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Escrito por Neo Mondo | 16 de dezembro de 2025
A ciência que eu acredito tem rosto, voz, escuta e compromisso com a vida real - Alexander Turra toma posse como Membro Titular da Academia Paulista de Ciências (ACIESP). Ao lado esquerdo, Adriano Andricopulo, presidente da ACIESP. À direita, representante da Academia durante a cerimônia oficial de diplomação - Foto: Divulgação/@Aciesp
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Pesquisadores da USP entram para a Academia de Ciências de São Paulo — e Alexander Turra nos lembra por que ciência também é compromisso com a vida
Confesso: há dias em que a ciência me emociona mais do que qualquer discurso político ou promessa de mercado. E hoje é um desses dias.
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Quando li que pesquisadores da USP estão entre os novos membros titulares da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp), senti aquele orgulho silencioso — mas profundo — de quem acompanha, de perto, trajetórias que não cabem apenas em currículos Lattes ou medalhas. Trajetórias que atravessam salas de aula, comunidades costeiras, fóruns internacionais, decisões públicas e, principalmente, a vida real.
Entre os 19 novos membros titulares eleitos em 2025, um nome me toca de forma especial — e não por acaso: Alexander Turra. Professor titular do Instituto Oceanográfico da USP, coordenador da Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano, e, para nós do Neo Mondo, conselheiro e colunista. Mas, antes de tudo, um cientista que entende que conhecimento só faz sentido quando vira ponte — nunca pedestal.
Vale dizer: o anúncio da Aciesp não é apenas uma lista de nomes. É um marco histórico. Dos 19 eleitos, 10 são mulheres, o equivalente a 53%, algo ainda raro nos níveis mais altos da carreira científica. Isso diz muito sobre o momento que vivemos — e sobre o futuro que queremos construir.
Como destacou o presidente da Aciesp, Adriano Andricopulo, trata-se de um sinal claro de alinhamento com os valores mais elevados da ciência contemporânea: excelência, diversidade, inclusão e impacto social.
E impacto, aqui, é palavra-chave.
Falar de Alexander Turra é falar de uma ciência que não se esconde atrás de gráficos, mas que encara a complexidade do mundo com coragem intelectual e sensibilidade humana.
Turra é biólogo, mestre e doutor em Ecologia, com formação sólida e reconhecimento internacional — como o Kirby Laing Fellowship, no Reino Unido, e a Medalha Mérito de Tamandaré, da Marinha do Brasil. Mas reduzir sua trajetória a títulos seria injusto.
O que realmente define Alexander é sua atuação interdisciplinar e integrada, conectando temas urgentes como:
Tudo isso com um olhar que insiste em algo essencial: a ciência precisa dialogar com a sociedade, com a política pública, com a educação e com o setor produtivo.
Não à toa, ele atua em fóruns nacionais e internacionais como UNESCO, UNEP, UNEA, GESAMP, MMA, MCTI, entre tantos outros. E também em redes estratégicas como Rede Clima e ReBentos, sempre defendendo abordagens multi e transdisciplinares.
Aqui no Neo Mondo, convivemos com essa visão de perto. Nos textos que escreve, nas conversas que provoca, nas perguntas incômodas que lança. Turra não simplifica o mundo — ele o torna compreensível sem tirar sua complexidade.
Outro aspecto que me toca profundamente em sua trajetória é o compromisso com a divulgação científica. Alexander escreve para Scientific American Brasil, Ciência Hoje, Ciência Hoje das Crianças, Jornal da USP. Ou seja: ele fala com pares, mas também fala com crianças, professores, leitores curiosos, cidadãos comuns.
Num país que ainda trata ciência como algo distante, elitizado ou abstrato, isso é revolucionário.
Além disso, ele organiza e lidera eventos científicos internacionais, edita revistas acadêmicas, coordena séries editoriais e forma gerações de pesquisadores que já nascem com uma visão mais conectada ao mundo real.
Ao lado de Turra, a lista da Aciesp reúne nomes brilhantes da USP, Unicamp, Unifesp, Ipen e outras instituições, distribuídos por áreas que vão das ciências exatas às humanas e sociais. E ainda inclui novos membros afiliados, jovens cientistas que representam o futuro da ciência brasileira.
Esse movimento importa — e muito.
Porque, num mundo atravessado por crises climáticas, sociais e éticas, a ciência precisa ocupar espaço público, influenciar decisões, inspirar políticas e oferecer caminhos possíveis. Não soluções mágicas. Caminhos.

Escrevo este texto com emoção, sim. Mas também com senso de responsabilidade. Celebrar Alexander Turra na Academia de Ciências de São Paulo é celebrar uma ideia de ciência que acreditamos e defendemos no Neo Mondo: rigorosa, ética, acessível, comprometida com o planeta e com as pessoas.
Que essa eleição não seja apenas um reconhecimento individual — mas um convite coletivo para ouvir mais quem estuda, pesquisa, observa e conecta saberes há décadas.
Porque, no fim das contas, a ciência que transforma é aquela que escolhe servir.
E hoje, ela está sendo justamente reconhecida.
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