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Paraná forma gestores públicos para transformar a Mata Atlântica em política de segurança hídrica

Escrito por Neo Mondo | 28 de julho de 2026

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Paraná guarda um dos maiores remanescentes contínuos de Mata Atlântica, e é dessas florestas que nasce a água de milhões - Foto: Gabriel Marchi

POR - REDAÇÃO NEOMONDO*

Enchentes, estiagens longas, ondas de calor. Os eventos climáticos extremos que se multiplicaram nos últimos anos passaram a chegar às prefeituras antes de chegar às pautas ambientais, e é ali, no desenho do uso do solo e na proteção dos mananciais, que boa parte das respostas começa a ser escrita. A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental, a SPVS, decidiu apostar em quem toma essas decisões: seu Projeto Mata Atlântica abre inscrições, até 31 de agosto de 2026, para uma capacitação gratuita voltada a servidores, conselheiros municipais e professores dos municípios paranaenses inseridos na Grande Reserva Mata Atlântica.

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O território justifica o esforço. São quase três milhões de hectares que reúnem um dos maiores remanescentes contínuos do bioma e abrigam as áreas que produzem a água consumida na Região Metropolitana de Curitiba. Preservar essa floresta deixou de ser um assunto restrito à biodiversidade. Virou condição para o abastecimento de milhões de pessoas.

A ideia que sustenta o projeto tem nome: Produção de Natureza. A SPVS trabalha a partir dela para deslocar a maneira como prefeituras enxergam suas áreas naturais. Uma floresta conservada, nessa lógica, não guarda apenas espécies. Regula o ciclo da água, absorve carbono, amortece os efeitos de eventos extremos e abre espaço para atividades econômicas que convivem com a conservação, do turismo de natureza a outros mecanismos de valorização do patrimônio florestal. A conservação deixa de ser vista como freio ao desenvolvimento e passa a funcionar como infraestrutura — tão concreta quanto uma estação de tratamento, e bem mais barata de manter.

A capacitação acontece on-line, com nove horas de videoaulas gravadas, material de apoio e certificado. A SPVS espera reunir 300 participantes. Os módulos passam por Mata Atlântica, áreas produtoras de água, legislação ambiental, gestão participativa e por instrumentos que a maioria dos municípios ainda usa pouco: Pagamento por Serviços Ambientais, ICMS Ecológico, créditos de biodiversidade e Soluções Baseadas na Natureza.

Clóvis Borges, diretor executivo da SPVS, resume a aposta em quem decide sobre o território. "As mudanças climáticas estão mostrando que conservar a natureza deixou de ser apenas uma pauta ambiental. Hoje, significa proteger a água, reduzir riscos para as cidades e criar condições para um desenvolvimento mais resiliente. Quando os municípios incorporam essa visão às suas políticas públicas, quem ganha é toda a sociedade", diz.

A formação é a porta de entrada. Depois dela, o projeto pretende ajudar prefeituras a redigir políticas de conservação, incentivar mecanismos econômicos de proteção de remanescentes florestais, apoiar a criação e a ampliação de Unidades de Conservação e aproximar poder público, proprietários rurais, iniciativa privada e sociedade civil. Quem concluir a etapa on-line será convidado para uma oficina presencial de troca de experiências e construção de propostas.

Ricardo Borges, coordenador de Comunicação e Parcerias Estratégicas da Grande Reserva Mata Atlântica, situa a iniciativa nessa disputa cotidiana. "A conservação da Mata Atlântica depende de decisões tomadas diariamente nos municípios. Quando aproximamos gestores públicos, proprietários, iniciativa privada e sociedade em torno de objetivos comuns, ampliamos nossa capacidade de proteger os mananciais, fortalecer as economias locais e construir territórios mais preparados para enfrentar as mudanças climáticas", afirma.

Serviço:
Capacitação Projeto Mata Atlântica
Período: até 31 de agosto de 2026;
Formato: on-line e gratuito;
Carga horária: 9 horas;
Público: servidores públicos, conselheiros municipais e professores.
Inscrições: bit.ly/InscricaoMataAtlantica;
Mais informações: AQUI

*Com informações de Claudia Guadagnin, assessora de imprensa da Grande Reserva Mata Atlântica e da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

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