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O movimento Paraisópolis Através do Vidro irá revestir em mosaicos de vidro toda a entrada do Pavilhão Social do G10 Favelas, em Paraisópolis, SP

Escrito por Neo Mondo | 26 de abril de 2021

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Foto - Divulgação

POR - REDAÇÃO NEO MONDO

 
Uma área  com 600m2 está sendo revestida com vidros que seriam descartados. A ação antecede a 3ª edição do projeto “Através do Vidro” que será realizado em maio e beneficiará moradores de Paraisópolis e Palheiros
  De acordo com o dicionário, lixo é tudo aquilo sem valor ou utilidade, qualquer coisa que se joga fora.  Mas, para a artista plástica Débora Muszkat este não é um conceito muito adequado para todo tipo de vidro descartado ou que, momentaneamente perdeu sua utilidade. Ao longo de sua trajetória, a artista e arte-educadora, escolheu o vidro como principal matéria de trabalho e pesquisa e, aplicou isso ao projeto “Através do Vidro” que chega a sua terceira edição este ano. E para mostrar o poder transformador desta matéria-prima para a sociedade, a artista uniu-se ao presidente do G10 favelas, Gilson Rodrigues (tido como o “prefeito” de Paraisópolis) para colocar em prática a ideia de transformar a favela em um espaço turístico, tendo como referência o Parque Guell  em Barcelona (ESP), concebido por Antoni Gaudí e feito de mosaicos de cerâmica,  e a ilha de Murano,  na Itália.  “Nosso movimento está sendo pensado à moda brasileira, retirando o vidro da natureza e transformando em sustentabilidade”, diz Débora. Para isso, uma equipe de voluntários está trabalhando firme, desde o dia 31 de março,  com todos os cuidados necessários em tempo de pandemia, para revestir uma área de 600m2 com vidros que seriam descartados como “lixo”.  A previsão é que a passarela de vidros, patrocinada pelo G10 Favelas, fique pronta até a última semana de abril. “Estamos fazendo um verdadeiro céu no chão de Paraisópolis”, orgulha-se a artista.
Projeto Através do vidro
O projeto é fruto da paixão da artista pela arte vítrea, associada à reciclagem, um outro tema que move seu trabalho: todas as suas obras são executadas com vidro de descarte doméstico e industrial. E é através do upcycling – técnica que propõe o reaproveitamento de objetos antigos ou descartados para criar novos produtos, utilizando a criatividade e o respeito ao meio ambiente – que Débora divulga constantemente a importância da ressignificação dos resíduos sólidos por meio da arte. Viabilizado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura - ProAc SP (Programa de Ação Cultural de São Paulo), com patrocínio  da  O-I Illinois (Owens Illinos), o projeto “Através do Vidro” tem como objetivo a capacitação e a formação dos interessados em técnicas da arte com vidro, proporcionando, além de um conhecimento técnico para os participantes, uma nova oportunidade de entrada no mercado de trabalho. O ensino será através do desenvolvimento de processos de criação e produção de objetos artísticos, do design, e da arquitetura, por meio de oficinas técnicas de manipulação do vidro, sustentando o projeto em três pilares: arte, educação e sustentabilidade. Além disto, os participantes também serão beneficiados com a construção de dois fornos de alta temperatura para transformar cacos de vidro em joias sustentáveis, arte, design e arquitetura. “A favela pode ser um centro da transformação do vidro, mudando a realidade desta, a qual vem lutando muito através dos esforços de líderes comunitários”, completa. O “Através do vidro”  tinha a sua  terceira edição prevista para o início de 2021, mas foi reprogramado para início de maio devido à pandemia de Covid 19.
Foto - Divulgação

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