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Escrito por Dra. Marcela Baraldi | 5 de março de 2026
Mulheres na ciência, na dermatologia e na bioeconomia: liderando a nova fronteira da beleza sustentável e da inovação científica - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Neo Mondo
POR - DRA. MARCELA BARALDI
O protagonismo feminino na nova indústria da beleza e o impacto transformador na ciência dermatológica
No coração da inovação, onde a ciência encontra a sustentabilidade e a beleza se entrelaça com o bem-estar, há uma força motriz que, por muito tempo, foi subestimada, mas que hoje brilha com intensidade: a liderança feminina. Em um mundo que clama por soluções mais éticas, inclusivas e regenerativas, as mulheres estão na vanguarda, redefinindo não apenas a indústria da beleza, mas também o próprio caminho da ciência. Para mim, que vejo a beleza como um reflexo de um ecossistema saudável – tanto o da pele quanto o do planeta –, celebrar o Mês da Mulher é reconhecer que a verdadeira cura vem de mentes brilhantes e corações engajados, muitas vezes femininos. Não estamos falando apenas de produtos; estamos falando de um movimento que empodera, inova e transforma, com a autoridade feminina na ciência dermatológica pavimentando o caminho para um futuro mais justo e sustentável.
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Por décadas, a ciência e a indústria foram dominadas por narrativas masculinas, mas essa paisagem está mudando radicalmente. Hoje, o protagonismo feminino na nova indústria da beleza é inegável, com mulheres liderando pesquisas, desenvolvendo formulações revolucionárias e construindo negócios que priorizam o impacto positivo. Elas estão desvendando os segredos da pele, explorando a riqueza da biodiversidade e criando soluções que não apenas embelezam, mas também curam e protegem. A busca por uma beleza que seja consciente, eficaz e alinhada com os valores de sustentabilidade encontra nas mulheres suas maiores defensoras e inovadoras. É uma jornada inspiradora, onde a paixão pela ciência se une ao compromisso com um mundo melhor, e eu sinto uma profunda admiração por cada uma dessas mulheres que estão moldando o futuro da beleza e da sustentabilidade.
A ciência dermatológica, um campo que exige precisão, empatia e uma busca incessante por conhecimento, tem sido cada vez mais enriquecida pela presença e liderança feminina. Mulheres cientistas e médicas estão na linha de frente, desvendando os mistérios da pele e desenvolvendo soluções inovadoras que vão muito além da estética. Elas trazem uma perspectiva única, muitas vezes mais holística, que considera não apenas a fisiologia da pele, mas também seu impacto na saúde mental, na autoestima e na qualidade de vida das pessoas .
Um exemplo claro desse protagonismo é a presença feminina em cargos de liderança em grandes empresas do setor. Na Galderma, por exemplo, uma empresa global líder em dermatologia, as mulheres representam 57% dos colaboradores e ocupam 50% dos cargos de liderança. Isso não é apenas um número; é um reflexo de uma cultura que valoriza o talento e a expertise feminina. Além disso, pesquisadoras brasileiras como Sandra De Avila, Nadia El Kadi, Luciana Mattos e Ellen Xerfan têm sido reconhecidas e premiadas por seus trabalhos em dermatologia inclusiva, mostrando que a ciência brasileira está na vanguarda, abordando as necessidades de diversos tons de pele e tipos de cabelo .
A Dra. Letícia Nanci, médica do Hospital Sírio-Libanês, é outro nome que se destaca na nova fronteira da dermatologia de alta performance, explorando a conexão profunda entre a saúde da pele e o bem-estar mental. Essa abordagem integrativa é fundamental para entender a pele não apenas como um órgão isolado, mas como um reflexo de todo o nosso ser. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em parceria com a L'Oréal, lançou o dossiê "Brasil, à Flor da Pele", um documento que ressalta a importância do cuidado com a pele para a saúde, a dignidade e a autoconfiança das pessoas, um tema que ressoa profundamente com a visão feminina de cuidado integral .
Para mim, ver tantas mulheres brilhantes dedicando suas vidas à ciência da pele é inspirador. Elas não estão apenas curando doenças; estão construindo pontes entre a ciência e a vida real, tornando a dermatologia mais acessível, mais inclusiva e mais humana. É uma demonstração poderosa de que a ciência, quando abraça a diversidade, se torna mais rica e mais capaz de transformar o mundo.
A indústria da beleza, historicamente associada a ideais de perfeição e consumo, está passando por uma transformação radical, impulsionada em grande parte pela liderança feminina em sustentabilidade. Mulheres empreendedoras e executivas estão redefinindo o que significa fazer negócios no setor, priorizando práticas éticas, ingredientes sustentáveis e um impacto positivo no meio ambiente e na sociedade .
Empresas como a Natura, por exemplo, são pioneiras em promover parcerias sustentáveis e cadeias de produção que valorizam a biodiversidade brasileira e as comunidades locais. Essa abordagem não seria possível sem a visão e a liderança de mulheres que compreendem a importância de um modelo de negócios que vai além do lucro, buscando a regeneração e a responsabilidade social. Nomes como Katia Barros, na moda, e Marina Cançado, na beleza, são exemplos de mulheres que estão à frente de ações sustentáveis, mostrando que é possível inovar e prosperar com consciência .
A beleza sustentável, com seu foco em produtos veganos, orgânicos e de alta performance, está impulsionando negócios de transformação social e ambiental no Brasil. Essa tendência não é apenas um nicho de mercado; é um novo paradigma que está se consolidando, e as mulheres estão no comando dessa mudança. Elas estão criando marcas que não apenas vendem produtos, mas que contam histórias, que empoderam consumidores e que promovem um estilo de vida mais alinhado com os valores de sustentabilidade. É um movimento que celebra a beleza em sua forma mais pura: aquela que respeita a vida em todas as suas manifestações.
Na Amazônia, o coração pulsante da biodiversidade brasileira, as mulheres estão emergindo como figuras centrais na bioeconomia, transformando a riqueza natural da floresta em renda, inovação e impacto social. Elas são as guardiãs do conhecimento ancestral, as extrativistas que colhem os bioativos de forma sustentável e as empreendedoras que desenvolvem produtos que valorizam a floresta em pé .
O protagonismo feminino na bioeconomia amazônica é um exemplo inspirador de como a liderança das mulheres pode gerar desenvolvimento sustentável e fortalecer as comunidades locais. O Sebrae Amazonas tem destacado esse papel, homenageando pesquisadoras como Mariângela Hungria, a primeira brasileira a receber o Prêmio Nobel da Agricultura, por seu trabalho com microrganismos que promovem a sustentabilidade na agricultura. Lideranças femininas da Amazônia têm recebido prêmios nacionais por seu impacto social e ambiental, mostrando que a voz e a ação das mulheres são fundamentais para a conservação e o desenvolvimento da região .
Iniciativas como o Hub de Bioeconomia Amazônica e a Rede de Mulheres das Águas e das Florestas são exemplos de como o protagonismo feminino está sendo fortalecido, criando redes de apoio e oportunidades para que essas mulheres possam expandir seus negócios e seu impacto. Elas estão provando que a beleza pode ser um vetor poderoso para a bioeconomia, gerando valor a partir da biodiversidade de forma ética e sustentável. Para mim, essas mulheres são as verdadeiras heroínas do nosso tempo, mostrando que a inteligência e a resiliência feminina são essenciais para construir um futuro mais próspero e equilibrado para todos.
O Mês Internacional da Mulher é a oportunidade perfeita para celebrar e dar visibilidade ao trabalho extraordinário de mulheres que estão transformando a ciência, a beleza e a sustentabilidade. É um momento para reconhecer a autoridade feminina em campos que, por muito tempo, foram dominados por homens, e para inspirar novas gerações de meninas e mulheres a seguirem seus sonhos e a deixarem sua marca no mundo .
Programas como o "Para Mulheres na Ciência" já contemplaram mais de 120 pesquisadoras brasileiras com bolsas e reconhecimento, contribuindo significativamente para a equidade de gênero na ciência. Essas iniciativas são cruciais para desconstruir barreiras e mostrar que o talento não tem gênero. Além disso, o novo protagonismo feminino no mercado da beleza, especialmente entre mulheres acima de 40, 50 e 60 anos, valoriza a evidência científica e a performance dos produtos, impulsionando a indústria a ser mais transparente e eficaz .
Para mim, o Mês da Mulher é mais do que uma data comemorativa; é um lembrete constante do poder transformador da mulher. É a celebração de mentes brilhantes que curam a pele, que inovam na ciência e que lideram o caminho para um futuro mais sustentável. É a beleza se tornando um símbolo de força, inteligência e resiliência, inspirando a todos nós a buscar um mundo onde a equidade e o respeito sejam a base de todas as nossas ações. E eu, sinceramente, acredito que o futuro é feminino, e ele é lindo.
Dra Marcela Baraldi, Médica Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, cadastrada no corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e consultório particular – CRM: 151733 / RQE: 66127. Colunista de Neo Mondo.

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