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Escrito por Neo Mondo | 24 de setembro de 2019
O fenômeno relativo à cegueira é interpretado por Elizabeth Titton como metáfora da muirapiranga, árvore em risco de extinção, aqui representada pela ferrugem do metal. Na mostra, a vegetação é representada em forma de portais e obeliscos, ícones da civilização, cuja função é homenagear a natureza cada vez mais distante dos olhos, do corpo e do conhecimento dos habitantes das cidades, que cada vez mais vivem num mundo virtual, abstrato, cegos ao mundo em que vivemos.
Nesse sentido, da dificuldade de enxergarmos, sete obras serão impressas em 3D, com aproximadamente 40 cm de altura, para que, além do público em geral, visitantes com deficiências visuais possam perceber e sentir, por meio do tato, o formato das esculturas. Também serão instalados pisos especiais nos espaços da mostra, bem como disponibilizados texto e catálogos em braile e monitores preparados para atender esse público durante o período da mostra.
Ao pensar em sua experiência artística, Elizabeth sempre se baseia em algumas impressões trazidas à reflexão, por Merleau-Ponty, especialmente quando o pensador francês disse: “Quando percebo, não penso o mundo, ele se organiza diante de mim”.
Com mensagens gravadas nas paredes dos espaços da Funarte, citações escolhidas pela artista do filósofo francês, estudado por ela em profundidade quando de sua pesquisa de mestrado em Educação na UFPR (Universidade Federal do Paraná), Elizabeth coloca o público diante da presença material e impactante de suas obras, levando-o a confrontar a materialidade do aço que, em seu design simples e de fácil reconhecimento, remete à natureza, na intenção de conduzir ao mundo encarnado do qual fala o filósofo.
A artista quer completar a experiência de perceber o mundo, conforme o pensamento de Merleau-Ponty, alertando de que a ciência é sua expressão segunda, pois, primeiro, existem os rios e as montanhas, depois os mapas que as representam.
“Sensível e envolvida com sua criação, Elizabeth Titton enfatiza em sua proposta que a experiência oferecida pela exposição pode ser experimentada por todos. Olhar, tocar, caminhar no seu entorno, bem como sentir a frieza do metal, é como a artista nos convida a estar na exposição. É assim também que nós da Funarte convidamos a todos para estarem no Complexo Cultural e dividir conosco essa reflexão acerca do nosso estar no mundo como natureza e obra de arte”, comenta Maria Ester.
Tendo em mente que a arte deve ser fruída antes de ser pensada, Elizabeth convida a voltar ao mundo vivido em uma experiência estética que parte de um mergulho na floresta de aço criada no solo do importante espaço de cultura paulistano.
Funarte SP
Endereço: Alameda Nothmann, 1058.
Abertura ao público: 5 de outubro de 2019, às 14h
Horário de visitação: terça a sexta, das 10h às 18h; sábado e domingo, das 14h às 21h
Ingresso: gratuito
Término: até 19 de janeiro de 2020
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