se tornou, como disse o próprio autor, um “livro vingador” — que diferentemente das demais versões sobre Canudos, não transmitia um ponto de vista único, o dos militares. A professora reforçou que a propaganda contra Canudos foi uma fraude. “Ao contrário do que se dizia, os canudenses não eram monarquistas e nem queriam derrubar o governo. Queriam ficar quietos, e não apresentavam ameaça: nem arma tinham”. A partir disso, Nogueira Galvão sentiu vontade de, nos anos 1970, durante a ditadura civil-militar brasileira, revelar que o Exército e a imprensa haviam, à época, mentido ao país. “Assim se vê que não foi Donald Trump quem inventou a fake news. Canudos foi uma das maiores fraudes da história do Brasil. Talvez tenha sido a primeira, vocês sabem perfeitamente que não foi a última”.
Ao final, a crítica literária fez considerações sobre o povo que constituía Canudos, formado por trabalhadores praticamente escravizados nas fazendas vizinhas, que fugiam dos serviços forçados. “Logo as fazendas se esvaziaram. Os fazendeiros começaram então a falar que os canudenses tomariam suas fazendas e matariam todo mundo. Pensaram: ‘Vamos matá-los, antes que nos matem.’” Walnice relacionou Canudos ao Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra: “Me perguntam o que os canudenses têm a ver com o MST. É a falta de reforma agrária, de iniquidade de terras, de iniquidade de tudo no Brasil”. “Enquanto o capitalismo não acabar, teremos que ler Os sertões para saber o que acontece com os pobres do país — o genocídio de jovens negros, a militarização das favelas no Rio, desastres de Mariana e Brumadinho, por exemplo”, afirmou, sob fortes aplausos.
O escritor e jornalista brasileiro, Euclides da Cunha (//Reprodução)Pré-escola: uma promessa com dez anos de atraso
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