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De Guaianases a Davos: Kamila Camilo lança guia para quem quer transformar propósito em trajetória

Escrito por Neo Mondo | 30 de março de 2026

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Guaianases a Davos: Kamila Camilo no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça. A trajetória da fundadora do Instituto Oyá virou e-book - Foto: Divulgação

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO

Há uma frase no novo e-book de Kamila Camilo que resume, com precisão incomum, o que separa uma carreira de uma vocação: "Transições de carreira são, antes de tudo, transições de consciência." Quem conhece a trajetória dela sabe que não se trata de retórica. Trata-se de autobiografia.

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Kamila cresceu em Guaianases, na periferia de São Paulo, e chegou ao Fórum Econômico Mundial em Davos. Entre esses dois pontos, há uma distância que os mapas não conseguem medir. É exatamente esse percurso — feito de voluntariado na Amazônia, de engajamento comunitário em rios ribeirinhos, de uma plataforma de comunicadores climáticos construída no contrapelo do ecossistema — que ela destila agora em Guaianases a Davos: 4 passos para começar o seu plano imperfeito, e-book que acaba de lançar com a generosidade de quem aprendeu que sucesso não é sobre chegar sozinha.

Tenho acompanhado de perto o trabalho de Kamila como colunista do Neo Mondo. Sei do que ela é capaz quando o assunto é conectar pontos que o mercado insiste em manter separados — tecnologia e ancestralidade, comunicação e território, estratégia ESG e justiça social. O que talvez eu não esperasse era a qualidade do gesto em si: oferecer, de forma acessível, o mapa que ela mesma precisou desenhar sem nenhum guia.

O e-book se organiza em quatro pilares — encontrar o próprio porquê, escolher referências com intencionalidade, participar de eventos e conferências com estratégia, e construir um mapa de stakeholders baseado em confiança genuína. A estrutura poderia soar como manual corporativo. Não soa. Soa como conversa. Porque Kamila escreve como quem fala: sem ornamentos desnecessários, sem a pretensão de quem já chegou, com a clareza de quem ainda está em movimento e não tem vergonha disso.

O primeiro passo, ancorado no conceito do Golden Circle de Simon Sinek, vai além da ferramenta. Kamila propõe uma pergunta mais incômoda: o que você faz com o poder quando o tem? Quais mesas você recusa sentar? Esse é o tipo de questão que diferencia um guia de carreira de um exercício de consciência política. E é justamente aí que o material dela se distancia do que o mercado costuma produzir sobre transição profissional.

Há um episódio que ela conta no e-book que me parece revelador do seu caráter intelectual e estratégico. Em 2021, quando propôs levar influenciadores digitais para imersões na Amazônia, foi duramente criticada dentro do próprio ecossistema socioambiental. Academicos, organizações e veículos especializados desacreditavam da proposta. Ela bancou. Hoje, criadores de conteúdo em campanhas climáticas tornaram-se lugar-comum. A Kamila não seguiu tendência — ela a antecipou.

Quem lê o material encontra, além da substância, uma honestidade que é cada vez mais rara em qualquer formato de publicação. Ela não promete atalhos. Avisa que construiu suas redes ao longo de quase uma década. Que o voluntariado na Fundação Amazônia Sustentável foi escola que nenhum MBA substitui. Que conhecimento sem atualização constante é mapa desatualizado.

Para os leitores do Neo Mondo — executivos, pesquisadores, formuladores de política pública, gestores expostos a riscos sistêmicos — o e-book de Kamila Camilo interessa por uma razão que vai além da carreira individual. Em um momento em que o Brasil acabou de sediar a COP30 e em que a narrativa climática precisa de mais vozes diversas, com sotaque e com território, entender como essas vozes são formadas é também uma questão estratégica. Kamila não é apenas um caso de sucesso. Ela é evidência de um modelo.

Parabéns, Kamila. E obrigado por transformar caminho em mapa.

👉 [Acesse o e-book aqui]

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