Escrito por Neo Mondo | 1 de maio de 2017
Por: Valeria Perasso (BBC).
A caça ilegal de animais selvagens alimenta um mercado bilionário em todo o mundo, dominado por organizações criminosas.
Apesar de pequena, a cidade de Haia, na Holanda, está acostumada a lidar com assuntos importantes: ela abriga o Tribunal Internacional de Justiça, o Tribunal Internacional Criminal e outras cortes que analisam crimes e massacres em regiões tão longe dali quanto os Bálcãs, o Líbano e Ruanda.
A partir desta semana, a cidade também terá um centro voltado para direitos dos animai: a Comissão de Justiça para a Vida Selvagem (WJC, na sigla em inglês). A comissão nasce com o mandato de perseguir caçadores ilegais e contrabandistas de espécies ameaçadas em todo o mundo, mas pretende ser o principal mecanismo internacional para expôr quadrilhas que atuam internacionalmente no tráfico de animais – encabeçadas por empresários multimilionários, semelhantes aos chefes de cartéis do narcotráfico e aos grandes mafiosos. O tráfico de animais é um negócio que gera cerca de US$ 17 bilhões (R$ 53 bilhões) por ano e é também o quarto maior crime transnacional no mundo – depois do narcotráfico, da falsificação e do tráfico de pessoas –, segundo o grupo ativista americano Global Financial Integrity. "Estas organizações criminosas são transacionais, assim como as que atuam em outras formas de tráfico, seja de armas ou de drogas. Elas têm recursos e conexões para expandir seus negócios por todo o mundo, sabem como fazê-lo e a quem subornar e são ligados a políticos e empresários locais", diz Andrea Costa, um dos membros fundadores da WJC. Especialistas afirmam que o comércio ilegal de animais selvagens anda de mãos dadas com crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.
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Comissão não terá poder de ordenar prisões, mas pretende expôr responsabilidade de governos
"O tráfico de bens relacionados com a vida selvagem causa impacto na sociedade, na segurança de comunidades locais e na corrupção em nível nacional. Não vemos governos de países atuando contra as redes internacionais de criminosos. Às vezes elas não conseguem e, às vezes, falta vontade", diz Michael Wamithi, conselheiro da instituição de caridade International Fund for Animal Welfare.
A comissão de direitos dos animais pretende preencher as lacunas entre os países lidando com este tipo de crime transnacional.
A questão agora é como pôr em prática as decisões da comissão. Diferentemente dos outros tribunais em Haia, a WJC não consegue realizar julgamentos, apenas audiências públicas.
Além disso, ela não pode ordenar prisões e suas recomendações não têm força de lei.
Segundo os membros do grupo, a estratégia é a exposição dos culpados: reunir dados e divulgá-los pode responsabilizar os governos e, com sorte, ajudar a salvar as espécies em perigo. A onça-pintada que voltou às nuvens
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