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Escrito por Neo Mondo | 23 de julho de 2018
“Eu ainda estava perto da minha casa quando o avião veio jogando por cima do eucalipto e o vento trouxe os agrotóxicos para mim. Eu fiquei molhada com o produto e tive que voltar para casa e tomar outro banho. Fui para a escola e comecei a sentir uma dor de cabeça, nariz ardendo, coceira, formigando. O avião estava jogando do lado da escola e o vento trazia para a escola. (...) As crianças, entre 4 e 7 anos, reclamavam que suas gengivas e olhos estavam ardendo. Eu os liberei por volta das 9 da manhã e mandei um bilhete para os pais dizendo que não teríamos aulas enquanto eles estivessem pulverizando ainda.” (depoimento de Marelaine, 20 anos, professora, para o relatório da Human Rights Watch).
Aratiri, 9 anos, vive exposto a veneno em comunidade indígena no Mato Grosso do Sul. (Foto: Marizilda Cruppe/ Human Rights Watch)
Sem saída
Nesse contexto de opressão no campo, parece impossível para as pessoas que vivem próximas às plantações, como comunidades rurais, indígenas e quilombolas, encontrarem uma saída. “Você sente um amargor na garganta. Você não quer respirar mais veneno, você quer respirar outro tipo de ar, mas não tem nenhum”, relata Jakaira, 40 anos, uma das vítimas de intoxicação por pulverização terrestre de agrotóxicos, em entrevista para a pesquisa.
Além de mostrar casos de intoxicação aguda, o relatório da Human Rights Watch apresenta preocupações com a exposição crônica aos agrotóxicos – aquela que é repetida a doses baixas por um período prolongado. Esse tipo de exposição é comumente associado a problemas como infertilidade, malformação fetal e câncer.
O estudo recém-publicado traz recomendações importantes, que devem ser levadas a sério pelos nossos governantes. A principal delas é que o Brasil precisa urgentemente adotar medidas para limitar a exposição não somente dos consumidores, como também das pessoas que moram, estudam ou trabalham perto de áreas que recebem aplicação dessas substâncias.
Apesar de os dados do pesquisa reforçarem a ideia de que a exposição e intoxicação por agrotóxicos ainda é um tema à margem na agenda de formuladores de políticas públicas, lentamente essa situação vai mudando! Nossa luta contra o Pacote do Veneno veio para mostrar que nós queremos uma agricultura mais justa pra quem planta e para quem come, e comida saudável acessível para brasileiras e brasileiros. A Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA) indica às autoridades públicas um caminho nessa direção. Nossos governantes precisam trabalhar em favor da sociedade!
Clique aqui para acessar o relatório da Human Rights Watch.
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