Cultura Destaques Sustentabilidade
Escrito por Neo Mondo | 19 de setembro de 2019
Nos últimos anos, é nítido o aumento da preocupação com o tema nas organizações, o que pode ser comprovado na 14ª edição do “Global risks report”, relatório lançado pelo Fórum Econômico Mundial em janeiro de 2019. Pelo terceiro ano consecutivo, riscos relacionados à sustentabilidade aparecem entre os cinco principais, tanto em probabilidade quanto em impacto.
Evolução do cenário de riscos
Se, por um lado, a preocupação com sustentabilidade tem sido recorrente, como atesta o estudo, por outro ela ainda não aparece como prioridade quando o assunto é competitividade corporativa – embora o tema ganhe relevância nas agendas das diretorias. Gradualmente, os conselhos tomam consciência de que – por abranger tópicos tão variados quanto desastres ambientais, relações de trabalho, cadeia de fornecedores ou incidentes de segurança – a sustentabilidade afeta todos os setores de uma organização e é decisiva para a sua habilidade em continuar a operar.
De um ponto de vista estratégico, dentro das organizações, a área de sustentabilidade deve englobar, além de assuntos ambientais, questões sociais e de governança. Dessa forma, em todo o mundo, com a crescente atenção dos investimentos em sustentabilidade, os investidores têm buscado uma maior transparência no modo em que as empresas abordam tendências sociais e ambientais, incluindo mudanças nas expectativas dos públicos de interesse, em suas estratégias de negócio, governança, análise de risco e mensuração e divulgação das práticas. Tratar da sustentabilidade na gestão corporativa de riscos pode ajudar na estratégia e tomada de decisão, tornando as empresas mais resilientes e competitivas, além de habilitar a gestão e a diretoria a alocar capital mais eficientemente.
Outra tendência observada em grandes empresas é a preocupação com temas de sustentabilidade não apenas internamente, mas também em sua cadeia de fornecimento. Há um cuidado para que os insumos e serviços utilizados estejam dentro dos padrões estabelecidos. Além de questionários, algumas empresas realizam auditoria em seus fornecedores e, dependendo do que for levantado, elas podem deixar de fazer negócios caso o prestador não atenda aos requisitos. Tudo isso com o objetivo de prevenir e mitigar riscos, garantindo que a sustentabilidade esteja em toda a cadeia.
Embora alguns segmentos no Brasil estejam melhor desenvolvidos, como o de instituições financeiras – que desde 2014 precisam atender a uma resolução que estabelece o risco socioambiental como um componente das diversas modalidades de risco aos quais estão expostas –, no geral, ainda existe um longo caminho a ser percorrido. A questão econômica é o principal impedimento, pois nem todas as empresas enxergam o valor de investir em sustentabilidade. Entretanto, grandes investidores sabem que organizações que investem em sustentabilidade são menos suscetíveis à instabilidade do mercado de capitais e, além do retorno financeiro, essas empresas agregam valor à sua imagem. Por esse motivo, têm exigido que os conselhos e a diretoria estejam engajados na integração da sustentabilidade nas estratégias de longo prazo.
Ao inserir questões de sustentabilidade em sua gestão de riscos corporativos, a diretoria desempenha um papel crucial na mudança das práticas da empresa, conectando a sustentabilidade com o propósito corporativo e estratégico. Essas ações oferecem, portanto, uma oportunidade única às empresas: usar a transparência para promover estratégias de engajamento com os investidores por meio de relatórios de sustentabilidade, uma importante ferramenta de comunicação com seus públicos.
À medida que o assunto evolui, as empresas entendem que é necessário endereçar a sustentabilidade de forma transversal – as organizações conseguem obter uma vantagem competitiva importante quando tratam essa temática de forma proativa e integrada, e não apenas reativa e como uma obrigação às demandas de mercado. Essa mudança de mentalidade é fundamental para alavancar a sustentabilidade como um verdadeiro diferencial competitivo.
*Anselmo Bonservizzi é sócio da área de Risk Advisory e líder de Risco Estratégico e Reputação da Deloitte.
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